
Maria Melancia
Data 18/08/2011 17:07:09 | Tópico: Poemas
| Maria Melancia
Leva exposta a canastra com enormes melancias Vai sonhando poesias e anunciando o pregão: Fruta madura! Venha aqui, pode apalpar! São grandes, não há azar! Oh freguês, coloque a mão! E a Maria, decote até ao umbigo, mesmo assim não corre perigo de alguma delas cair Estão acamadas bem presas e espalmadas molengas, esborrachadas não têm por onde sair E agora à noite, com isso da internet diz que marmanjo se mete e é muito assediada Resta saber, quem anda a arremeter se o marmanjo a quer comer ou é ela a esfomeada Diz-se rainha, quem diria mas seu escrever durante o dia deixa muito a desejar a contar como gemia em versos de pornografia não há nada que estranhar E na moda das cuecas, essas de fio dental pensou: onde está o mal? Vou também experimentar! Imaginem o sarilho p´ro fio dental usar as pernas de muito quilo não conseguindo enfiar Mira-se ao espelho com a tal canastra ao peito e vá de pensar num jeito de as frutas encolher Se diminuídas mais fácil de ser metidas como também de as vender E num aperta, esmaga, torce, repuxa com a canastra de trouxa não havia solução Inda pensou que foi Deus que a castigou porque é que não lhe ofertou ou meloas ou melão Pobre Maria, acredita que um dia toda a sua poesia irá ter boa projecção e com a fruta melancia ajeitada em cirurgia melhor será seu pregão E não acredita que o freguês que a visita só lá vai de coisa aflita p´ra aliviar... a tensão E vai pensando quando está na brincadeira que quer ser até cavaleira tanto o gosto em cavalgar Que nem lhe é mau que o cavalo, seja pau chega bem para excitar E até jura… que a tal coisa meio dura é Pégaso, o alazão e que nele está a voar.
Herlânder Lobão
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