
Dois Dedos de Conversa
Data 07/10/2007 13:43:27 | Tópico: Contos -> Romance
| Cai como uma árvore quando abatida. Almas desconhecidas em pânico, quando eu só pedia silêncio. Soltei-me daquele corpo, sento-me aliviado na berma do passeio assistindo ao espectáculo que é o fim da vida. Ele sentou-se ao meu lado, sorriu, vestido de negro e acendeu um cigarro negro soltou no ar uma imensidão de fumo também negro. -Chegou a minha hora ? Perguntei sem desviar o olhar daquele corpo inerte e frio. Ele sorriu novamente, olhou para aqueles rostos de pânico e disse. -Pobres de espirito! Tanto medo da paz eterna. É favor de sair da frente eu sou médica. Desapertou-me a gravata e também a camisa, colocou dois dedos no pescoço daquele corpo que eu já sentia não ser meu. Começou uma dura luta com respiração boca a boca, com as mãos forçando o peito em movimentos perfeitos. Estava a gostar de todo o seu desempenho, sua boca encaixava na perfeição na minha, seus cabelos soltos sobre meu rosto eram como sopros de vida. Estremeci! Olhei para ele, concentrado na luta que a médica tratava com o meu corpo, algo não estava certo. Sem desviar o olhar, e com um ar de compreenção disse. -A tua hora ainda não chegou, vais voltar porque nasceu aqui uma nova oportunidade para a vida miserável que sempre levaste. -Não entendo o que quer dizer1 Sentia um misto de querer ficar e também voltar. -Ela está a salvar-te porque precisa de ti, eu posso esperar mais uns bons anos, mas ficamos com encontro marcado, agora vai e vive esta paixão até ao limite que garanto que é a última. De volta abri os olhos ao mundo, o olhar dela cor de mel deram-me as boas vindas, seu sorriso fechou a porta da minha escuridão, pelo seu nariz de Cleópatra senti o sopro de uma nova vida,lábios esses ainda sentia o sabor nos meus.
Doutora quer jantar comigo ?
José
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