
Na minha terra (Álvares de Azevedo)
Data 07/08/2011 22:42:32 | Tópico: Poemas -> Amor
| Laisse-toi donc aimer! Oh! l'amour c'est la vie. C'est tout ce qu'on regrette et tout ce qu'on envie, Quand on voit sa jeunesse au couchant décliner.
La beauté c'est le front, l'amour c'est la couronne, Laisse-toi couronner! Victor Hugo
I
Amo o vento da noite sussurrante A tremer nos pinheiros E a cantiga do pobre caminhante No rancho dos tropeiros;
E os monótonos sons de uma viola No tardio verão, E a estrada que além se desenrola No véu da escuridão;
A restinga d'areia onde rebenta O oceano a bramir, Onde a lua na praia macilenta Vem pálida luzir;
E a névoa e flores e o doce ar cheiroso Do amanhecer na serra, E o céu azul e o manto nebuloso Do céu de minha terra;
E o longo vale de florinhas cheio E a névoa que desceu, Como véu de donzela em branco seio, As estrelas do céu.
II
Não é mais bela, não, a argêntea praia Que beija o mar do sul, Onde eterno perfume a flor desmaia E o céu é sempre azul;
Onde os serros fantásticos roxeiam Nas tardes de verão E os suspiros nos lábios incendeiam E pulsa o coração!
Sonho da vida que doirou e azula A fada dos amores, Onde a mangueira ao vento tremula Sacode as brancas flores,
E é saudoso viver nessa dormência Do lânguido sentir, Nos enganos suaves da existência Sentindo-se dormir;
(...)
III
Quando o gênio da noite vaporosa Pela encosta bravia Na laranjeira em flor toda orvalhosa De aroma se inebria,
No luar junto à sombra recendente De um arvoredo em flor, Que saudades e amor que influi na mente Da montanha o frescor!
E quando à noite no luar saudoso Minha pálida amante Ergue seus olhos úmidos de gozo, E o lábio palpitante...
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, poeta. (São Paulo - SP, 1831 - 1852), Obras Principais: Obras I (Lira dos Vinte Anos), 1853; Obras II (Pedro Ivo, Macário, A Noite na Taverna, etc), 1855.
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