
SEM QUÊ, NEM PORQUÊ
Data 27/07/2011 21:37:38 | Tópico: Poemas -> Tristeza
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No canavial o sol se deitou E as estrelas chegaram atrasadas Até a lua tardou, Tarda a morte as passadas. Eu recolhi serena Como uma folha pequena Ao vento minha vida embalei Esqueci a pena, e como pesa a ameaça da vida que passa.
O coração sabe Da sombra que a alma habita Neste meu verso não cabe A água dos meus olhos tristes, nem a minha desdita. Tão pouco os sonhos meus que fogem, fogem para nada Sem lua nem estrelas, sigo desolada.
Sigo arrastando-me e ninguém me vê A vida gastando-me Sem quê nem porquê!
No meu olhar de frio aço O verde é já desbotado Na paisagem da alma o cansaço A cor do desespero é o meu fado. Suspensa na minha face Há uma lágrima que vai rolar Como se a vida me arrancasse A última janela, a que ainda quero assomar.
rosafogo natalia nuno
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