
[Andança: Trilhos para o Mundo]
Data 17/07/2011 15:52:11 | Tópico: Poemas
| [Se eu não revisitasse sensações minhas, aconteceres do mundo que se absurdaram aos meus olhos, eu enlouqueceria...] ________________________ Noite quente, sufocante... Esses trilhos brilham ao luar na solidão da gare vazia da Estação. Brilham como linhas extensas que se perdem na escuridão, e presentificam sua dureza brilhante, absurdamente lisa... lisa do constante atrito entre aço e rodas de aço...
Há nesses trilhos uma crueza... A minha atenção se consome neles de uma modo obsessivo — é impossível fugir à essa atração que arrasta o meu olhar para onde... algum lugar esquecido, ou para tempos despertencidos de mim!
Junto à linha, o cheiro de óleo diesel mistura-se à emanação da terra molhada, e me traz uma estranha evocação, um tempo que não sei se vivi, ou se apenas o terei sonhado, alguma perda, em alguma época...
De repente, tenho uma vontade absurda de me lançar rumo ao nada da escuridão; jogar-me na linha do trem, arrastar-me sobre esses trilhos até o inferno distante, onde, com certeza, essa linha termina, onde terminam todos os trilhos do mundo!
[... e da velha Minas, mais precisamente do ponto de encontro de duas grandes ferrovias que cortavam os nossos rincões, a planura das grandes chapadas... verte o mundo até hoje!] _______________ [Penas do Desterro, 18 de outubro de 1998] __________
[da minha coletânea "Cavalos da Noite" - ilustrada por Paula Baggio]
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