
A Concha (Ossip Mandelstam)
Data 12/07/2011 14:30:25 | Tópico: Poemas -> Introspecção
|  Talvez te seja inútil minha vida, Noite; fora do golfo universal, Como concha sem peróla, perdida, Me arremessaste no teu areal.
Moves as ondas, como indiferente, E cantas sem cessar tua melodia. Mas hás de amar um dia, finalmente, A mentira da concha sem valia.
Jazer só a seu lado pela areia E pouco faltar para que a escondas Nessa casula onde ela se encandeia à sonora campânula das ondas,
E as paredes da frágil concha, pouco a pouco, se encherão do eco da espuma, Tal como a casa de um coração oco, Cheio de vento, de chuva e de bruma...
Ossip Mandelshtam, Poeta Russo, nascido em 15.01.1891 Terminou seus dias num campo de prisioneiros, em 27.12.1938, na Sibéria. Estudou na Escola de Tenishevsky, Universidade de Heidelberg e Universidade de St. Petersburg.
Imagem: Sandro BOTTICELLI, Vênus de Milo.
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