
NOVE POEMETOS (E UM SONETO) PARA EU PENSAR NO QUE NÃO ESCREVER
Data 06/07/2011 21:52:01 | Tópico: Poemas
| . NOVE POEMETOS (E UM SONETO) PARA EU PENSAR NO QUE NÃO ESCREVER
- I -
beijei a imagem do sapo doente (que se transformou magicamente num principesco poema carente de médicos e hospitais)
- II -
graúna fincou no telhado trinou aguçado assovio - grave e agourado - gelado prenúncio d’um poema apressado
- III -
eis um toque ao avesso de Midas:
às palavras improferidas se ditas, viram merda
- IV -
jamais sei onde colocar vírgulas pontos e cotovelos
- V -
ah, mas um poema um poema é outra coisa... vira essa coisa doída que pousa nos olhos e me abre um desnorte com uns movimentos de mosca doida...
- VI -
o amor morreu modorramente morreu sem cor, sem viço escafedeu-se sinceramente...
nada mais a acrescentar:
ao contrário da franqueza a honestidade é apoética
- VII -
sigo os bons descaminhos os completos nonsenses de sentido
sigo firme rumo ao buraco retorcido, estripado, pelancudo do cavado do meu umbigo
sigo consumido.
sigo enfartado. farto de não ser poeta
(todo fodido) apesar de tudo, sigo.
- VIII -
no solo dos meus dias crescem ervas daninhas de subtrair poesias de pequeninas pedras rachadas...
- IX -
tudo o que gostaria de escrever Quintana já o fez... resta-me queimar a cachola para ser menos “eu mesmo” de quando em vez (e escrever algo como “ninguém”)
- X -
SONETO TÃO QUEBRADO QUANTO MEDIÚNICO
uma música queima o contorno das ricas rimas ausentes neste poema tal fosse praga minha...
que, cínico, chora as cordas, ao longe, o velho Stradivarius anímico, sobre as hordas d’uns versos doidivanas vários
ah, aos meus micos, bananas! esse som afetado e raso, caduco, no tom atoleimado de roer prepúcio...
mesmo se rompa o fonograma: seja ele ruim, podre ou translúcido decerto é meu lado medi_único
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