
A ÚLTIMA HORA
Data 06/07/2011 00:06:45 | Tópico: Poemas
| Vai, levanta a folha do vento e confere os trilhos da tua existência, não te espantes se vires brotar leite de velhas mamas e sangue nas pontas dos dedos.
Vai, porque é chegada a hora da última estrela morrer em prol de uma nova galáxia.
Antes que faraó se arrependa e mande soltar os cavalos, antes que a noite petrifique as sombras, antes que as crianças pereçam no mar da fome, vai, vai, vai...
Talvez exista uma mulher esperando pelos teus beijos, talvez encontres um corpo sequioso, ou mesmo um amigo pra trocar confidências,
Vai. Não te importes com a chuva nem com os cães que ladram nas esquinas, segue em frente, esqueletos de vidro não podem jogar pedras.
Aviso que os teus pés pisaram em brasas, tuas mãos pegarão serpentes, servir-te-ão pratos cheios de micróbios e insetos crocantes, mas afinal haverás de chegar a terra que te foi prometida quando ainda não se ouvia o ar saindo dos teus pulmões.
Vai, ergue o cobertor e contempla os corpos dos homens retalhados por chicotes do poder, contempla a imensidão de excluídos caminhando a beira da estrada, na espera de comida cair do céu.
E num ímpeto toda volúpia, toda força, todo querer, todo ódio convergirá para um só ponto, nascendo então a estrela que brilhará mais do que o sol, porque iluminará a alma dos viventes, revelando para todos os pensamentos mais íntimos.
E a noite se fará dia, os segredos serão desvendados, o leão dormirá com a ovelha, e o velho deus acabará seus dias numa ilha , sozinho como um Robinson que não é.
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