
O primeiro portal (AjAraujo)
Data 04/07/2011 15:02:38 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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Entrei por um portal. Não havia cômodos Somente amplos espaços E folhas secas, espalhadas
Adentrei o espaço-tempo Sem olhar os ponteiros Ou preocupar-me com as horas A cada passo, sentia-me mais leve
Havia nuvens em "nimbos" - Pareciam ter vida própria - A observarem meu andar trôpego Neste novo portal da existência
De fato, era estranha sensação, - Curiosa e perturbadora - Diferente de tudo quanto vivera, Em mim despertava um bem-estar
Como de há muito não sentia Tampouco as folhas tocara - Ah, sim, muitas de papel-ofício Ou boletas de contas impagáveis -
Neste primeiro portal O ar era fresco, a luz do sol mansa Ouvia sons ao longe, músicas de esferas Havia partido numa viagem, mas onde estava?
Sentia uma certa ambiguidade! Um desejo de voltar correndo Para o caminho que há pouco deixara - Ainda havia pegadas no solo úmido -
Ainda haviam marcas - que em mim carregava - Dos tantos anos vividos De tantos entes queridos
A saudade vinha e ia em ciclos Mas, a ansiedade costumeira Fora substituída por serenidade Que nunca dantes sentira
Percebia que não caminhava só Uma energia gravitava ao redor Silêncio somente quebrado Ao pisar gravetos e folhas
Não me dei conta do tempo! Aí, apareceu uma fonte de água límpida Debrucei-me, apanhei água com as mãos Saciei a sede como beduíno ao achar oásis
De repente, miro no espelho do córrego A minha própria imagem, espantei-me Olhei em volta, não havia mais ninguém Supostamente era eu próprio refletido
O que vi era bastante diferente dantes Era uma formação fluida, etérea Circundada na periferia por halos de luz Com algumas áreas cinzentas outras claras
Percebi que definitivamente transmutara, Que o corpo físico para trás deixara, Que o espírito vivo seguia liberto Na nova estrada de minha evolução.
AjAraújo, o poeta humanista, escrito em 4 de julho de 2011.
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