
IN_CÔMODOS DA MINHA CASA
Data 27/06/2011 19:02:26 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Estive aqui… a olhar a fumaça do meu cigarro. Percorre-me o interior do meu corpo. Cérebro. Mata-me cada dia um pouco. Viaja em mim. Conhece-me. Faz-me uma estranha companhia. Eu a trago. Ela traga-me. E traz-me. Idéias e morte.
Queria poder sentar-te neste trago. Ele te levaria pela mão… à minha morte. E vida. Dentro de mim há muitas vidas. E morte. E conhecerias, de fato, a casa desarrumada de mim. Desarrumada e inquieta. Mas muito enfeitada. Enfeites que caem. Luzes que teimam em apagar-se. Eu as acendo. Todos os dias. Não é fácil, de fato. Em cada cômodo de mim. Cores diferentes. E me compreenderias os sorrisos que, por vezes, não quero dar. Não é que eu não consiga. Não quero mesmo dar. Depende do cômodo que eu esteja a visitar.
Visitando-me com este trago que agora dou. Dor. Sentirias a dificuldade que me é peculiar sempre. A de tentar andar por dentro de mim mesma. Estou sempre descalça. Nesta desarrumação que tento arrumar sempre. Destas luzes de diversas cores. Destes vários cômodos. Incômodos. Alguns trazem-me a paz. Destes, muito gosto. Mas são pequenos. Apertados. Por vezes nem me cabem. Mas caberia a ti, meu doce amor.
Porque tens alma de criança. E às crianças sempre cabem os sonhos. Se bons… ficam ainda mais doces. Se ruins… têm a varinha mágica de transformá-los amenos. E trazer sorrisos francos. Fáceis.
Vens. Senta-te na fumaça do meu cigarro. Trago-te. Arruma-me. Podes tentar. Mas tens que lidar com o “comigo” de dentro de mim. Com a vida dos cômodos pequenos e coloridos. E com a morte dos cômodos largos e escuros. Trago-te. Traga-me, meu amor.
Karla Mello
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