
Nuvens de Espumas
Data 19/06/2011 12:37:11 | Tópico: Poemas
| Cai a tarde num quadro fantástico. O sol suspenso em nuvens de espumas Fazendo ser espelho as águas do riacho Beijado por plantas de espantosas verduras Que exalam eflúvios balsâmicos e raros.
O horizonte em cirros de escarlates colorações Servindo de fundo para o vôo em vértice das aves Que num balé silencioso, levadas pelas monções, Se vão a procura de campos floridos e suaves.
Do lado de fora uma luz intermitente perpassa uma nesga Da cortina. Mas ninguém sente medo nem sabe discernir o que é bem Ou Mal. Gotículas deslizam serelepes pela superfície de cristal. Em merecidos repousos, se vão os viventes do dia.
Deixam as silhuetas dos montes mineiros Os mesmos eflúvios balsâmicos que se derramam Pelos campos cobertos de borboletas e cores; Besouros felizes beijando as corolas das flores...
Bóia no horizonte o astro-rei Num espetáculo fabuloso e repetido Fazendo ser mais rubro o ocaso E o algodão das nuvens prateados.
Efêveras de ouro Curtida em couros crus Pousa pelo poente Onde o sol desmaia
Essências refrigerantes Exaladas dos pampas do sul...
É que ainda não aprendi a linguagem Dos anjos Nem os cantos dos antigos serafins.
Em Liliput não foi eu aquele gigante Ou uma besta fera japonesa de filmes de terror Não fui eu que vadiei pelo inferno de Dante Não lancei perfumes nas festas picantes Quando eu era um arlequim também pierrô.
Não aprendi técnicas chinesas dos mandarins. Por isso minha forma duvidosa e incolor Por isso meu sorriso supérfluo de marfins Minha língua de trapos e de cetim Esse meu canto mescla de carinho e dor.
É que sou pássaro novo a espera do farto Alimento... Por um fazedor de poema nato... Apenas mais um cantador.
Chega a noite e um novo espetáculo se cria Agora dormitam alguns homens e borboletas No céu uma mão acende miríades de estrelas Que em nada perde para a beleza do dia.
Num quarto fechado desliga-se um chuveiro. A meia-luz uma semi-deusa desponta no portal Caminha rumo à cama num desfile sensual Fazendo um homem arrepiar o corpo inteiro.
Os cabelos molhados balanceiam e alguns pingos Deixam cicatrizes no alvejante lençol. Uma fêmea arrasta-te tal qual uma serpente do Saara Mordendo fronhas e travesseiros. Nesse instante o mundo todo para. Para-se o mundo e o tempo. Dois seres se perdem num jogo gostoso, entre beijos, Libertando libidos e os mais reclusos desejos.
Sexos se amam e se violentam num vai e vem eterno. Suores se mesclam com as essências soltas pelo ar. Dois corpos se fartam e se matam na arte do amar Tendo de testemunhas apenas as estrelas do universo.
|
|