
PLENITUDE
Data 14/06/2011 02:47:30 | Tópico: Poemas
| Há homens que nascem fora de tempo. Os póstumos, (deviam ter nascido no passado), Os prematuros, (deviam ter nascido no futuro).
Os póstumos erguem um muro à sua volta Para esconder suas fraquezas. Costumam esquecer as canções da infância Com medo de serem confundidos com lobisomens.
Seus lábios estão cobertos com teias de aranha Suas mãos de tanto fazer o sinal da cruz Perderam a sensibilidade. Não conseguem entoar as notas De uma partitura empoeirada.
Os prematuros logo se revelam Na ousadia de seus gestos descontentes. São gatos caçadores da noite Mas que usam o dia como um tapete mágico A levá-los ao reino da andromania.
Escalam escadas invisíveis Para invadir os jardins alheios Com o propósito de libertar as donzelas Enfeitiçadas por pastores feiticeiros. Eles se eternizam, Porque o tempo corre atrás deles.
Há homens que nascem Na plenitude dos tempos. Seus passos estão sempre em sintonia Com a música do vento.
O passado é uma saudade Que ele transforma em flores e poesia. O futuro é apenas uma extensão dos seus sonhos. Eles têm a vida presente, como Drummond, E o sentimento do mundo.
São os poetas.
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