
Quando Raiar o Sol
Data 11/06/2011 01:14:26 | Tópico: Poemas
| Hoje só, vendo seu quadro na parede Lembrei-me dos dias felizes de antanho Quando eu te via, semi-nua, deitada ao sofá, Com as pontas dos dedos roçando o tapete, As pernas torneadas e grossas à mostra, Os cabelos em mil novelos caindo pelas costas!
Como eu me fartava em um deleite libidinoso Imaginando serem silvas do mato seus suspiros; Uma torre de afago misto com marfim, seu pescoço; Um diamante de gigantesca dimensão, seu coração; Pérolas furtadas dos antigos reis do oriente, seu sorriso; Tênues teias prateadas os nevados dedos da sua mão!
Entorpecido dei asas as minhas próprias fantasias Pintei o arco-íris em mechas nos seus cabelos E parecia que eu via seus olhos luzidios me sorrirem; Uma cachoeira eu pintei em seu formoso colo; Em cada pêlo da face o pincel fez um sol amarelo... Dois sóis de negror afogueados lhe pus nos olhos; A cada movimento da minha ofegante respiração Meu pensamento pintou-te toda de constelação!
Ali estava você com seus pensamentos e seus segredos. Ninguém ousa conhecer a mulher e seus mistérios Nem até onde podem chegar seus temores e medos; Se elas nos dão bálsamos do céu ou fogos dos infernos. Não seria eu, minha doce amada, que tal feito faria, E digo-te que nunca foi e nem é essa a minha intenção. Apenas sei que estou encostado no portal te velando, Esperando-te quando raiar o sol da nova estação!
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