
Tempo do homem (Atahualpa Yupanqui)
Data 05/06/2011 12:40:11 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| A partícula cósmica que navega em meu sangue é um mundo infinito de forças siderais. Veio a mim através de um longo caminho de milênios quando, talvez, fui areia para os pés de vento.
Logo, fui madeira, raiz desesperada fundida no silêncio de um deserto sem água. Logo, fui caracol quem sabe aonde. E os mares me deram a primeira palavra.
Depois, a forma humana despejou sobre o mundo a universal bandeira do músculo e da lágrima. E brotou a blasfêmia sobre a velha terra e o açafrão, e o trigo. A árvore e as pradarias.
Então vim à América para nascer um homem e a mim se juntou o pampa, a selva e a montanha. Sim, um velho da planície galopou até minha origem outro me disse histórias em sua flauta de cana.
Eu não estudo as coisas nem pretendo entendê-las as desconheço, é certo, pois antes vivi nelas converso com as rochas em meio aos montes e me dão sua mensagem as raízes secretas.
E assim vou pelo mundo, sem idade nem destino ao lado de um cosmo que caminha comigo. Amo a luz e o rio e o caminho, e a estrela. E floresço em guitarras porque fui a madeira. Atahualpa Yupanqui, compositor argentino.
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