
Água de Remanso (Thiago de Mello)
Data 21/05/2011 00:22:21 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Cismo o sereno silêncio: sou: estou humanamente em paz comigo: ternura.
Paz que dói, de tanta. Mas orvalho. Em seu bojo estou e vou, como sou.
Ternura: maneira funda, cristalina do meu ser. Água de remanso, mansa brisa, luz de amanhecer.
Nunca é a mágoa mordendo. Jamais a turva esquivança, o apego ao cinzento, ao úmido, a concha que aquece na alma uma brasa de malogro.
É ter o gosto da vida, amar o festivo, o claro, é achar doçura nos lances mais triviais de cada dia.
Pode também ser tristeza: tranquilo na solidão macia. Apaziguado comigo, meu ser me sabe: e me finca no fulcro vivo da vida.
Sou: estou e canto. Thiago de Mello, poeta brasileio. In: Faz escuro mas eu canto, 1999, Bertrand Brasil, 17ª edição.
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