
Paz
Data 19/05/2011 16:11:50 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Ouvir-te o pairar não posso Nem mesmo com o olhar te alcanço Reconheço-te o aroma de ostra fresca e inerme Degustar-te o fino sabor?... Nem me lanço! Sinto-te, não minto, sem captar-te a epiderme.
Temperas-me o percurso ensolarado Aos aposentos sombrios adornas as ribadas Anestesias-me, das batalhas, as sangradas Teu pisar manso, salvado ao marolear das ondas, Atenua da trupe os cascos e os clarins das rondas
Não te enxergo a face, não te ouço, Não te espiro nem degusto-te o gosto Mas me extasia a ausência do teu murmurinho, Encanta-me o balançar mansinho, Da traineira, em teus braços, mirando-te o rosto.
Quando estás, pesca, indolente, a gaivota, Espreguiçando-se, o entardecer beija o crepúsculo, Da densa noite só o estrelado se nota. Em teu alvo manto, onde não vige derrota, Se o poder não o amarrota, o penar faz-se minúsculo.
Porém, se presente não te encorpas, Arquivas em reminiscências o de cor... Paz ausente. Daí, tua falta te põe em alta e saltas às retinas... Das tropas em marcha, o aulido ouço-te, plangente... Ao desabrido das atitudes vais-te... declinas...
Vais-te e faz-se o ranger dos gonzos, dos ferros! Envenenam-te, do ódio, da inveja e da vingança, as toxinas... Aos quadrantes ouço-te os soluços e os berros. Então, devoro-te o amargor da ausência, Vislumbro-te no sol que já não iluminas.
Reconheço-te perdida, ferida... pura carência! Recomeço a sonhar... novo raiar do peito arranco! E então, refugiado no Amor, na “sua” essência Sonho-te colorindo-me o breu com pétalas pequeninas De azul, de luz e de branco... De branco do mais branco!
|
|