
jardinagem
Data 19/05/2011 14:08:46 | Tópico: Poemas
| plantei um cactos com o mesmo carinho, com a mesma dedicação, com que se planta uma flor. nem assim, ele cresceu amável. com seu corpo carnudo, vergastado de espinhos, os mais danados e ferinos, ele se postava ali, bem na altura da porta da cozinha, como sentinela em prontidão; sempre disposto a dar uma lancetada, até mesmo em mim, que lhe dedicava o maior dos carinhos. atrevi-me um dia, a lhe fazer de matriz para a germinação e lhe espetei um broto de roseira, na esperança maior de que florescesse. nada. o cactos, magnânimo e árido, como convém à espécie, a menor bola não deu; deixou morrer, insolitamente, a rosa, e a ilusão que tive, de vê-lo florido e mais suave.
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