
UM FATO CONSUMADO
Data 13/10/2006 12:40:00 | Tópico: Textos
| UM FATO CONSUMADO
Chegou de mansinho, sisudo, mãos nos quadris...Passos lentos, parou no meio da sala e pôs-se a olhar os quadros nas paredes. Fixou-se em um retrato de longa data e lágrimas lhe banharam as faces num pranto mudo. Foi longa a sua viagem de muitos anos de ausência dali, daquela casa.
Abriu a janela e olhou o quintal de grandes árvores frutíferas e de vasto capim crescido. Um pedaço de corda velha ainda estava lá, denunciando que naquele galho existiu um brinquedo de balançar.
O vento forte que invadia o ambiente lhe trazia vozes do passado com as algazarras vindas do quintal e folhas secas cobriam o tanque onde patos nadaram entre o jardim.
Andou pelo resto dos cômodos. Tudo ainda estava como foi deixado. Parecia até propósito pois até o lençol da cama ainda estava jogado de qualquer jeito. O que fazia a diferença em tudo era a cor bolorenta pela poeira e as teias de aranha que se acrescentaram ao cenário.
A felicidade havia se acabado naquele antigo lar porque um dos familiares – o filho mais velho, enveredara caminhos tortuosos ao encontro das drogas e, num momento de acesso de loucura ao chamamento do vício ceifou a vida da mãe porque não lhe quis dar dinheiro para alimentar o vício. O pai foi, igualmente, eliminado ao socorrer a esposa... Os irmãos estavam na escola e foram tomados pelas autoridades e depois entregues a parentes.
Seu tempo de 30 anos de prisão foi cumprido. Então estava ali, livre das grades que o separavam da liberdade, mas literalmente preso às lembranças, sem coragem de prosseguir e encontrar os irmãos de feições adultas.
Estava parado, preso em pensamentos e arrependimentos tardios – como sempre.
Pelo amor de Deus, Criatura. Não se DROGUE!
MENDIGNO - 29/03/2006 – J.W.DE MACEDO
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