
Défice geométrico
Data 30/04/2011 00:17:07 | Tópico: Poemas
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Tubérculo surge. A planta do lábio evasivo na pofundidade da terra debaixo da pele - preciso, fixa-se.
No perímetro de um grito o despiste das palavras, a folhagem que berra, o vidro que corta a medula onde ainda me travas.
Um pomar de ilusões, rios de flores assombradas pela sede, o perfume das searas ofuscadas e o pólen carbonizado na dormência interna da fecundação.
Cai centeio sobre os ombros varridos pela soberba dos "importantes".
Não chegam cartas felizes que me falem sobre o crescente, a água morna e não fervente, em sal misturado de esperança.
O pão é travesso, a fome afunila o sorriso a noite teima em ser demónio na manteiga que derrete.
Lacrado é o sistema, o quarto indiviso de uma maçã presa ao ramo que não descola o barco da semente envenenada.
De amor também não falo, porque me devora uma paixão incontrolável surda inquieta, oculta e sobejamente solitária que não posso revelar.
Na curva do mundo traço linhas rectas moribundas com o desejo (sofrível) de que um dia ambas as raízes frágeis se cruzem e se tornem profundas.
Quero o diâmetro.
rainbowsky
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