
VeRdAdE pUrA!
Data 13/04/2011 23:52:50 | Tópico: Textos -> Outros
| Em 1989 fui trabalhar para Lisboa, mais concretamente para um Lar de Idosos, que fica na rua Silva Carvalho em Campo de Ourique, mesmo ao pé do jardim da Estrela. Estive lá desde Maio até ao final desse ano. Esse ano fica marcado por ter sido o ano em que eu assumi a minha orientação sexual. Uma de entre as várias colegas de trabalho, tornou-se diferente e especial e tudo fazia para estar com ela. Ficava triste com a sua ausencia e muito feliz ao pé dela. Dessa vez resolvi de uma vez por todas que ia assumir aquilo que era e pronto. Das outras vezes dizia que «aquela mulher» era especial e que sentia uma «amizade diferente» em relação às outras pessoas e nomeadamente mulheres. Mas afinal eu sempre estive apaixonada por aquelas mulheres mas nem eu sabia no inicio e depois lá me convenci aos 27 anos!
Quando saí do lar, no inicio de 1990, foi que confessei tudo a essa colega e grande amiga. Ela nunca me correspondeu, mas aceitou-me tal como eu era. Só pensava nela e escrevia-lhe cartas atrás de cartas. Depois também só sonhava com ela quando dormia. Era quase dia sim, dia sim. A dada altura comecei a escrever os ditos sonhos num caderno, que agora folheei sem querer e por isso estou a escrever este texto. E aqui deixo um dos sonhos que vou transcrever na integra e que sonhava quando estava na aldeia em Trás-os-Montes:
«Ah, hoje [dia 4/2/92] foi lindo, lindo! Porque nos amamos! Estavamos na berma da estrada aqui perto de casa. A uma dada altura, não sei a que propósito, cantei esta quadra do Fausto:
"Eu não quero o que tu queres, folha seca cai ao chão... Eu não quero o que tu queres que eu sou de outra condição..."
Depois eu dei um salto para junto da minha amada e desta vez cantei o Sérgio Godinho:
"Ai eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto..." Havia ali mais pessoas, mas eu e a minha amada andamos um bocadinho, abraçando-nos e beijando-nos, mas muito discretamente.
Dali viemos para casa. Eu entrei e estava uma grande confusão de gente. A minha amada não entrou comigo e eu pensava que já a tinha perdido, mas desci ao armazém e eis que ela lá estava ansiosa. Corremos ao encontro uma da outra, atiramo-nos ao chão e amamo-nos com fúria e com um prazer indescritível. Foi aí que acordei. Foi lindo, lindo...»
Acreditem ou não, este e mais sonhos, são autênticos!
E então uma bela noite para todos e sonhos da cor do amor!
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