
.... nas rosas de havermo-nos encontrado, Solidão.
Data 22/09/2007 15:08:03 | Tópico: Poemas -> Amor
| A presença impossível declarada na azáfama de um astro que sobe. Um rio de saliva onde a fragata desliza breve, um rio translúcido, límpido e transparente, é tudo quanto visualizo desta janela sem asnas, sem aros ou vidros, pintada nas águas rectilíneas, onde cortinas ineptas são tão somente resquícios de poros inúteis, farrapos, a ocultar um tempo vago.
Desce o ocaso p’los beirais do dia. Desce em pássaros de ternura no ventre do mês de Maio, nas rosas de havermo-nos encontrado, Solidão.
No desalento, a lama goteja em lágrimas fluviais sob um Sol sem brilho, sob um Sol aprisionado …
(tanto caminho e nenhum lado …)
E as nossas mãos, as nossas mãos, amado, no vácuo acérrimo de um segundo, se esgrimem em dedos voluptuosos de milenares carícias, se tocam e se fermentam, levedadas, conduzindo ventos, aragens e brisas, para lá do corpo, para aquém do porto, e neste cais neste cais de rio, são agora palco de estrelas de Deuses mitigados em poeiras incandescentes.
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