
A Espada da Liberdade
Data 04/04/2011 22:36:54 | Tópico: Poemas
| No teu braço estava a Espada da Liberdade Que a força de um povo levantava no ar. O peso da juventude e responsabilidade Não pesou na maneira de pensar.
O respeito por todos é tua divisa, Mesmo quem está do outro lado, Ou mesmo quem depressa muda de camisa; Todos merecem o respeito por ti dado.
Se Santarém vieste para Lisboa, Em silêncio fizeste toda a viagem. Na tua mente a voz da razão soa, Dando-te o apoio e a coragem.
Vieste acabar com o Estado-A-Que-Chegámos E com esperança avançaste sobre a capital. Nunca foste recebido com ramos, Mas com o ultimo fôlego ditatorial.
Ocupaste o Terreiro. Cercaste o poder. E, na calma que se seguiu, conseguiste Dominar os ânimos e com saber Dominaste o terreiro e viste
Como o poder estava tão podre Que com um simples abanão tombou. Foi assim que o teu coração nobre Um estado torpe e cego derrubou.
E mesmo quando o Brigadeiro dos Reis, Coberto pela sua grande cobardia, Tenta fazer-se valer das militares leis, Mandando derramar sangue na via,
Tu ficaste lá de pé, como Salgueiro que és, Mostrando que coragem é uma divisa Que não se dá aos pontapés A quem dela acha que merece ou precisa.
É preciso sim, nascer com ela, Sentindo-a pulsar no nosso peito, Fazendo da vida a nossa caravela, Donde partimos para o futuro, com respeito.
Tu tiveste-a. Graças a ti, Graças à razão que vos movia, Do cobarde a ordem voltou a si E o soldado seguiu a ordem contrária.
Com os ministros a fugir, o Terreiro Nenhum outro interesse tinha. Foste, pois, para o golpe derradeiro: Cercar o quartel que o chefe continha.
Atravessando as apertadas ruas da cidade, Ao Carmo chegaste, com os teus soldados, Aos poucos a visão da liberdade Se tornava real aos olhos de todos por ti comandados.
O povo chega, clamando justiça, E a liberdade é novamente aclamada. Viste então que a calma era precisa Para que a revolução não fosse falhada.
Negociaste a rendição do governo. A democracia seria reposta em Portugal Nenhum poder deve ser eterno, Muito menos sem o apoio do povo em geral.
Negociação e ultimato feito, A rendição surgiu com uma condição: O chefe devia ser tratado com respeito E não queria entregar o poder a um capitão.
Esperou-se a chegada do general Que, quando anunciado ao povo, Foi aclamado em delírio geral. A revolução tinha acabado com o Estado Novo!
O país seria diferente agora A Espada da Liberdade estava no poder. Era chegada a tão esperada hora De todo o país do acontecido saber.
Não estava a tua tarefa terminada. Tinhas de escoltar com segurança O poder caído, a chefia tombada. Portugal ganhou a luta pela esperança.
Soldados houve que um cravo colocaram No cano de sua arma. Um sinal Da revolução a que se propuseram Fazer, não sangrando Portugal.
Mas o sangue só foi poupado Pois tu soubeste comandar. O teu trabalho foi recompensado Pois o antigo estado foi ao ar.
Mas a sorte não te foi favorável E poucos anos depois morreste, Mas viveste uma vida louvável E em pouco tempo muito fizeste.
Uma revolução florida foi a tua; Portugal aos portugueses devolveste E mesmo andando numa estranha rua, Nunca o sentido humano perdeste.
Obrigado pois, Ó Salgueiro Maia. Pela oferta da nossa liberdade. Foi longo aquele teu dia, Mas longa foi a espera da verdade.
A Espada da Liberdade no teu braço Foi erguida alto sobre Portugal. Foi vista no longínquo espaço, Foi vista numa alegria sem igual
06.06.1999 Este estava previsto só para o 25 de Abril, mas como Faz hoje (4 de Abril) anos que Salgueiro Maia morreu, pareceu-me apropriado que o tornasse público hoje.
A inspiração foi uma série que em 1999 deu na televisão sobre o 25 de Abril (Além do 25 de Abril propriamente dito)
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