
REDONDILHANDO
Data 02/04/2011 11:01:42 | Tópico: Sonetos
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Quem jamais não poderia Enfrentar os desafetos Sabe os tons de um novo dia Entre os rumos prediletos, E se tente em poesia Realçar os mais completos Sonhos; tenta em harmonia Bons momentos, mas discretos. Cavalgasse vida afora Nas tramóias da ilusão, Quando o tempo desarvora Em temida confusão, No meu peito então aflora A mais clara confissão.
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Nada mesmo do que eu tente Demonstrando com carinho Traz no olhar imprevidente O cenário onde me alinho, O prenúncio, de repente, Do que possa em tal ninho Encontrara quem alente Ou o canto mais mesquinho. Ouso crer mesmo não tendo Quem pudera ter nas mãos, Muito além que tal remendo Tempos duros, frios, vãos Espalhando e após colhendo Resultados desses grãos.
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Quantas vezes eu professo Nesta forja o meu futuro, E se possa e até confesso Ter no olhar o mais seguro Garantindo o meu regresso Sem saber de algum apuro, Desenhando sem progresso O momento onde perduro. Partilhando do que tanto Desejara e não viera, O meu sonho eu mal garanto Espalhando esta insincera Solidão aonde o pranto Abre em nós nova cratera.
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Não mergulho nos meus ermos Nem tampouco em tais entranhas Onde tanto por não termos Nada mais eu tenho ou ganhas, A verdade é que ao podermos Explorar novas montanhas O que possa ao já perdermos Desolasse nossas sanhas. Entoando o que inda resta Da canção que não cerzira, Traz a vida enquanto infesta Traz a morte e nos retira, Sensação de simples festa, Noutro passo em rude mira.
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Nada mais pudesse ter E tampouco o desejasse Verdade reconhecer E saber do desenlace Onde possa alvorecer Mesmo quando ora nublasse A vontade de viver, Ultrapassa algum impasse. Nada vejo e me permito Entre sonhos, num instante Desenhar além do mito O que possa e nos garante Um lugar neste infinito Caminhar que se adiante.
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Adianto cada passo Rumo ao porto onde teria Muito mais que me cansaço O momento em poesia, E se possa noutro traço Viver em plena harmonia Onde o tempo mesmo escasso Novo sol me mostraria. Vendo assim o desafeto Num cultivo mais audaz, O meu mundo ora completo Nos anseios desta paz, E se tanto me repleto Novo encanto satisfaz.
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Jogo os olhos no horizonte Vivo além do que se sinta O meu canto sempre aponte Para a sorte nunca extinta, Vejo o quanto já desponte A emoção onde não minta Quem pudesse noutra fonte Desejar a luz distinta. Represando o meu anseio E contendo em tal barragem O meu mundo em devaneio Perfazendo outra viagem Onde tanto o que ora veio Traz no amor sua bagagem.
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Nada mais pudesse ver Ou tampouco presumir Nos caminhos do prazer Tanta coisa a permitir O que possa recolher Ou deveras repartir, Num suave amanhecer Revelando o que há de vir. Relutar? É necessário, Mas o tempo nunca cessa E o que fora itinerário Fica apenas na promessa, O meu mundo, torpe e vário Sem esperas recomeça.
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Lavo os olhos na saudade De quem tanto quis um dia, O meu canto em realidade Mata a sorte em ironia, O que possa e se degrade Noutro tom ora jazia, E cerzindo esta verdade Morro ou vivo em agonia. Ouso crer no que se tente Tento crer no que eu ousasse O meu mundo onde aparente O sorriso em clara face Tantas vezes descontente Nem o sonho suportasse.
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Nas palavras mais doridas Ou sinceras esperanças Entranhando nossas vidas Onde tanto além avanças Encontrar nas despedidas O sorriso das crianças E traçar antes perdidas Nalgum canto tais lembranças; Versejando ou mesmo até Desenhando com meu sonho O que possa – imensa fé – Ou num dia mais bisonho Permitir só por quem é O ponteio que componho.
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Navegar entre os rochedos E buscar um manso porto Conhecer tantos segredos Renegar qualquer aborto, Entre sonhos, ermos, ledos O meu passo segue torto, E se possa em desenredos, Presumir o encanto morto. Nada mais pudesse quando Outro tempo se anuncia O meu mundo desabando Onde o tanto poderia Transformar em novo bando A verdade em alegria.
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Nada mais se vendo após O que tanto acreditara Esperança feita algoz Tantas vezes maltratara E o que sentisse entre prós Noutro tom gerando a apara Corta rente e nega em nós O que possa e se prepara. O vencido sonhador Já não tendo onde encontrar O que possa em desamor Tão somente constatar Sem o brilho redentor De quem traz um manso olhar.
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Nada mais se poderia Nos anseios mais doridos E se tento alegoria Dias torpes e perdidos. Os meus olhos, a harmonia, Os cenários divididos E a palavra não traria Nem sequer mansos sentidos, Ousaria ter nas mãos O futuro que não vem, Entre as horas, mesmos nãos E prossigo em tal desdém, Envolvido pelos vãos Sem saber de mais ninguém.
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Nada mais pudesse ter Quem deseja a calmaria O meu mundo a se perder Mais um pouco, a cada dia, O cenário a se verter Tanta coisa poderia E no rumo sem saber O que tanto restaria, Vejo o olhar de quem se dera Muito mais do que tentasse Ao seguir em louca espera Novo tempo não repasse A verdade tão sincera Que jamais se duvidasse.
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Nada peço, mas prossigo E provoco a derrocada O meu tempo em desabrigo Sem destino a velha estrada, O caminho diz perigo, Minha noite atocaiada, Porém mesmo assim prossigo Bebo o sonho da alvorada. Nada mais pudesse ter Quem tentasse nova luz, O meu canto a se perder Onde encanto não produz, E se tanto pude ver Num recanto a minha cruz.
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Jorram dores entre fartos Delirares, solidão, Os momentos sem os partos As sangrias pelo chão, Os pedaços nestes quartos Morte em doce redenção.
O meu canto não se ouvira Nem tampouco esta tortura, O que possa e se retira Traz no olhar rude procura, E o que vejo dita a mira, Mesmo em noite mais escura.
Escusado é te dizer Vejo enfim, algum prazer.
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Não perdendo qualquer sonho Ou morrendo noutro passo, O que possa e decomponho Traz a marca do cansaço E se sinto este enfadonho Delirar por onde traço O meu mundo mais bisonho Envolvido por tal laço. Nada mais pudera ter Quem se fez bem mais potente O meu verso a se perder Onde o tanto num repente Traz no olhar o bem viver Ou decerto ainda tente.
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Busco as tramas do passado E desenho em bruscas formas O que possa lado a lado Em alado tom transformas, E se eu sigo ou se me evado, Outros passos, novas normas, Do desenho demonstrado Não se vejam mais reformas, Ouso mesmo acreditar No que pude e não tivera A vontade a demarcar O que trame em dura esfera, O meu canto a destrinchar Nem saudade ainda espera.
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Nada mais pudesse ver Quem se fez em claro sol, O meu mundo a se perder Toma inteiro este arrebol, O caminho amanhecer E se eu sigo, girassol, Nos teus olhos conceber Maravilhas de um farol Ouso crer na luz que tanto Possa mesmo nos guiar E se teimo em raro canto, Não pudesse navegar Entre os ermos, já me espanto E me canso de lutar.
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Nada mais pudesse quem Entre os medos costumeiros Ao traçar o que inda tem Busca sonhos derradeiros, O meu mundo sem desdém Anuncia em teus canteiros O carinho que o detém Muito além de corriqueiros, Quero a boca mais suave O cenário sem entrave Ave solta, liberdade, E se bebo com fartura Deste amor que me assegura Envolvido em claridade.
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Nada mais pudesse quando O meu tempo se fez rude, O tormento desaguando Na esperança, mero açude, O cenário desabando O momento que me ilude, Onde possa em claro bando Ter no olhar tal plenitude. Versejando sobre o tanto Que se fez felicidade Onde o mundo eu mal garanto Não teria na verdade Nada mais do que este pranto Que denigre a luz que invade.
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Aprendendo a dizer não Quanta vez eu me maltrato Desta louca sensação Outro tempo, atroz e ingrato, Encontrando a dimensão Do que possa em roto prato Envolvendo o coração No que tento e não constato. Ao sentir o vento manso O que possa traduzir No meu canto quando avanço Novo dia a resumir O que tanto quero e alcanço Ou pudera consumir.
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