
CRENDICE
Data 31/03/2011 13:53:38 | Tópico: Sonetos
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O momento rude se desenha E envolve o coração sem mais cuidado E seja da maneira como venha Meu canto noutro rumo desolado, A luta se anuncia e desta penha Apenas o cenário destroçado,
O verso invadisse o meu anseio E nada do que possa tento ver Olhando para além em devaneio O corte se anuncia em desprazer, Quem dera percorrendo o velho veio Pudesse vislumbrar o amanhecer.
Reparo o quanto venha a cada sol, Roubando dos teus olhos o farol.
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Não pude e não tivera qualquer chance De ver após a queda algum instante Aonde o meu passo sempre avance E molde outro cenário deslumbrante, Respaldos onde pude e já se lance A vida que buscara num rompante,
E sigo o que se deixa acreditar Nos ermos de uma noite solitária Ainda quando beba algum luar A luta se desenha temerária, E o corte num momento aprofundar Gerando a sorte amarga e temporária.
Escusas entre medos e mais nada Traduz o que pudesse em escalada.
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A morte já redime o sofrimento E traz no olhar impávido sossego, O quanto que tentara e mesmo tento Sem ter da vida algum atroz apego, E quando se espalhando em pleno vento, Meu canto se desenha em rude emprego.
Vagasse sem destino noite e dia, Cansado de lutar e nada ter, Ainda que pudesse moldaria A vida num audaz amanhecer, A sorte se mostrara mais sombria Sem nada que tentasse obedecer.
O mundo se anuncia em medo e tédio E nada prenuncia algum remédio.
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Escondo dos meus olhos este brilho Diverso do que tanto procurei, A luta se desenha enquanto a trilho Tentando desvendar superna grei, E quando na verdade enfim palmilho O verso aonde o nada eu encontrei.
Restauro com a fúria de quem ama A sorte sem sentido do passado, E tento anunciar em nova chama O mundo com seu canto sem enfado, E tanto quanto a vida ora me clama O tempo se desenha enquanto evado.
Esqueço dos meus dias entre enganos E bebo dos anseios mais profanos.
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Não pude desejar a melhor sorte A quem se fez aquém do quanto a quis, O mundo se traduz enquanto aborte O sonho que tentara ser feliz, E quando se anuncia em ledo norte, Seguindo a velha estrada por um triz.
Jamais imaginasse qualquer passo Aonde o que molda dita além Domino mansamente o meu cansaço E sei do quanto a vida sempre tem, Cerzindo com terror o que desfaço Vagando sem sentido, e nada vem.
Apenas apresento o que queira Marcando a minha sorte derradeira.
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Além do roto espaço que se veja O tempo não presume liberdade, E sei do quanto vale esta peleja Enquanto o dia a dia nos degrade, O mundo de tal forma se deseja Ausenta dos meus olhos, claridade.
Esboço uma pergunta e sem resposta A morte se aproxima claramente E tanto quanto a vida me desgosta Memória vez em quando volta e mente, O caos ousando em face decomposta, Atando dia a dia esta corrente.
Jamais se emoldurasse o que não traço Num mundo sem sentido e tão escasso.
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Erguendo o mesmo brinde, blindo a vida E tento acreditar noutra esperança A vida sem sentido desprovida Do tempo aonde o nada nos alcança A lenta caminhada decidida Nos ermos de uma vaga confiança.
Mergulho nos entulhos de um passado Aonde o que se fez não mais teria Sequer o que carrego do meu lado Na noite tão atroz quanto sombria E vejo o que inda trago e se me evado Não mais pudesse ver o claro dia.
Esboço reações e inutilmente O tempo de outro tanto agora ausente.
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Bebendo cada gole desta luta Sangrenta noite invade o que se fez E sei da solidão deveras bruta E nisto o meu caminho insensatez, A sorte sem proveito não reluta E o tanto que se quer ora não vês,
Realço com meu medo o que se tente Vagando sem descanso céu e mar, E mesmo que se molda imprevidente Cansado de deveras divagar, O mundo de meus olhos já se ausente E o tempo bota as coisas no lugar.
Expando com meu sonho o que contive, E esta alma sem sentido, sobrevive.
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Não tendo qualquer luz aonde um dia Versando sobre o medo não trouxera Senão a mesma face em agonia Deixando para trás qualquer quimera A vida na verdade desafia E cada novo passo destemera.
Versando sobre o nada que inda trago Galgando o que pudera ser além A vida se anuncia em rude estrago E bebo do passado o que ele tem Jamais imaginasse onde divago Verdugo desta vida em vão desdém,
Realces entre quedas e tormentas Dos sonhos tantos vãos ora alimentas.
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Nadando contra a fúria das marés E sendo de tal forma comedido, O passo se moldando num revés O canto noutro engodo o dilapido, A vida se apresenta em tal viés E vejo o meu caminho resumido,
Não pude acreditar no que se quis E mesmo se tentasse não veria A luta desenhada em céu mais gris O corte traz a face mais sombria, E sei do que pudera em cicatriz Marcando com terror em agonia
A vida aonde o medo traduzisse Apenas tão somente esta mesmice.
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