
Modus Operandi (4)
Data 31/03/2011 01:20:20 | Tópico: Mensagens
| Conto comigo entre os que se perdem nos labirintos que as palavras deixam quando passam, quando fingem passar, quando sequer saem do lugar. Vou tateando o papel como se procurasse escuridão e drama, medo e lodo, vazios e imprecisões; num vôo sem meta. Tenho os olhos inutilmente grandes; as mãos noturnas e indelicadas; o coração que se levanta repetidas vezes, sem quaisquer cicatrizes. Escrevo os nós apertados que a mim inventam, as profundezas que desconheci, os amores que nunca terão lugar no meu mundo pequeno. Canto-os à sombra das lágrimas que me ignoram o rosto, à revelia dos momentos verdadeiros e de suas névoas; num sem cessar doentio e puro.
Entrega os teus olhos às minhas palavras num débil esboço de compreensão e volta sereno ao esquecimento; que os meus poemas não são senão flocos de gelo ao sol.
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