
NO BONDE DA ESPERANÇA
Data 30/03/2011 09:05:51 | Tópico: Sonetos
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No bonde da esperança Ao perder a direção Trago viva a fonte a lança Em terrível provisão, Outro tempo em tal mudança Não traria a solução Se este passo já me cansa, Novo rumo diz o não, Acordado entre tais partes Mecanismo não se exponha E se posso ora compartes A verdade mais medonha Amar crendo em velhas artes Amargando o que eu proponha.
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Cadencio a minha vida Entre os tantos que não vira A palavra já perdida A esperança apaga a pira, Dando a sorte por vencida, A metade se retira Do caminho em despedida Longe mesmo desta mira, Resumindo cada fato Onde o tanto diz menor O momento onde constato Minha vida em vão suor, Seca a fonte e sem regato É inútil meu suor.
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Bastaria crer no quanto Resta na alma do infeliz. E se possa num espanto Traduzir o que mais quis, Onde fora o campo santo Vejo apenas céu tão gris, E resumo e não garanto Minha vida por um triz. Esquecendo o que viria, Outro engodo e nada mais, A verdade em agonia Noutros dias, tu te esvais E matando uma alegria Entre versos tão venais.
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Não pudesse ser além Do que tanto desejei, O meu mundo sem ninguém, O caminho aonde eu sei Poderia e não contém Esperança de ser rei E o meu passo nada tem E decerto não terei. Sensações diversas trago Na fortuna mais dorida, E se tramo em rude afago O que fora a minha vida, Cada frágua, agora a apago Preparando a despedida. Nas metáforas o sonho Expressasse liberdade, Mas deveres decomponho O que possa em tal verdade Reduzir o quanto ponho Do meu mundo após a grade.
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Não mergulho no vazio Destes braços sem sentido, Desfilando onde desfio O caminho presumido, No meu canto mais sombrio, Outro tanto não duvido, E se vejo em duro estio O que agora não divido. Esquecendo o verso quando A verdade não viera Transcrever o que se dando Novamente destempera, A palavra se moldando Nesta face ora insincera.
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Viperina noite atroz Onde nada pude e quero O momento feito em nós Traz o mundo amargo e fero, O que possa logo após Sem certeza, o destempero E se moldo o mais veloz Caminhar me desespero. Resumos desta palidez Onde a queda se anuncia E meu mundo se desfez Sem saber da garantia Que trouxesse a insensatez Com certeza mais sombria.
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Na manhã que não se faz Em tal rara claridade, O meu dia mais mordaz Traz o quanto em luz se evade, No final ser incapaz Transformando a realidade, Deixo tudo para trás E procuro a liberdade. Na palavra que redime Na expressão aonde eu pude Transforma o mais sublime Num cenário amargo e rude, Nesta sensação de crime, O meu passo ora se ilude.
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Negocio com o sonho Qualquer passo aonde eu possa Transformar o mais risonho Caminhar em nova roça E cerzindo onde me ponho Vejo a vida em tal palhoça Refazendo o que reponho A verdade se destroça Nada mais se visse enquanto O que bebo não moldara Tão somente o desencanto Invadindo esta seara Seca a sorte a cada pranto Para a morte me prepara.
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Laços firmes, nós mais fortes Onde a vida se fez mansa, Entre tantos vis aportes O vazio não se cansa Mesmo quando agora abortes O que fora confiança Melindrosa mente em cortes Desenhando sem pujança A verdade mais cruel E deveras sem saber Percorrendo cada céu Noutro passo a me perder, O momento dita o fel Que teimasse ora beber.
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Não me diga do futuro Nem tampouco do passado O presente; configuro Num momento abandonado Sem saber do mais seguro Caminhar. E embolorado O meu verso sempre duro Traz no fim tosco recado. Esbarrando no que sou E talvez já não quisesse, Nada mais redime e esquece O cenário onde restou Desvairando cada prece Onde o mundo desancou.
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