
O Singular fez-se plural
Data 25/03/2011 10:45:09 | Tópico: Poemas
| É triste não saber quem sou É terrível não ser um mas vários É duro amar mas não saber quem amo.
Lembro-me de quando era singular De como tudo era simples Sabia o que dizia, o que pensava Tinha a minha identidade A minha maneira de ser E era diferente de todos.
Hoje continuo diferente Mas já não sou eu. O singular fez-se plural E eu só procuro a diferença de mim próprio Procuro a minha identidade Procuro-me dentro de mim.
Oiço as vozes que dentro de mim falam Conduzem o meu cansado corpo Fazem-me agir e pensar de forma diferente Daquela que defendo e creio ser correcta.
Sinto a corrupção a minar-me o corpo A fazer-me seguir falsos deuses A desejar a matéria A perder-me no infinito de mim mesmo.
As saudades que tenho de sentir Sentir verdadeiramente Sentir com o coração Ao ritmo do desejo.
Muito gostava eu de sentir Mas os outros não me deixam Iludem-me e fazem-me iludir Fazem-me dizer o que sinto Quando nada sinto
Ah! Quem me dera ser eu outra vez Falar por mim Pensar por mim Sentir por mim Não ter de competir comigo.
Ouvir chamar-me e saber que é comigo E não com os outros.
O Singular fez-se plural E o plural será infinito, eterno, Não há regressão possível Só a morte me fará singular Só a morte é que me irá recuperar!
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