
OUSAR OUTRO CAMINHO
Data 24/03/2011 06:13:57 | Tópico: Sonetos
| A sorte que talvez não mais viesse O vento leva o barco noutro rumo E quando pouco a pouco em consumo Encontro a dura, amara leda messe E vejo que quem sabe se pudesse Ousar noutro caminho. Mas sem prumo Decerto a cada engodo me acostumo E perco toda paz, tudo me esquece E vejo tão somente o que deveras A vida renegasse enquanto esperas Ao menos um alento que não veio, Mergulho no vazio da esperança E tento acreditar quando se lança, Meu passo sem saber qualquer receio.
2
Meu passo sem sentir o desafeto De quem já não viera e se completo Meu mundo no vazio sem sentido, O canto noutro encanto resumido, O farto desejar onde repleto Minha alma neste tom quase deserto Vivendo sem saber do quanto olvido E bebo cada angústia repartido Nos ermos de meu passo sem proveito E quando após o tanto ora me deito Vestindo esta ilusão de quem tentasse Mostrar a realidade em nova face E nada me orienta após a queda E a própria porta agora o tempo veda.
3
Vedando cada estrada aonde um dia Pudesse ter nas mãos o quanto quero, O mundo se mostrasse tão sincero Ou mesmo noutro tom, em covardia, O tanto que pudera e não teria E o verso se desenha aonde espero A luta desdenhada aonde o fero Caminho mata a leda fantasia. Restauro com meus versos o meu mundo E quando na verdade ora me inundo Do tempo sem proveito e sem razão O vento que tocando o meu telhado Expressa do passado o seu recado E nega os dias mansos que virão.
4
Os dias que se vendo após a porta Jamais sei me trariam qualquer luz. Preparo cada queda e se conduz A luta que esperança em vão aborta, O tempo noutro cais já não me importa O ledo desenhar exprime a cruz E vejo sem saber por onde pus Meu passo nesta estrada atroz e morta. Já não me caberia a decisão E vejo sem temor a dimensão Ferina da esperança em tom medonho, Mas quando uma saída ora proponho Os dias que eu bem sei não mudarão Repetem cada anseio onde me enfronho.
|
|