
UMA SEXTA FEIRA EM LUA CHEIA
Data 20/03/2011 09:54:49 | Tópico: Poemas
| Pode ser até verdade, Mas num posso assegurar, Outro rumo em realidade Esta vida irá buscar, No caminho da cidade, Ou na roça a se mostrar Quando em lua a claridade Sexta feira a desnudar, Em beleza sem igual, Clareando este sertão, Um momento em ritual, Toma nova dimensão, Outros mesmos, bem ou mal, Novas faces mostrarão.
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Diz o povo de Brejeiro Nas entranhas das Gerais Que deveras corriqueiro Muito além e muito mais, No caminho mais ligeiro, Em luares magistrais, Na clareza do luzeiro Entre passos divinais, Outra face se apresenta Com diversa dimensão, E sequer já se apascenta Com furor e em sedução, Na desgraça violenta Outro rumo e direção.
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Quem passeia pelo campo, Entre luzes constelares Vendo em cada pirilampo A certeza dos milhares De desejos; não acampo, Mas se tu queres; notares A beleza dos altares Onde o mundo; em luz destampo, Deixando que se preveja Com astúcia e mesmo medo, A vontade sem peleja Outro rumo em arremedo, Vou falar embora seja Mesmo até algum segredo.
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Nas mocinhas desejadas Cada olhar com fome vem, E durante as madrugadas, Nestas ruas sem ninguém, Atravessam nas estradas Outras faces e se tem Impressões já desenhadas Do que tanto quer um bem. Nuas belas ninfas; sonho? Na verdade já nem sei, Onde quer e me proponho Incerteza vira lei, E num tempo mais bisonho, Outro rumo eu desvendei.
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No puteiro da cidade Descarregas o desejo, Quando tendo a liberdade O cenário tão sobejo, Onde em plena claridade Outro rumo agora eu vejo, Trazendo felicidade, Mesmo em falso e vão traquejo. Nas pelejas desta vida, Solitárias emoções, A verdade consumida Onde quer que tu a expões No final a mais sofrida Entre tantas ilusões.
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Um momento de prazer, Pago sempre, amigo à vista, Sem vontade e sem querer, Nada mais que enfim se assista, O montante a se perder Já não deixa qualquer pista, Se este amor tem merecer, Ninguém sabe nem avista, Depois volta para casa, Satisfeito e tão cansado, Cinco minutos de brasa Deixa o besta extasiado, E decerto quando atrasa, Ouve um gozo resmungado.
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Novo dia de trabalho, Nova semana em batalha Deste fogo em plena palha, Muito mais que quebra-galho Solitário mundo falho, Neste fio da navalha A vontade que se espalha No puteiro tendo atalho. Como é dura a adolescência E também a juventude, Noutro passo em inclemência O prazer decerto ilude, Mas até na imprevidência Da velhice nada mude.
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Quando chega novo gado Na casa da luz vermelha O momento desejado Acendendo esta centelha, Um fileiro desenhado Nem o padre que aconselha Acredita no pecado Salta sempre pela telha. E assim Brejeiro dorme Todo final de semana, No desejo tão enorme Que deveras tanto engana, A vontade se conforme Com o tempo onde se dana.
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De uma velha cafetina, Ouvindo a reclamação Que esta merda se alucina Vez em quando no sertão, Clientela não domina, E não faz baldeação, A verdade cristalina Traz a mesma sensação De uma sorte traiçoeira E sem nada por fazer Vez em quando sexta feira Ninguém quase eu posso ver, Na certeza costumeira, Nesta fila do prazer.
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Tanta coisa poderia Ser a culpa disto tudo, Mas decerto esta agonia Deixa o sonho quase mudo, Promovendo até orgia Na verdade não me iludo, Sendo grande a putaria O dinheiro é tão miúdo. Mas o sábado chegando Tudo volta ao seu normal, Meninada chega em bando, Volta ao mesmo ritual, Qualquer coisa desenhando A desculpa mais banal.
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A Maria Milongueira A rainha do bordel, Mulher rude e fuxiqueira Que conhece o seu papel, E decerto não se esgueira E enfrentando este cruel Mistério da sexta feira Planejando, isto é fiel, Procurar a explicação Para o costumeiro fato, Noutro tempo em sensação Que deveras mal constato Fazendo averiguação Desenhando este retrato.
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Demorando quase um mês, Na tocaia esta vadia, Que não serve pra freguês, Mas trazendo a garantia Do que tanto em sensatez Promovesse em galhardia, Outra féria que ora vês Muito além do que teria, Quando organizava a fila Dos meninos mais afoitos A verdade já desfila Em diversos, vários coitos, A vontade desopila, Ao molharem os biscoitos.
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Procurando com certeza Chifre em crina de cavalo Noutro passo sem firmeza Ou decerto quando calo, Nada mais que uma surpresa Expressando o quanto falo, E decerto na grandeza Coletando jovem falo, A danada na tocaia, Toda noite numa espreita A verdade já não traia Quem decerto não aceita De tanto levantar saia, Tendo nada por colheita.
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Quando a noite se apontava Sexta feira em belo céu, A danada sem ter trava, Vai coberta em tom fiel, No momento aonde agrava O caminho em carrossel, Outro sonho, mesma lava Num cenário mais cruel. Com certeza neste bote Ela tendo a dimensão, Do que tanto já se note Com suprema precisão, Sem mais nada que derrote Encontrando a solução.
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Meia noite, lua clara Num momento sem igual, A verdade se escancara Num cortejo sensual, A danada já repara Neste estranho ritual, Com olhar exposto em tara Fila imensa e magistral, O que falo e aqui relato Dita o quanto eu escutei Se é mentira ou vero fato, Nem sequer confirmarei, Já de quatro neste mato, Foi flagrado o lobisgay.
Soneto acordelado
Observação: não sou e nunca seria homofóbico, o fato de ter colocado o lobisgay como protagonista deste cordel é tão segregatório quanto o próprio lobisOMEM ou se fosse Lobisfêmea por exemplo. Abraços e viva a liberdade.
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