
55 dias – Guerra do Huambo
Data 18/03/2011 15:39:34 | Tópico: Poemas
| Terra distante, berço do meu ser. Pobre terra, de riquezas cheia. É sobre ti que quero ‘screver, Sobre o povo que, sem querer, guerreia, Impedido pelo seu governo D’ of’recer seu abraço fraterno.
Terra minha, por todos ‘squecida, Pelo mundo foste abandonada E, em plena guerra fratricida, Foste tu, minha Angola, deixada. E num mundo de hipocrisia Tu ficaste em plena tirania.
Como é triste ver o meu berço Queimado p’los horrores da guerra. Escapei, sem saber se o mereço. Saí de emergência desta terra. Não posso calar agora a voz, Deverá ser ela a de todos nós.
É torpe o sofrimento que passas, Vendo morrer teus filhos mais fracos. P’ro vencedor não há quaisquer taças, Apenas uns quantos negros sacos E umas pás p’r muitos enterrar. (muitos mais apodrecerão ao ar!)
Espero ter a precisa arte De cantar em livre e solto verso, A história de quem o povo parte E o deixa p’las matas disperso, Retirando o direito à vida Desta nação por tantos ‘squecida.
Louvarei também os que ficaram, Mesmo arriscando sua vida, Co’o povo eles permaneceram, Dando-lhes a ‘sperança perdida E sempre tentaram reconstruir, Apesar de ser mais fácil fugir.
Cantarei também toda a alegra Que, apesar desta guerra, manteve O povo. Canta todo o dia Para que a paz que ele nunca teve Surgisse no meio da mentira Daquele que dá e logo tira.
Dedicarei o ‘scrito ao povo Que, sem querer, está numa guerra sem fim. Eles não querem um país novo, Apenas qu’a paz cresça no jardim Que foi o seu país no passado, País esse qu’ hoje ‘stá queimado.
Dedico o ‘scrito igualmente A todos os que ‘scolheram ficar, A um dedico particularmente, Pois seu testemunho fez-me pensar No que é ser-se missionário, Num mundo de si tão contrário.
Após uma grande guerra civil Que levou muitos filhos amados, Deixando numa muito difícil Posição todos os que, cansados De viver em sanguíneas guerras, Querem apagar das suas terras
Os vestígios da destruição E reconstruir todo o seu país. Mas surge uma outra revolução, Uma revolta que o povo não quis. Pois só tinha base na avareza Dos líderes que queriam a riqueza!
Após a revolução veio a guerra. A luta p’la vida fez-se morte, Que se alastrou por toda ‘sta terra. Vieram cantar de galo os do norte Fortalecidos p’los diamantes, Enganaram, do povo, bastantes!
Co’o povo cheio de fome, minas Semearam por todos os campos. Nem deixaram ‘mas passagens finas P’ra servirem d’ ajuda ou tampos, P’ra que o povo se pudesse salvar. Não, eles só pensaram em matar!
Fogem os inocentes p’ró mato, P’ra fugirem duma guerra alheia, Que faz crescer o já grande hiato Entre o que vive o o que guerreia Pois esta guerra não é querida, Apesar de por todos ser sentida.
E quem mais sofre são os pequenos Que vêem a paz como uma criança Que p’rós grandes é ainda menos Que um alvo p’ra grande matança. Por isso fogem para a floresta Onde ‘speram ‘té chegar à festa,
A alegria de voltar às ‘stradas Sem receio do que está à frente. Dar sem medo todas as passadas, Caminhando como alguémq eu sente Que o passado ficou lá para trás E levando à sua frente a paz.
Já viram o Branco Bispo rezar, Juntando à deles, a sua voz. Ouviram a juventude cantar Bendizendo a casa dos seus avós. Até a pomba no altar pousou. E a ‘sperança nesse altar deixou.
Viram a casa em pedras tornar-se E as pedras em casa outra vez! Assim o povo há-de levantar-se Para construir a nação de vez. Pois é uno o povo e a nação É uno o sentir deste coração.
Mas a paz jamais poderá surgir Quando não estiverem preparados Os políticos. Têm de a sentir Em seus corações iluminados Co’a união Daquele Que É Um P’ra chegarem ao futuro comum.
Este é pois o meu desejo: Que se levante este povo do chão E grite em uníssono, sem pejo, Estar farto do sofrimento vão. Que seja ‘scutado o grito mudo Dos que sofrem e perdem tudo!
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