
ESPERANÇA
Data 14/03/2011 08:52:33 | Tópico: Sonetos
| Reavendo esperança após o nada Jazendo noutro canto desta casa O quanto do vazio não embasa A história noutra lenda revelada,
Ainda que se veja desenhada A lenda mais audaz, intensa brasa O passo sem sentido algum se atrasa E não se deixa ver a velha estrada
Há tanto consumida pelo fogo Perdida mesmo quando em firme rogo O tempo não perdera alguma luz,
Porém de tanto crer no que não vinha, A senda mais feliz jamais foi minha E apenas ao vazio me conduz.
Cansado de lutar contra o que venha E ter no meu olhar esta impressão Do tolo caminhar em direção Ao quanto com certeza não convenha,
Ainda que se saiba a velha lenha, Os dias com firmeza me trarão Apenas a saudade de um verão E nele cada passo nunca tenha
Somente outra certeza senão esta Do medo que deveras nos atesta A sórdida presença da lembrança
Rondando o quanto teime no futuro E do não ser apenas me asseguro Enquanto sem sentido a voz se lança.
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Já não me caberia acreditar Nas curvas do caminho ou mesmo até Por onde a vida trace em leda fé As tramas mais audazes de um luar,
Não tendo nem sequer onde parar, A sorte se desdenha e sei quem é Que tanto poderia e mesmo a pé Não deixa do infinito procurar,
Um sonho que se faz realidade? Apenas um lampejo em claridade Ou mero ocaso em vida discrepante,
O tanto que me reste, finalmente Somente toma parte do que mente, E molda o quanto ausência me garante.
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São versos que se fazem sem temer A sorte desairosa do jamais Poder ter no futuro atemporais Momentos mais repletos de prazer,
Não tento acreditar e mesmo ver Após os velhos erros, vendavais Os dias que se mostrem desiguais Negando qualquer calmo amanhecer,
Resulto deste infausto e sigo assim Procuro algum lugar dentro de mim Aonde eu não perdesse a dimensão,
Dos erros costumeiros e talvez Ainda quanto mais já se desfez Enfrente novos tempos que virão.
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Acredita decerto piamente Nos dias mais felizes? Mero fardo Aonde cada passo eu já retardo E tento acreditar no que se mente,
E mato sem saber uma semente E gero invés do sonho um novo cardo, Cada palavra dita, algum petardo E nele o mundo perde o quanto sente.
Restando muito pouco ou quase nada Daquilo que se fez em nova estada Apresentando apenas incerteza
Do passo sem firmeza em plena queda, E o prazo aonde o fim já se envereda Não deixa que se vença a correnteza.
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Um universo novo em meio ao caos? Apenas ledo sonho de algum santo Ou mesmo a cena feita em desencanto A sorte não se eleva em tais degraus,
Os dias mais audazes, mesmo maus E o que me resta apenas traz no canto Dos velhos infestados pelo manto Puído ou se perdendo em podres naus,
Apresentar no olhar uma esperança E crer ser mais possível a mudança É como alimentar a imensa fera,
E sei que na verdade desde agora Somente o que inda reste nos devora E deixa o quanto quis em tosca espera.
Não tento acreditar no que não veio E sei jamais viria para mim, A florescência morta no jardim Expressa o meu caminho em devaneio,
Não pude acreditar e se receio A história se desenha sempre assim, Iniciando em vão no mesmo fim, O tempo se presume sempre alheio,
Arcando com meu mundo sem sentido Apenas me entranhando aonde olvido O passo num vazio interminável
Depois de cada engodo, novo engano E o mundo onde decerto ora me dano, Jamais seria enfim mais habitável.
Negar uma vontade e crer, cismar Vencendo o quanto possa ressurgir E ter no olhar além do vão porvir A imensidão espúria deste mar,
Já não pudera mesmo me entregar E vendo o quanto possa redimir O engano de quem tanto ao presumir Não teve outro caminho a se mostrar.
Apenas o que vejo dita o rumo E deste navegar onde me esfumo Enfrentaria a sorte desumana,
E tendo tão somente a negação Ausenta deste passo outra versão Enquanto a própria história hoje me engana.
Jogado sobre as pedras deste cais Meu barco não traria nova senda E quando imaginasse em tal contenda O tempo noutros dias desiguais,
Reúno os meus anseios temporais E vejo o quanto o sonho não desvenda, E sei desta emoção em leda lenda E nela outros anseios onde trais,
Vestígios de uma sorte morta e crua Olhando para além eu busco a lua E bruscamente a mente nada vendo
Envolta no silêncio desta sorte, Apenas sem ter nada que conforte, O mundo se anuncia amargo e horrendo.
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Desnuda-se ilusão e o passo traça A fútil sensação de novo encanto E quando procurasse em todo canto Uma emoção expressa tal fumaça
E o prazo determina o quanto embaça E nisto o que se visse em luta e pranto Apenas desenhando o desencanto Marcando com terror a rua e a praça,
Não pude e não tivera qualquer ponto Aonde sem saber onde me apronto Eu vivo esta incerteza do vazio
E nele se anuncia o que não veio Olhando para além vivo o receio De quem adentra o sonho mais sombrio.
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Durante tantas noites solitárias Imerso nas lembranças de outros dias Enquanto na verdade não virias As horas são audazes e corsárias
E invadem sendas loucas, temerárias E tentam transformar em melodias As ânsias mais atrozes e trarias Somente as mesmas vagas luminárias,
Encontro nos anseios de quem ama Apenas a verdade me mera chama E dela me aproximo embora saiba
Que toda fantasia tendo um fim Jamais eu poderia crer em mim Aonde esta emoção já não mais caiba.
Negar outro momento e crer no verso Ansiosamente exposto nas janelas E quando este vazio me revelas Talvez como se fosse este universo
Audaciosamente enquanto imerso Nos ermos onde tanto em dor atrelas Seguindo este cenário rompo celas E tento acreditar onde o disperso,
Repare cada luz e saiba bem Do quanto da esperança nisto tem Embora inutilmente, este é o fato,
E sigo sem proveito e sem razão Vivendo os dias tolos que virão E neles solidão; sempre constato.
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As mãos da vida tecem no vazio A imensa sensação da queda e sigo O tempo sem saber de algum abrigo Enquanto cada passo eu desafio,
Vestindo esta ilusão e sei do frio E nada mais que possa inda persigo Sabendo inconsequente do perigo E nele outro momento ora desfio,
E bebo o sortilégio de assim ser Tentando adivinhar mero prazer Aonde no final nada haveria,
Somente esta esperança tola e rude E quando o dia a dia desilude Restando dentro da alma esta agonia.
As flores de uma vida sem futuro Despetaladas ânsias de outro sonho E sei do quanto possa e decomponho Ousando neste passo em ledo escuro,
E quando alguma luz cedo procuro Ainda sendo o passo mais bisonho, Apenas o vazio onde componho Meu verso se traduz em solo duro,
Não pude e não teria qualquer chance De crer no passo aonde o tanto alcance Marcando com acordos mais sutis
Os nobres desenhares, vida amarga E o tanto quanto tenho a voz embarga E nega na verdade o que mais quis.
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Consolo-me em saber do fato quando A vida se pressente noutro rumo, Mas sei do quanto possa e já resumo O tempo noutro vago desabando,
O marco mais atroz se desenhando E nele cada passo traz no sumo O tanto quanto pude e se me esfumo O mundo se perdera em contrabando,
No caos sem ter apenas um alento, O todo desenhando o quanto tento Vestindo esta esperança em luz e sorte,
Apenas do meu mundo sem proveito O quanto se quisesse e não aceito Transforma qualquer sonho que conforte.
Nos seios sempre fartos do querer Por vezes me entranhando e me perdendo No canto aonde o tanto fora adendo A vida se desenha em desprazer,
O quanto pude mesmo conceber E sei do todo ou quando sou remendo Vivesse tão diverso do que estendo A luta sem sentido a se prever,
Não tento acreditar em luz nem mesmo Enquanto solitário eu ensimesmo E vago por estrelas que não vêm,
Depois de certo tempo sem apoio, A vida se perdendo do comboio Outra esperança chega e perde o trem.
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No corpo de quem tanto fora mais Do que se imaginara no passado, O verso sem sentido enquanto brado Expressa o que se faz em temporais,
Não tendo na verdade novo cais O barco sem saber do desolado Anseio deste tempo desfraldado Imerso sob fúrias, vendavais,
Não quero que se faça o que não tente Sequer o meu caminho imprevidente Ou mesmo sem saber do quanto resta
Minha alma se anuncia sem proveito E bebo do que possa e não aceito Sequer a noite amarga e mais funesta.
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Respiro o quanto reste da esperança E nada mais pudera ter nas mãos Tentando acreditar em podres grãos Que o tempo em solo espúrio agora lança
Jogado contra o medo da mudança Os dias adentrando velhos vãos, Os passos se repetem entre os nãos E deixam para trás a confiança
Marcar em discordância o que não veio E ter no olhar apenas tal receio Pousando no infinito enquanto sinto,
Meu mundo sem temor e sem discórdia A vida se moldando em tal mixórdia Amor quando existira foi extinto.
Jamais irei contigo, companheira O passo em mais diversa direção, Expressa os dias tolos que verão A sorte que julgara costumeira,
Não tendo na verdade quem me queira A luta se desenha em solo vão E o bando se perdendo em dimensão Diversa da que possa e não se inteira,
A marca da pantera, o beijo bom, Teus lábios e a delícia de um batom Pousando sobre os meus em noite cálida
E quando se imagina a sorte pálida Ressurge do passado em força tal Tramando outro momento sem igual.
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Nos ermos mais distantes e sombrios Dos sonhos entre incautos passos vejo O tanto quanto possa e se desejo A vida se expressando em mansos rios,
Deixando no passado os desafios E neles outro engodo malfazejo, O rumo que deveras eu prevejo Acende da esperança tais pavios,
Encontrarei a sorte que desenho E nela quanto mais em ledo empenho Ainda em aproximo do jamais,
E bebo em tua boca o que queria E nisto imensa luz em fantasia Encontra mansamente o calmo cais.
Não quero a dor aguda que ora trace O tempo aonde o mundo não traria Sequer a menor sombra da alegria E nem sequer o quanto diz repasse
Das dores do passado e se mostrasse Apenas o que resta em ironia Ou mesmo na verdade moldaria A luta aonde o tempo destroçasse
O verso sem sentido e sem proveito Do quanto com certeza me deleito Em erros costumeiros da emoção,
Uma esperança ronda esta janela E sei desta nudez que se revela Em sórdida e diversa dimensão.
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Respiro alguma sorte e nada vindo Somente o que se fez em tom feroz, A vida se perdendo em nova foz O manto se descobre agora findo,
E o verso noutro verso se abstraindo Enquanto nada vejo além e após Aposto no que tento e sendo atroz O marco de um passado se sentindo,
Depois do que viria em tom suave A luta na verdade mais agrave Engodos entre caos e nada além
Da marca mais audaz, felicidade Que quanto mais inútil ora se brade Expressa o que deveras nunca vem.
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Os sonhos que pudessem persistir Envoltos nesta luz e nada além Do tempo aonde o tanto não mais vem Perdendo qualquer rumo de um porvir,
E sei do quanto possa redimir E vicejando a vida sem ninguém E nela o que se mostre sei tão bem Do verso que tentasse presumir,
Ocasionando a queda de quem tenta Vencer em mansidão qualquer tormenta E nada mais se vendo senão isto,
O pantanal dos sonhos envolvendo O corte mais audaz atroz e horrendo Enquanto simplesmente ora desisto.
Cantos enamorados da ilusão Aonde uma esperança habitaria Vencendo o quanto resta em utopia Matando pouco a pouco outra emoção,
Jorrando como fosse uma explosão E nada mais do tanto em fantasia Explode aonde o cais se moldaria Nos erros de um espúrio coração,
Alego o que não veio e nem se faz Apenas o que tanto sei mordaz E atrás desta incerteza o rumo seda
Marcantes dias mortos do passado E o verso noutro tempo desolado, Pagando com terror, mesma moeda.
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Ainda se buscara algum conforto E confrontando a vida com o sonho Apenas o que possa e não componho Traduz o quanto sigo semimorto,
E sei desta expressão em fino aborto Marcando com terror dia medonho, E nada mais teria onde proponho Somente após tempesta um manso porto,
Negar o meu caminho e crer no quanto A vida se mostrara e quando canto Tentasse num momento alguma sorte
Diversa da que toca e me desnuda E nisto o quanto vejo em dor aguda Apenas com certeza desconforte.
Nas armas esquecidas no porão As tramas de quem tanto quis o brilho Do rumo sem sentido aonde trilho E vejo a mais dorida dimensão,
Dos erros costumeiros desde então, Ensaio um passo além ledo andarilho E bebo o caminho em empecilho Diverso dos anseios que se vão,
Cevando neste solo mesmo ingrato O tanto do vazio que resgato Impede qualquer passo em firme luz,
Ao verso sem sentido e sem descanso Enquanto na verdade nada alcanço Meu mundo noutro engodo se produz.
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Jorrasse em meu olhar outro futuro Diverso do que tanto me legaste A vida se desenha sem desgaste E apenas outro cais quero e procuro,
O solo da esperança sendo duro O vértice renega então esta haste E o peso da verdade que negaste Não deixa qualquer passo mais seguro,
Esbarro nos meus erros, e sei quando Meu mundo noutro tanto desabando Marcando com terror o dia a dia,
Não tendo qualquer chance, eu já me perco E bebo do vazio e sei do cerco Aonde o meu caminho eu perderia.
Não pude e nem tentara acreditar Nas tramas mais audazes da paixão E sei dos dias tolos que virão E nada do que possa caminhar,
Jogado pelos cantos bar em bar, Os ermos da esperança mostrarão Apenas o que rege a solidão, E dela nada possa aproveitar,
Somente o descaminho a se traçar Negando novos dias e emoção Diversa da que possa desde então Apenas outro passo destroçar,
Jazendo sobre as pedras, nada tenho E sei do quanto possa em ledo empenho E venho com meus olhos plenos de água
Tentar acreditar noutro momento E sei que na verdade ainda tento Vencer o quanto tenho em medo e mágoa.
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Nas tramas mais sutis onde se vendo O temporal dos sonhos sem sentido O mundo em manto velho e já puído O canto se anuncia e me perdendo,
Aonde se quisera em estupendo Caminho o tanto quanto dilapido Do marco da esperança e desprovido Do encanto vejo o todo qual remendo,
Apresentar encanto agora exposto A vida na verdade a contragosto Agostos enfileira em puro inverno
Nos antros de minha alma em horda e súcia A sorte da mulher, doce pelúcia Encontro como fosse o meu inferno.
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Resumos entre espaços mais dispersos Errático momento em tom atroz, E nada poderia em minha voz Sequer o quanto cresse em mansos versos,
No vento se perdendo em mais dispersos Cenários sem saber por onde nós Possamos desvendar momento após A vida sem singrar tais universos.
Apresentando o fim e nele o fato Aonde sem temor tento e resgato Os erros costumeiros, sonho e queda,
Ainda quando muito me aproximo Enfrento a tempestade em lodo e limo E o passo no vazio se envereda.
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A paz que se tentasse em tal intimidade Viver sem mais temor e nisto acreditar Na fonte que perdera a luz forte e solar Vivendo o quanto quero em plena liberdade,
Mas quando se aproxima a fria realidade O tanto que se quis já não podendo alçar A vida se desenha e sei que sem lugar Apenas o não ser agora toma e invade,
Vestígios de outra espera e nela em ondas tantas Enquanto na verdade o quanto desencantas Expressa muito mais que mera fantasia
E gera outra esperança embora mais sutil, O quanto se quisera o tempo dividiu E nada mais decerto aqui já restaria...
Não pude e nem talvez inda tentasse além Da sorte desejada e há tanto adormecida A senda mais audaz refuga enquanto a vida No fundo sem juízo ao nada sempre vem,
E bebo do caminho enquanto em teu desdém A luta se anuncia há muito consumida Nas tramas do vazio e sei da empedernida Vontade de lutar enquanto o nada tem,
Apresentar um passo e acreditar no fundo Aonde com certeza eu busco e me aprofundo Inundações diversas de sonhos do passado,
Um mar que se perdera em ondas sem sentido, Do quanto ainda tenho o todo dilapido E trago outro cenário apenas esboçado.
Reparo cada engano e vejo o que se visse Depois do meu caminho em sórdida aventura O tanto quanto resta a morte configura E a vida não passasse enfim de uma tolice,
O marco mais audaz e nada mais se ouvisse Senão a voz cansada e nela se assegura A luta sem proveito em noite sempre escura E sigo sem saber restando tal crendice,
O verso sem proveito a vida sem razão Os tempos mais sutis e neles se verão Apenas o que rege um passo sem saber
Do quanto poderia a sorte me mostrar E quando se anuncia o tempo a desnudar O tanto que se quis jamais gere prazer.
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Beber do quanto possa em sonho tal Depois do que se visse noutro engano O mundo quando invade ledo plano Expressa este momento desigual,
Encontro cada sonho em vão sinal E sei do meu caminho e já me dano, Ainda sem saber o quanto explano O medo se transforma em ritual,
Não tento acreditar no quanto venha E sei deste cenário em turva senha Legado de outra sorte em descaminho,
Depois de tanto tempo solitário Enfrento o mesmo rude itinerário E sei que no final irei sozinho,
Resplandecesse o sol onde não há Sequer a menor sorte ou esperança E nada do que tento agora avança Marcando com terror o que virá,
Negando o quanto reste aqui ou lá Depois da solidão vivo a mudança Sabendo do meu mundo em temperança E a morte com certeza o rondará,
Nefastas noites dizem do vazio E quando noutro passo desafio O mundo sem segredo e sem apoio,
Ainda quando vejo o dia a dia, A luta se transforma em agonia Secando em vaga origem meu arroio.
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Nas tramas mais audazes o que espero Traduz além do nada que conheço Sabendo já de cor seu endereço O velho sentimento que insincero
Invade quando muito o que mais quero E sei desta ilusão em adereço E o meu caminho agora reconheço Tropeço após tropeço em mundo fero,
Apresentar o caos e nada ter Somente o que pudera recolher Das mortes já deixadas no caminho,
E sei do meu anseio sem remédio, A vida se anuncia em pleno tédio E sigo o meu momento ora sozinho.
Não tive e não teria qualquer chance De crer nalguma luz após a treva E na alma o que se quer e não se ceva Ainda no vazio ora me lance,
O verso sem saber por onde avance A solidão espreita e sei que neva Aonde esta emoção jamais longeva Amortalhando o tanto num relance;
Depois deste nuance em esperança A vida se perdendo sem pujança A sórdida presença do real,
Expressa no caminho esta desdita E quando novo sonho necessita Eu bebo este oceano em mágoa e sal.
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Não mais me caberia acreditar Nas tramas de uma vida aonde o nada Encontra com certeza a velha estrada E perde o rumo logo ao mergulhar
E vejo quanto possa no luar Beber a sorte tanto imaginada, Depois do que se visse desenhada A morte não se faz por esperar,
Apoio onde não resta nem o sonho, E quando o meu anseio decomponho Medonhamente eu vejo o fim de tudo,
Não tento caminhar contra este vento E sei que mesmo quando a sorte eu tento, No fim sem mais defesa ora me iludo.
Restauro com meu verso o meu caminho? Não pude discernir qualquer sinal E sigo sem saber do velho astral Aonde com certeza irei sozinho,
Ainda que se perca em tanto espinho Ousando acreditar no roseiral, O manto se transforma e bem ou mal, Apenas só não quero ser mesquinho.
Mas sei que do quanto espero inutilmente E mesmo quando o sonho tanto eu tente Invalidez transcende o canto em paz,
E nada do que se fez expressaria A sorte mais audaz e noutro dia O tempo sem sentido algum se faz.
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Quisesse apresentar qualquer momento Aonde o que se vê possa fazer A vida mais diversa e no prazer O tanto quanto quero e até fomento,
A solidão não traz este elemento Que busco e sei no farto amanhecer Ousando nas estâncias do querer, Ainda sem temer o forte vento,
Um tempo após o tempo mais cruel E abrindo em azulejo o imenso céu, A vida poderia nos traçar
Um dia mais suave e em plenitude O quanto do passado ora transmude Expressa o mais divino caminhar...
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Já não me caberia melhor sorte Não fosse a minha vida mesmo assim, Iniciando a queda chego ao fim E nisto nada trago que suporte
Alento? Na verdade não conforte Meu canto sem saber do que há em mim, Apenas discordando de onde vim Tentando no vazio o velho norte,
Ainda sem saber o que viria Apresentando o caos em fantasia A luta se desenha e sei do fato
Aonde com promessas não se faz O mundo a cada ausência perde a paz E apenas esperança vã constato.
Resgato cada passo e sigo em luta Diversa com o tanto que me dera, Deixando para trás a primavera Ao menos a esperança é mais astuta,
Mas sei do quanto possa e já reluta Marcando o que deveras destempera E gera no vazio esta quimera E nela a força traça sempre bruta,
Espero alguma luz e nada veio Somente o mesmo prazo e sem anseio O meio de seguir perdendo o lastro,
Ainda que se queira acreditar Num rumo mais diverso e me moldar Ao menos no não ser ora me alastro.
Encontraria apenas a verdade Depois de tanta luta sem proveito E quando nos espinhos onde deito Enfrento o quanto tento e desagrade,
A rústica expressão que agora invade, O manto se desfaz e nega o leito Ao sonhador sem nexo e sem direito De ter noutro caminho a liberdade,
Ausento dos meus passos e prossigo Sem ter sequer a sombra de um abrigo Ou mesmo acolhedora fantasia,
Negar qualquer espera noutro tom, O dia se desenha e sei sem dom O canto que decerto esperaria.
Não tento acreditar no que não veio E sei que não viria de tal sorte Que tanto quanto o passo me conforte Apenas desenhando este receio,
Enfrento com temor o quanto anseio E bebo sem sentido algum o corte E nada do que deixe como aporte Suporta o meu caminho em devaneio,
Esbarro nos enganos de quem sonha E sei da solidão dura e medonha, Mas tento acreditar noutro cenário,
Embora todo amor já não desnuda A face mais atroz e sei aguda Do passo onde se fez desnecessário.
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Restauro com meu verso o que presumo Talvez inda me salve do fastio E bebo com ternura o desafio E sei da solidão mero resumo,
Vivendo com temor onde me esfumo, E vago sem saber do velho rio Morrendo pouco a pouco ora desfio O tempo sem saber onde o consumo,
Apenas o momento dita o não E vejo noutro fardo a sensação Do vago desvendar em passo rude,
Não tendo outra saída vou ao fim Bebendo o quanto resta vivo em mim, E deixo para trás a juventude.
Não quero e não pudesse ainda ver O mundo mais diverso do que tento E quando do passado num momento A luta se desenha em desprazer
Não vejo o quanto quis amanhecer Depois do meu caminho e desatento Marcando com terror e sofrimento O nada aonde o pouco pude ter,
Apenas o final se desenhando Aponta o meu anseio desde quando A luta se presume noutro passo,
E sei do quanto é rude o meu caminho E marco com meu tempo mais daninho O quanto na verdade me desfaço.
Não trago o coração liberto ou vejo Após a tempestade esta bonança E quando a solidão invade e avança Eu bebo deste sonho benfazejo,
O manto mais audaz quando o prevejo No fim de todo encanto teima e alcança Deixando sem sentido a confiança E nisto outro momento em paz desejo.
Restauro com meu sonho o que não tendo Apenas semeasse o mesmo adendo E vivo sem proveito o quanto teime,
Ainda quando a vida audaz nos queime E mostre sem sentido a imprevisão, As horas mais felizes se verão?
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Nascera do vazio em tom audaz E mesmo quando o rumo em reticência Pudesse desenhar em consciência O mundo aonde o pouco tenta ou faz,
Resulto do que um dia quis em paz E vejo sem saber da impertinência Do tanto quanto possa em vã ciência E nisto outro momento sou capaz,
E bebo o que não tinha e nem tivera Somente desenhando a longa espera De quem noutro cenário se perdeu,
O verso que pudera ter em luz Agora no vazio não conduz E o mundo se imergindo em treva e breu.
No pranto sem saber de algum alento, A voz de quem se fez em tons sutis Demonstra o quanto fora este aprendiz Bebendo com terror o velho vento,
E quando no final eu me alimento E sei do todo na alma sem teu bis E vejo o que deveras tanto quis E nisto outro caminho agora invento,
Reparo com meu passo o que não tive E sei da solidão em que convive O verso com o sonho e nada mais,
Despisto com meu canto o que se cria Ausento desde quando em poesia A luta enfrenta dias mais banais.
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Medonhas faces dizem do passado, Mas quero acreditar neste futuro E sei do quanto possa e me asseguro Do tempo noutro tempo desenhado,
Pousando mansamente não me evado E bebo a sensação e já procuro Vencer o que pudera e não torturo Meu canto noutro engodo decifrado,
Restauro com o sonho o dia a dia E vendo o quanto resta em alegria O mundo não pudera ser assim,
Encontro o que inda tenho em esperança E o passo sem sentido quando avança Espera reviver cada jardim...
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