
UMA ESPERA EM VÃO
Data 13/03/2011 12:53:52 | Tópico: Sonetos
| O quanto não se espera e nada vale A senda onde se acenda esta esperança E jogo com palavras lavra avança Enquanto outro caminho trama o vale
E vendo esta ilusão quando se exale E tanto quanto vejo esta lembrança Marcando com ternura e confiança O preço quando nada além se instale
Somente a imprevidente garantia Do quanto pousa em sorte e não viria O que demais se quis sem previsão,
Doando da alegria um mero insumo O tanto que deveras eu resumo Ditando outros momentos desde então.
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Ao tentar pelo menos o sossego Aonde com firmeza a queda vem E sei deste vazio onde ninguém Traduziria além de mero apego,
E sei do meu caminho e sem fastio Invado as cercanias, margens tais E nelas outras mais em desiguais Cenários onde o nada agora eu crio,
E noutro sol exposto em tom maior O vértice do sonho dita o fim E bebo do que possa e dentro em mim Apenas outro rumo sei de cor.
Das cores mais diversas, versos sonhos Somente tais retratos vãos medonhos.
Ainda quando vens e estou dormindo, A noite prometera e não cumprira Açoda-me decerto esta mentira E mesmo o mais horrendo, o vejo lindo,
E possa no final me definindo Por erros costumeiros, leda mira E a Terra enquanto ronda roda e gira E nada mais banal que o tempo findo,
Reparo os meus enganos e se faço Da vida qualquer coisa além do traço Apenas incerteza dita o quanto
Meu tempo sem sentido e sem razão A velha camarilha em dimensão Diversa da que tanto desencanto.
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Se o nada importaria tanto faz O medo não me guia ou mesmo trama A sorte desenhada em vaga trama Apresentando ao menos Satanás
E o velho caminheiro onde se traz A vaga concessão imensa chama E nada se produz sequer reclama No prazo derrotado mesmo audaz,
Ainda sem sentido o que se crê E nada se anuncia e sei do que Se expressará em nós forma constante,
E beberia a sorte, uma indigente E mesmo que deveras se apresente O tanto sem proveito me adiante.
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Ainda que se fosse o que não veio E mesmo se viesse não traria Somente esta semente, hipocrisia No quanto o meu cenário em devaneio,
Presumo o todo e bebo sem rodeio Tecendo com total vã sincronia Martirizando em nós tanta agonia E misturando o meu com outro, alheio,
E bêbado de sono me enfastio E sei da imprevisão do desafio E mesmo deste rio em tempestade,
Ausento sem sentido e sem um norte, Meu passo sem mais nada que o suporte Aos poucos noutro fato se degrade.
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Ainda que estivesse onde estarei Num salto atocaiado em curva e medo, Aonde na verdade me concedo Espero da esperança regra e lei,
E quando no final me desandei E tanto quanto possa em tal segredo O mundo se apresente desde cedo E nada do que eu busco inda verei,
Somente o quanto custa ser feliz E tendo na verdade o que não quis Apresentando ao fim mera ilusão,
Morrendo a cada verso sem valia, Aos poucos perco em mim a poesia E tomo como par a solidão.
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Desnudo minha pele e neste fato Apenas o que exponho dita o limo E tanto quanto pude e não estimo O fim de cada prazo ora constato,
E neste desenhar onde retrato O mundo sem pavio enquanto primo Meu passo pelo vago e não redimo O velho caminhar em limpo prato.
Negar o meu anseio e procurar Apenas um lugar onde ancorar O barco há tanto roto e sem convés,
Já não me caberia ter nas mãos, Além destes momentos todos vãos E neles outros tantos, de viés...
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Na derme que ora exponho vês o fim De quem se apresentara qual poeta A vida de tal forma me deleta E bebe o que inda resta vivo em mim,
E sei do desvalido de um jardim E nele cada noite se completa Na fúria mais audaz em corte e seta Na meta desdenhada e sempre assim.
Reparo cada passo e nada veio Apenas o que tanto sigo alheio No veio mais audaz e pestilento,
Mas quando deste esgoto vejo o cais Enfrento o quanto pude em vendavais E mesmo outro caminho em luz invento.
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A fonte generosa da esperança Alçada pelo sonho de quem tente Vencer este caminho imprevidente Aonde outro momento em vão se lança
A vida chefiando tal mudança Embora seja tudo o que apresente No fim de novo instante o que acalente Expressará no quanto ora balança
E resta o pendular anseio feito Em sonho ou mesmo em queda e contrafeito Eu já não mais traria outro cenário,
Andando contra toda a imensidão Dos erros que acumulo e sei que vão Tornar o dia a dia temerário.
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Sem auto-conhecer cada presença Em volta deste lume qual falena Que tenta acreditar na sorte plena E morre quando em êxtase se pensa,
Ausento do que possa e não convença A vida quando muito nos condena E sei desta verdade que envenena Quem tenta acreditar no que compensa.
Realço com meu verso o que viria E sei da negação da fantasia Amortalhando enfim esta promessa
Do tanto já perdido pela vida E quando a solução tenta e divida A história noutra face recomeça.
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Exílios da esperança em solidão De tanto que buscasse ter ao menos Momentos onde tanto mais serenos Os dias mudariam de estação
E sei do quanto possa em meu verão Viver após momentos tão amenos Anseios mais sublimes claros, plenos E neles outros tantos se farão
E vejo esta fração tentando o todo, Depois do que pudera em cada engodo Vestindo a minha sorte impunemente
Resumo minha vida em cada verso E sei do quanto possa o mais perverso Cenário aonde o tanto agora mente.
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Suprimo cada passo quando ousando Vencer qualquer caminho e mesmo assim Ainda me aproximo de meu fim, Sabendo de outro fato ainda brando,
E tanto quanto possa desde quando A morte anunciada vem a mim E bebe cada flor deste jardim Já tanto noutro rumo transformando,
Inerte sensação de quem se quer Ousando no vazio onde qualquer Mordaça não traria novo plano,
E quando sem saber o que me reste Ainda cevo o tanto que deteste O mundo onde em verdade ora me engano.
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A vida se apresenta em tal ventura E nisto o quanto tenho nada vale E mesmo quando o sonho ora se cale A noite me produz farta amargura,
Jogado sobre a senda mais escura E nisto o meu caminho sempre exale O tanto quanto possa e nisto inale A louca sensação de vã ternura,
Reparo cada engano e sigo além Do manso desejar onde convém Quem sabe muito bem o que se queira,
E sinto o que se pensa após o nada E deixo na verdade abandonada A luta sem saber em leda beira...
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Guardando sem sentido qualquer mundo E nada se avizinha do que sei E tanto poderia em nova lei Galgando novo passo onde me inundo.
Semente do que possa e me aprofundo Enquanto no vazio eu mergulhei Embora cada passo; poderei Ousar em coração mais vagabundo,
Restando do que fomos muito pouco E sei quanto em verdade sigo louco Entre momentos tais onde se visse
E sinto o que se queira nova forma E tanto quanto possa se transforma Deixando no passado esta mesmice.
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Seguindo na alameda da esperança Aonde o que se quis já não viria Traçar noutro momento novo dia Enquanto o tempo além invade e avança
A sorte se desenha em temperança E o marco no final não mais veria Sequer o quanto possa em alegria E nisto qualquer passo agora cansa,
Revejo tão somente o que se fez E tento outro caminho em sensatez Diversa da que tente desejar,
Andando contra a vaga da saudade Apenas o vazio que me invade Expressa com firmeza o raro mar.
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Deixando os meus caminhos para trás Montanhas entre sonhos mais felizes E quanto deste mundo contradizes Traçando outros cenários desiguais
A voz onde pudesse ser jamais O tanto que quisera sem deslizes E trago na saudade as cicatrizes De estrelas bem guardadas nos bornais,
E sigo sem saber o que seria A vida em avidez e fantasia Num átimo um mergulho neste rio
Aonde nas cascatas mais sublimes E nada na verdade tu redimes, Marcando cada passo onde o desfio.
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Das ânsias de um menino nada resta Somente a mesma cruz onde marcada A história mais cruel da velha estrada Apenas do passado mera fresta,
E o tanto quanto tive ora se atesta Na mesma lenda ou tez velha e nublada Da luta quando mesmo enfastiada Apresentasse o fim da antiga festa,
Não trago nos meus olhos o futuro, Somente me retive em velho muro E nada do que eu quis se faz presente,
E vejo neste todo sem sentido O prazo pelo tempo corrompido E o canto noutro rumo se alimente?
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Andasse por estrelas onde um dia Em siderais tormentos quis a sorte Que tanto como audaz já nos conforte E marque sem sentido a poesia,
O verso quando muito o tempo adia E gera outro momento bem mais forte, Navego sem saber se tendo um norte Eu possa desvendar velha sangria,
Jorrando dentro da alma o que não vinha E sei que na verdade fora minha A lua sem fronteira em noite imensa,
Mas quando no passado a vida habita A sorte se mostrara mais bonita, Embora novo instante não convença.
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Negar o que me reste em abandono E crer noutro cenário que não tive, Ainda quando a sorte ausente vive Eu sei que do vazio sou o dono,
É próprio de quem tenta noutro sono Embarques onde o mundo em paz se crive E nada do que tanto se cultive Trará sequer o medo onde me abono,
Vestindo em constelar imagem sigo E tento adivinhar qualquer abrigo Aonde a mera queda desfilara
Gestando sem sentido e sem proveito Apenas na lembrança ora me deito, E vejo a cada engodo outra seara.
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Marcar com discordância o que viria É fato costumeiro de quem sonha A morte necessária é tão medonha, Mas dela se alimenta o dia a dia,
Respaldo do que fora fantasia Agora noutro passo se proponha Vencido caminheiro onde se ponha Negando o que pudesse alegoria,
Revoltas dentro da alma, simplesmente E o tanto que se quer mesmo que ausente Pressente qualquer tom diverso quando
A marca se aprofunda em cada cã E vejo sem saber deste amanhã Há tanto noutro engano desabando.
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Vestígios do que fui e não presumo Ainda que se veja noutro encanto O mundo se anuncia em tal quebranto E bebo do meu canto este resumo,
Vencendo o quanto tenha e se o consumo Esbarro no vazio e me garanto Deixando no caminho dor e pranto, No tanto quanto possa podre sumo.
Esvai em poesia o verso quando O rústico cenário se moldando Só fale desta estrada abandonada,
Depois de tanto passo sem proveito Olhando para trás quando me deito, A sorte se resume e dita o nada.
Não tento acreditar noutro momento E nada do que possa me alimente, Ainda quando a vida violente O risco a se perder demais aumento,
E vejo em meu olhar o passo atento E sei do meu engano mais frequente Embora no vazio se fomente A vida onde decerto um dia eu tento,
Reparo cada passo sem sentido E quanto mais procuro e dilapido Ousando retornar por onde vim,
A morte se apresenta em solução Futuro se perdendo em dimensão Diversa da que trago e sei enfim.
Marcar em discordância o que se traz E ter no olhar apenas o passado, O mundo se anuncia desarmado E o verso se produz e nada faz,
Ainda se acredita em mera paz No passo onde meu mundo desabado Expresse esse caminho desolado Vencido deixa tudo para trás.
Marcar em consonância o que não veio Tentar acreditar no mundo alheio Ao prazo onde o tanto determina,
O canto sem saber qualquer alento Expressa o delirar em claro vento Matando a sorte audaz e cristalina.
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Restando muito pouco do que um dia Pudera transformar em meu castelo, O verso que pudera ser mais belo Há tanto sem sentido morreria,
E brindo com diversa fantasia Grassando outro momento onde revelo Apenas o que possa em tal restelo Traçar em meu arado a poesia,
E sei que quando em penas esta enxada Tramasse no final o mesmo nada Aonde o meu anseio se traduz,
Ainda que se creia no futuro Somente sem semente eu asseguro A vida se perdendo em frágil luz.
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Meu canto se presume e nada vejo Somente o quanto quis e nada houvera A mansa sensação tanto sincera Expressa a solidão em vão desejo,
Resumos da verdade onde prevejo A queda mais atroz em velha esfera E sei da imensidão desta quimera E nela este momento malfazejo,
Angustiadamente o mundo invade O tanto que alimento em tal saudade Vestindo a roupa atroz, leda e puída
Deixando sem sentido o que virá E tanto quanto vira aqui ou lá Perdera há tanto tempo a minha vida.
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Tecer com velhas linhas o futuro Decerto já perdera a dimensão Dos erros que talvez inda verão Os passos neste ocaso, mundo escuro,
E quando no vazio eu me asseguro A queda traz em nova direção Enganos onde tanto inda virão Os passos sem saber do imenso muro,
E se depuro a sorte que não veio, Apenas caminhando em tal anseio Eu vergo a mesma sorte sem proveito
E quantas vezes tento algo diverso, Mas sei do quanto possa e me disperso Enquanto solitário ora me deito.
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Jamais acreditei em novo prumo Depois da velha queda aonde um dia Vencido pelo quanto poderia Ousar e não pousar onde acostumo,
Reparo e na verdade me resumo No engano aonde a sorte moldaria A luta sem sentido onde eu teria Apenas o vazio e nele o prumo.
Resplandecente sol que não mais veio, Olhando para os lados cada anseio Promete novo dia em desalento,
Repatriado encanto aonde o mundo Seguisse seu caminho mais profundo E nisto da esperança me alimento.
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Pedaços do que fomos pela vida Jogados nesta estrada sem sentido, O quanto a cada curva dilapido E a noite sem proveito, apodrecida,
E quanto mais queria enternecida A sorte e nela o tanto que duvido E bebo cada gole onde divido Meu mundo na esperança desprovida,
Preciso na saudade cada instante Devora o que pudera e doravante Apenas um fantasma segue só,
Do quanto poderia e nada vinha Somente esta verdade mais daninha Expressa o que ora sou, apenas pó.
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Chamando por teu nome e nada vem, Somente o mesmo frio do passado O verso pelo tempo embolorado E sei do teu olhar, sempre em desdém,
O risco de sonhar eu sei que tem Apenas outro engano desfraldado, Resumo do que trago e sei do enfado Da vida sem saber de mais ninguém,
Pousando nos meus ermos, solidão, Saudade expressa os dias que virão Negando qualquer luz ao caminheiro,
E tanto quanto pude adivinhar Somente novo engano a me tomar No canto com certeza, o derradeiro.
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Algum mistério eu sei que traz a vida E nisto outro momento em mera queda Aonde o meu cenário se envereda A sorte noutra sina a ser cumprida,
Já não me caberia o que duvida E nem sequer o passo onde se seda A solidão cruel mesma moeda E nela se pagasse a despedida,
Servindo de alimária a quem se fez No olhar sempre sozinho, insensatez Deixando como trilha a solidão,
Esboço na verdade o que me reste E nisto este cenário quando agreste Traduz a dor em turva sensação.
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Ainda quando vejo esta submissa Vontade de tentar novo momento A sorte perpetua o movimento E vejo o quanto possa em tal premissa,
E sei desta verdade mesmo omissa, Restando dentro da alma o que ora tento Presumo a sensação do imenso vento Enquanto a paz deveras se cobiça
Presumo qualquer dia e vejo bem Do tanto quanto possa e nada vem Somente o velho espectro de outros dias.
E neles enveredo cada passo Ousando na verdade quando faço O tanto que não tenho e nem terias.
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Ainda quando a sorte percebendo O tempo noutro tempo emaranhado E o verso sem sentido do passado Aonde não passasse de um remendo
Agora noutro traço se prevendo Marcando o quanto tenho do meu lado, O velho coração enamorado E nisto o todo dita o fim horrendo,
Representando a paz que não se quis O verso mais audaz deste infeliz Desvenda o que se quer daqui pra frente,
Mas quando se cultiva esta lembrança Um passo no vazio ora se lança E nada mais deveras se apresente.
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Negar o quanto tenho e mesmo tive Aonde se presume este vazio, Ainda que se veja o mais sombrio Momento enquanto além nada revive,
O verso sem sentido já cative O velho caminheiro onde este rio Expresse o quanto quis e desafio Tateio sobre o quanto a vida prive,
Não posso mais sentir qualquer espreita E nada do que tento ora se aceita Somente esta ilusão, tola e sutil,
Do quanto se tentasse em luz imensa Apenas o que resta nos convença Do mundo quando o todo se partiu.
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Um filho e novamente a vida trama Momentos mais diversos, treva e luz E quando na verdade reproduz O mundo se anuncia em sombra e chama,
E o prazo que se quer não mais reclama E nada no final jamais seduz O velho coração exposto à cruz E tanto se apresenta enquanto se ama,
Não tento caminhar contra a maré E sei do quanto rompe esta galé Ousadamente atada no infinito,
E amar sem ter segredos ou mentiras Enquanto do passado tu retiras O tanto que se quis e necessito.
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O medo não se mostra quando a gente Expressa o quanto quer em liberdade, Porém quando a certeza ora se evade Pousando noutro encanto mais urgente
O mundo quando muito quero e tente Vencendo o quanto pude em claridade, Deixando para trás a realidade No verso mais audaz e impertinente.
O prazo determina o fim do sonho E sei do que se quer mesmo medonho Deixando na esperança este pavio,
E sei deste momento vivo em mim Ainda como fosse um estopim Que tanto quanto acendo eu desafio.
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Nos ermos de quem sabe o que viria Espreito cada engano e sei do fato Aonde todo o tempo ora resgato Tentando acreditar na fantasia,
Depois do quanto a vida me traria Vestindo sem razão quando retrato A lucidez se faz onde eu constato O mundo com temor ou galhardia,
Vencido caminheiro sem futuro O tempo onde o vazio eu configuro Apenas se refaz a cada queda,
Jogado sobre as rocas, o que sei É tanto quanto possa em leda lei E meu cenário em vão já se envereda.
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Negar qualquer alento a quem se fez Espúrio desejoso do que um dia Ousasse muito além da poesia E nisto se roubasse a sensatez,
O canto noutro engodo agora vês E sei do meu momento em fantasia No quanto cada passo não traria A luta por total estupidez,
Respaldos do passado e sem futuro Ainda quando vejo eu asseguro O mundo aonde o tanto diz do nada,
A luta sem sentido e sem razões Aonde o quanto resta decompões Não deixa a sorte audaz e desejada.
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Rescaldos do que fui e nada vinha Somente a mesma cena e nela eu traço A vida sem saber deste cansaço E mesmo da esperança mais daninha,
A luta que pensara ser só minha Agora esboça o rumo onde desfaço O velho caminhar e noutro passo A queda sem proveito se avizinha,
Marcante sensação de medo e caos Os dias com certeza sendo maus O cais já se distando deste olhar,
E nada do que eu veja me redime Do tanto que desejo mais sublime E nunca pude mesmo desenhar.
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Apresentando o fim a cada sorte Disperso este momento aonde eu pude Após perder inteira a juventude Sem nada que deveras me conforte,
O sonho se presume e enquanto aborte Não deixa que se vele e nos ilude E marca com terror cada atitude Deixando para trás apenas corte,
Somando o que hoje tenho e não tivesse A mera solidão se traz em messe E o vento se dissolve no vazio,
Ainda quando quero acreditar Não tendo nem sequer onde pousar Um novo desenhar em vão eu crio.
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Não tento imaginar o quanto possa A vida sem sentido e sem meu cais E nisto mesmo expondo aos temporais A sorte que pudera ser só nossa,
Vestindo o quanto tente e já se apossa Do verso onde desejo muito mais E sei do corvo quando em nunca mais A senda se perdendo nada endossa,
Apenas apresente a vida assim, Iniciando agora o mero fim Marcando com terror o que inda sobra,
Do tempo desenhando em cada dobra Apreços onde o nada mais se via Seriam erros frágeis, fantasia...
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Encadeando versos e sonetos Pousando no que fui e não seria Ou mesmo retocando a fantasia Enquanto novos tempos ditam guetos
E neles outros tantos são meus passos Envoltos pelas brumas, pelos sóis E tantas ilusões sempre destróis E nisso os meus anseios são devassos
Ou meras emoções de uma criança Jogada pelas beiras das estradas E nelas outras tantas desejadas Aonde uma onda imensa não me alcança,
O passo se presume em tom diverso E nisto para o sonho, inútil, verso.
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Ao represar inteiro o sentimento Erguendo o velho brinde a quem se fez Além da mera espúria estupidez O tempo noutro tempo eu alimento,
E bebo do passado e estando atento Ainda quero mais que a lucidez No passo sem sinal do quanto vês O meu anseio bebe inteiro o vento,
Não pude acreditar em melhor sina E tanto quanto a vida ora se inclina Deitando esta mortalha na vereda,
Ainda que deveras tente além O mundo quando muito me contém E nada mesmo o sonho se conceda.
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Negar o quanto da alma se entregara Depois de tanto tempo em leda espera É como desmentir a primavera E crer na estupidez desta seara,
A vida se desenha e se escancara Após cada momento e noutra esfera Agigantando o passo destempera Marcando o quanto a sorte desampara,
Não vejo tão somente o quanto quis E sei do meu momento onde infeliz Encontraria apenas solidão,
Dos tantos erros quando mais enfrento Sanando dentro da alma o imenso vento Os dias mais doridos se verão.
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Ao azular o céu onde pensara Apenas na brumosa tarde eu creio No tanto quanto possa e mesmo alheio Ao quanto se desenha em noite amara,
A voz se aproximando bem mais clara O tanto quanto tento em devaneio O rústico cenário onde rodeio Ao novo amanhecer já se prepara,
Mas nada do que eu possa acreditar Permite novo rumo a desejar Senão a mesma senda onde não vinha
Sequer a sensação bem mais sutil, Do amor que na verdade quando viu, Traçando esta esperança ainda minha.
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Representando apenas a emoção De quem se fez audaz e mesmo quando A vida de tal forma transformando Não trouxe tão somente a negação,
Ainda quando vejo a dimensão Do vento aonde o todo se moldando Presume outro caminho bem mais brando Moldando finalmente o meu verão,
Apresentar após tanta saudade Alguma luz que possa na verdade Mudar a direção do pensamento,
Ao reaver a sorte que eu queria E nela o presumir de novo dia Ousando caminhar e ir contra o vento.
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Já não me caberia nova escolha Nem mesmo acreditar noutro momento E quando na verdade ainda tento O tempo sem sentido não recolha
As sortes desenhadas nesta bolha Deixando para trás o sentimento, E vendo o meu caminho aonde atento O manto se produz além da folha,
Na primavera feita em esperança O quanto da verdade a vida alcança E expressa após a curva novo dia,
Não tento acreditar nesta ilusão E sei das sortes tantas que virão E nelas cada voz se moldaria.
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A mente se abriria ao quanto venha Depositando o sonho após o fato Aonde na verdade o que constato Expressa muito mais do que desdenha,
A luta quando muito desempenha O mundo aonde o rumo que retrato Não deixa que se veja e me resgato Após acreditar no que convenha,
Reparo sem sentido o que se faz E bebo da esperança feita em paz Ainda quando traz somente um brilho,
E vendo o meu anseio sem futuro Apenas do vazio eu me asseguro Enquanto noutro passo agora eu trilho.
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Em épocas diversas sonhos meus Pudessem traduzir novo cenário Além do mesmo engano temerário E nele sem saber do mesmo adeus
Os olhos que pudessem quando ateus Moldar cada momento e itinerário Diverso do que tento em necessário Tormento feito além de mortes, breus,
Negar qualquer anseio aonde eu pude Vivenciar a sorte atroz e rude Depois do quanto ilude a solidão,
Marcando com engano cada passo, Aonde no final eu me desfaço Encontro do vazio a direção.
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Marcar a ferro e fogo cada passo E nisto o que se vê não me permite Acreditar na sorte sem limite Aonde o meu caminho é mais escasso,
Opondo-me deveras ao cansaço E nele cada sonho delimite O verso aonde apenas acredite No canto sem ternura em vago espaço,
Anseios de uma vida mais suave, Ainda quando o tanto já se agrave Entraves encontrando noutro instante
E sei do que se faz em rumo atroz E bebo do passado e sei do algoz Que a nova sorte traz e se garante.
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Não tento acreditar no meu resumo E bebo com temor cada aguardente E nisto o quanto tenho e se apresente Traduz o tanto aonde me consumo,
Não vejo da esperança o mero sumo E brindo o que se quer e mesmo tente Vencido caminheiro imprevidente O manto se apresenta em velho insumo
E sei do quanto possa e mesmo tento No prazo mais audaz contentamento Jamais se vestiria em ilusão
Aonde nada resta do que somos, A vida se anuncia em turvos gomos A brisa se expressando em furacão.
Saudade do que nunca expressaria O mundo ora perdido em tons diversos E tento acreditar nos universos Aonde cada passo diz sangria
Ascendo ao que deveras não viria E bebo dos caminhos mais dispersos Tentando acreditar em tolos versos Marcando com temor a fantasia,
Não tendo outro momento aonde eu pude Deixar já para trás o quanto ilude O tempo sem proveito em vãos resquícios
E tanto dos meus dias se perdendo No mundo aonde sou mero remendo E nele se entranhando em precipícios
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Não quero acreditar que noutro engano As vias costumeiras concebesse O tanto quanto queira e que perdesse Ainda quando ao fim ora me dano,
Negar qualquer caminho em mero plano E ver neste abandono o que vivesse E quando o meu anseio convencesse Do velho caminhar em tom profano,
Acordo sem saber do que se visse Deixando para trás cada crendice E nada mais audaz se poderia
Vestindo com ternura esta mentira E quando do meu mundo se retira Deixando tão somente a hipocrisia.
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Ao resumir meu mundo no que tanto Pudesse acreditar e nada vinha Somente este temor onde convinha O prazo se perdendo em desencanto,
Ainda quando o verso dita o canto Remendos do que fosse a sorte minha Encontram esta imagem mais mesquinha E nela o que se molda em vão quebranto,
Arcando com enganos e somente O tanto sem futuro se apresente Marcando em discordância o que se quer,
Expressa na verdade o verso rude E sei do quanto tenho e já me ilude Nas ânsias mais atrozes da mulher.
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Não tento acreditar no que não veio E sei do desamor quando se cala A sorte tantas vezes mais vassala E nela o meu temor em tal anseio,
Vagando enquanto ainda devaneio Pousando no passado e desta sala A morte que deveras me avassala Não deixa quanto trace em ledo meio,
Reparo cada prazo e quando sigo Depois do meu cenário onde o perigo Expresse a solidão de quem tentara
Ousar noutro momento mais sutil Depois do que deveras se previu Apenas vejo na alma a mesma escara.
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Chagásica expressão em solitude E nada do que tente em nostalgia Permite na verdade o que viria, E nisto nem o fim jamais ilude,
O mundo se aproxima e sei que é rude O verso aonde vivo em agonia Matando com terror a alegoria Deixando sem saída a juventude.
Numa atitude plena em solilóquio O sonho que se fez velho Pinóquio Tentando que se creia no impossível,
Amar e ter apenas outro encanto, Ainda quando vejo e não garanto Somente este momento ora implausível…
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Bebesse mais um gole do passado E o mundo não teria novo rumo, Ainda quando tento e não resumo O verso se desenha em mero enfado,
Repare cada passo e se me evado Do corte aonde o tanto não aprumo Enfoco com ternura o quanto em sumo A vida presumira outro legado,
Restauro o meu anseio em tom venal E bebo do cenário desigual Deixando para trás cada momento
E sigo o quanto possa e se alimento O sonho com temor ou alegria Saudade nos meus olhos invadia.
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Mapeio em tons atrozes cada espaço E vejo sem sentido o que inda bebe A sorte sem saber da velha sebe Aonde o meu anseio agora traço,
E nada do que pude e não desfaço Encontra o quanto quer e não concebe E nisto outro momento se recebe Depois do meu anseio em ledo laço
O verso mesmo sendo leonino, O corte no vazio onde fascino E tento acreditar no que não veio,
A morte redimindo cada engano, Adentro sem sentido o velho plano E bebo o meu momento sem receio.
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Marcar o que se possa de tal forma E nada mais sentir senão a queda E a vida quando muito se envereda Deixando ora disforme a velha norma,
Depois do quanto pude e nada informa Semente se anuncia e nada seda Senão a mesma luz onde se enreda Vertentes onde o passo se deforma,
O prazo terminando e nada veio Somente o quanto pude em tal anseio Gerado pela mansa covardia,
Um velho caminhante do passado Ao ver o seu cenário desabado Deveras nem um passo mais daria.
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Impressionadamente o que se creia Não deixa qualquer rastro pela vida E o tanto quanto possa a já perdida Noção deste vazio nos rodeia,
E bebo da esperança enquanto ateia A sorte na fornalha desprendida Na fúria mais audaz em despedida, Toando dentro da alma a fera veia,
Já nada mais mostrasse a velha estrada Tampouco a noite imensa e constelada Depois da tempestade costumeira,
E quando vejo o fim da minha sina, A vida se moldara e me domina Enquanto uma esperança além se esgueira.
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Não tendo qualquer chance no futuro Encontro do passado a sombra atroz E sei desta esperança em ledo algoz Depois de caminhar em tempo escuro
E cevo na aridez de um solo duro Ninguém escutaria a minha voz Deixando cada instante e nada após Mostrasse com certeza o que asseguro,
Esbarro nos enganos de quem tenta Vencer a mera sorte mais sangrenta Depois do descaminho costumeiro,
Enquanto no final a luta expressa A solidão imensa e já sem pressa Ainda busco cores no canteiro.
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