
AUTOFAGIA
Data 09/03/2011 14:25:19 | Tópico: Sonetos
| A vida na metade; e nada inda pudera Apenas entender o quanto que me espera Traduz o fim do jogo e quando a desventura Encontro a cada curva e nada me assegura
Do quanto inda tentasse e sei que desespera Quem tanto se prepara e mesmo noutra esfera Já nada mais concebe ainda da ternura Somente o que viria em tons de uma amargura
A luta propicia ainda o que se espreita E noutro bote enquanto além desta maleita A ronda da saudade esbarra no meu cais,
Depositando dor imersa em vendavais A mais do que me custa o medo em tal promessa Arremessado ao vil sangria recomeça.
As selvas onde adentro em plena noite vaga Encontram cada rastro e nisto não se apaga Sinais desta existência imersa em sordidez E o tanto quanto quis a vida já desfez,
Marcando com terror a imensa e dura plaga O manto sem proveito a morte dita a paga E o mergulhar no sonho, ainda em altivez Encontra novamente o quanto ora não vês,
E bebo sem sentido o vago caminhar E nada do que pude ainda ao me entregar Invade outro cenário, e deixa para trás
O olhar ensimesmado aonde o que se traz Impediria um passo envolto em tal mistério, Minha alma empedernida, expressa o vão minério.
Extraviado passo envolto noutra queda Aonde o que se busca enfrenta onde envereda A luta em acidez ou mesmo sem saber O quanto do meu mundo ainda faz sofrer,
Nascendo entre o vazio e a sombra que me seda O preço a se pagar moeda por moeda Moenda da saudade infausta a percorrer Jogada sobre o vago incêndio deste ser.
Crivasse em bala e fúria a luta sem sentido, E quando no final, apenas eu me olvido Do pouco que me deste ou mesmo sonegaste
A sorte se entranhando em todo vil desgaste Já não me caberia ou tanto quanto quis Deixando esta saudade, apenas cicatriz.
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Dizer qual o sentido e crer noutro momento Ainda que decerto o pouco que ora invento Encontra ressonância em nada após o medo, E sinto muito além do quanto ora concedo,
Bebendo cada gota imensa deste vento, O nada se transforma e cessa este lamento. A vida noutro parto impede o velho enredo, E quando esta alegria encontra o seu segredo,
Enfrentaria a sorte e nada mais pudesse, Senão minha saudade e nela cada prece Vergasta ou mesmo açoite adentra em minha pele,
Falar do que eu vivi, enfrentando o que sou, Talvez juntar um pouco e ver onde restou Apenas o tormento enquanto o sonho impele.
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Numa áspera loucura o fim já se anuncia E sei da minha sorte embora mais sombria, Galgando o que talvez ainda reste em mim, Prenunciando aqui a solidão do fim.
O mundo se traduz e sei que dia a dia Adia o que me resta em luta ou fantasia, A morte aproximando o mundo do jardim No chafariz do sonho, a sorte em tal motim
Expressaria a cena e nela o que resulta Invade o caminhar e como fosse multa Remonta ao meu passado envolto em tédio e treva
E se julguei feliz, a vida agora neva E vibro noutro prazo embora o que me reste Ainda seja o fim audaz do sonho agreste.
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Ao pensamento resta apenas desamparo E o tanto que desejo e mesmo me preparo Anseia a nova senda e nada mais virá Sabendo da esperança e nela se trará
O quanto da alegria expressa em sonho e faro O mundo sem sentido ou mesmo mais amaro, Bebendo a minha luta ainda e desde já O quadro resumido aonde se verá
Resquícios de uma vida emaranhados passos E dias sem proveito ou sonhos mais escassos, Aprendo com a faca em volta do pescoço,
Embora isto não cause ainda um alvoroço Tropeço após e a queda incorre noutro engano, E a morte se desenha além do próprio dano.
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Uma amargura imensa em noite mais atroz O que inda me restara expressa a velha voz De quem se fez além aonde nada havia Bebendo com ternura a sombra em agonia,
Esqueço o que talvez entranhe logo após Vivendo sem sentido o quanto vibra em nós Ousando muito mais do que não poderia Tentar acreditar nos ermos, fantasia,
E sei da peça exposta em atos e promessas E quando penso em fim, apenas recomeças Sem prazo e sem vontade apenas por tentar
Vestir o que mascara a sorte sem lugar, E nada mais se vendo além do fim do jogo Adianta saber? Nem mesmo em paz ou fogo.
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Aonde me encontrei o quanto se presume Enfrenta muito mais do que mero costume, A sombra do meu medo, a solidão no fim, Armando sem sentido espreita contra mim.
O verbo se apresenta e vejo sem tal lume Medonhamente o quanto ao fim já se resume, No pendular cenário iniciando assim O vértice do sonho e o perigeu não clean,
Escarpas são comuns e delas sem apoio Apenas nova queda e nisto sigo o joio, Comboios da saudade ou mesmo da ilusão,
E o vórtice domina o quanto da amplidão Pusesse em cada olhar imensamente em paz, Ainda o que me sobra a vida já não traz...
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Preâmbulos da vida envolta em treva e medo, Do sonho que eu mantive; apenas arremedo, O canto sem proveito a sorte destempera A luta sem saber final de prima esfera
Vencido pelo tanto aonde mal concedo Um passo contra a fúria o olhar nega o segredo, E vendo o quanto pude ou mesmo não me espera, Um tanto sendo rude, a mão se degenera.
Um brinde; tento ainda e sei que esta cadeira Usada como apoio, expressa a mais inteira Vontade de lutar, enquanto não teria
Sequer o quanto possa a vida em sincronia, Jamais imaginei e sinto sem saber Blindado caminheiro envolto em desprazer.
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Entrando nesta entranha aonde a fera espreita E bebo cada gole, enquanto a vida aceita Apenas o que veio ou mesmo até viria Singrando este oceano imerso na utopia
De um tempo mais feliz, a luta não deleita Quem tanto se perdera e sabe da desfeita Um gole de café, um copo em agonia, O risco de sonhar? Ainda sei que havia,
A manta mais puída e o vento sobre nós, O canto sem destino e a solidão em voz Somente transgredindo o todo sem promessa
A luta que se perde apenas recomeça E volta ao quanto fora e nada me entregando, O mundo sem saber aos poucos desabando...
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Ao procurar ajuda em tantos portos vi Apenas o vazio e nele desde aqui Mentira corriqueira em mera enganação Galgando do não ser em louca imensidão,
E desta forma sinto o quanto em vão perdi, O tempo uma esperança o mundo consumi, E um gole de aguardente em forma de emoção Apenas alimenta a rústica ilusão.
Um cavaleiro andante ou mesmo algum palhaço E o vento determina a vida em tom devasso, Abraço o meu anseio e sei do quanto pude
Tentar acreditar em viva plenitude Marcada pelo vago e nisto se presume O tanto quanto possa ausência de perfume.
O vento noutro prazo o canto sem sentido, Apresentando a mim o fim que dilapido, E sei da minha história e basta acreditar? O mundo não pudera e sem qualquer lugar
Aonde se transforme o tempo já perdido, O verso sem proveito, o marco revolvido, Abandonando o todo eu pude desenhar Ainda o que viria e nada mais falar
Somente a mente ronda e bebe outra sarjeta O tanto que se quer e nisto se cometa Engano corriqueiro e sei proposital
Dos anjos, teu inferno é quase capital E navegando em torno ainda da palavra A dor se faz enxada a morte é minha lavra.
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O bem querer é belo e nada mais se visse Senão tanta mentira envolta na tolice E crendo alguma vez no quanto determina A senda mais vazia e nela a dor é mina
O corte na raiz, o canto em vil crendice Repete em desengano o sonho em tal mesmice, Ouvir a voz de quem ainda se fascina Buscando em pleno lodo a sorte cristalina,
Risível idiota ou mero e vil canalha, A senda que promete aos poucos é navalha E traz em tal degredo a farsa mais audaz,
E nela o que inda resta aos poucos se desfaz A queda se aproxima e traz ao fim de tudo O verbo sem futuro, e nele desiludo.
Chegando ao tal sopé das ânsias dolorosas Ainda que buscasse imensas, claras rosas Encontro tão somente o fim e nada vendo Somente o mesmo passo espúrio enquanto horrendo
As horas são iguais e sei quão caprichosas As sendas que pensei talvez maravilhosas, O mesmo olhar vazio enfrenta este remendo E nada mais se visse ou mesmo me retendo
Tecendo o quanto tenho em lodo e em dor sutil, O vago caminhar aonde o que se viu Expressa o fim do jogo e nada mais teria
Senão a mesma voz, imensa hipocrisia. O Deus que tu me deste há tanto não se vira, A voz de uma ilusão, somente outra mentira.
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Planície terminando em árido cenário O vento que ajudara agora temerário Ainda se alimenta em tons duros, ferozes, E quanto mais pudesse envolto em tais algozes
O marco da existência eu sei desnecessário O tom da persistência embora seja vário Encontra cada engano e sinto novas fozes E nelas outros nãos em tons duros atrozes.
E delicadamente a morte não traria Somente o que se vendo em farta teimosia Empreende outro momento em dor e lacrimejo
O tanto quanto possa enfrenta o que desejo Matando pouco a pouco o quanto me restasse, Deixando como herança apenas cada impasse.
O sentimento seda e nada mais vertendo Senão a minha luta e nela o tom horrendo Reparo cada espera e não pudesse ainda Vencer a sensação que enquanto não se finda
Invade o pensamento e sei cada remendo No prazo quanto pude e vindo me perdendo Jamais o tempo exprime a nova sensação
De um mundo mais suave e sei que não verão Sequer as sombras disto ou mesmo algum rumor Deixando para trás as traças de um amor.
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Os raios que talvez inda recubram sonho Encontram noutra tez o quanto decomponho E bebo neste infausto a leda tempestade Restando o quanto pude invés da claridade
Vestir outro momento embora mais bisonho, Restando dentro da alma a lama onde me ponho, E nada se teria além do que degrade, Aprendo com teu Deus e busco na cidade
Um cais que nunca veio ou mesmo inda viria Bastando ao sonhador a luta em poesia, A fonte já se seca e o quanto fui feliz
Não deixa que se veja ainda por um triz Senão a mesma face atroz e macilenta De quem sem ter saída em nada o cais inventa.
Caminho divergente aonde possa ver Apenas sem ter pena o nosso amanhecer Enfrento o que me resta e bebo do vazio E sei quanto no fim, o tempo desafio.
Mas tanto quanto outrora ainda posso crer Na morte sem destino em ledo desprazer, E brindo com o canto o tempo mais sombrio Perdendo da ilusão, ainda cada fio.
E canto sem sentido ou verso sobre o nada Ainda se pudesse. A luta desenhada, Vestindo esta ilusão de quem se fez passado,
Jamais pude viver e sigo sempre ao lado, Não sei se fui feliz, e creio até que sim, Mas isso pouco importa apenas bebo o fim.
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O medo se apresenta e traz a quem lutara A mesma sensação da vida que foi clara E agora no final já nada mais se creia Somente o quanto possa e sigo em voz alheia.
O tanto quanto quis deveras me alijara Do tempo em consonância e mesmo a voz amara A lua da esperança; um dia quase cheia Embora morta e turva ao fim já me rodeia
Marcando com ternura ou mesmo com terror Evade do passado e gera em desamor Apenas o que reste ou tanto poderia,
Não tendo outro caminho a luta sendo fria A boca escancarada encontra o que não quis, E mesmo de tal forma eu tento ser feliz.
Angustiadamente o fim já se apresenta E sendo de tal forma a sorte uma tormenta, Não posso acreditar nos ermos da ilusão, Negando desde agora a voz de uma estação
E nela o que se vê ainda em tez sangrenta Aos poucos me domina e nada me apascenta Somente o verso cru, e dele outros virão, Um copo de aguardente a clara solução?
Enfrento cada espelho e tramo outro cenário, Ainda que me veja um ser mais solitário Naufrágio costumeiro e sem ter praia, areia
Apenas a mortalha ainda o que rodeia E visto esta verdade embora dolorosa, E o mundo que me cerca? Estrada pedregosa.
Um corpo fatigado, uma alma sem saída E neste desenhar a luta pela vida Expressa o que talvez ainda não viesse Ou mesmo se inda tenha e sendo o que oferece
Gerando o caos aonde a sorte consumida Encontra finalmente após qualquer saída A trama onde o fim expressaria a messe E nada mais se tendo aquém de rumo e prece
Vestindo esta ilusão e nela se perdendo O vago caminhar envolto em ar horrendo Reparo cada sorte e quanto mais tentasse
O fim anunciado ou quando confortasse Apresentando o ledo em medo enredo e caos Somando dias tais e neles vis degraus.
Encarno o que já fui e não desejo mais, Esboço do cerzir em velhos vendavais Avais de vidas tais e sem outros caminhos Os dias são decerto um tanto quão sozinhos
E navegar sem rumo, apresentando o cais E nele o que se tenta em dias desiguais Exprimirá talvez o quanto em velhos ninhos Encontrarei após anseios tão daninhos.
Resplandecente sol; jamais o conheci O tanto que inda trago apresentando aqui Explode em tom grisalho ou mesmo em turbulenta
Vontade que não rege e quando me atormenta Ainda não teria o prazo redentor, Matando em nascedouro o sonho encantador.
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Seguindo em charcos, queda a luta não termina E bebe sem sentido o tanto que fascina E resta dentro da alma a calma o trauma e o fim, No prazo derrotando o todo vivo em mim,
A sorte mais sutil e creio ser ladina Ainda que pudesse; em voz mais cristalina Negando o quanto é rude as cenas do jardim, Resgata tal perfume e mata o meu jasmim,
A sordidez do sonho, a voz incauta e rude Amei e na verdade além do quanto eu pude Vestindo o quanto é roto o rumo sem proveito,
E nada do que tenho ainda mesmo aceito, Escalo a cordilheira abandonada em sonho E o prazo sem sentido aos poucos decomponho.
Falar da minha vida? A quem isto interessa? A luta determina o quanto segue em pressa E nada do que possa ainda acreditar Encontrará em voz a luz que ao se mostrar
Invade este cenário e trama nova peça A sordidez do fato, aos poucos recomeça E bebo mais um pouco até já me fartar Da luta sem proveito ou mesmo deste mar.
Aonde imensamente o tempo não viera Sentir qualquer anseio e morta a velha esfera, Da ansiedade exposta ao fim do meu caminho,
A boca da esperança expressa um doce vinho, Apenas o que sinto embrenha nova senda E nada se apresenta e nada se desvenda.
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Há restos do que fui; em todos os vazios Na imensidão do nada à beira destes rios, E o canto sem sentido, a velha discordância A luta sem proveito a morte em ressonância,
O manto onde pudera em tons bem mais sombrios Vencer este caminho em ledos desafios, Agora no final apenas militância Do tanto que se busca a cada nova estância,
Reparo cada engano e vejo o que se creia Restando dentro da alma a luta onde esta alheia Vontade não presume o quanto inda viria
Tentando acreditar ainda em poesia, Não quero e não permito o sonho mais sutil, E o todo noutro rumo aos poucos ninguém viu.
Resgates de uma vida? Ainda se pudesse Vencer o quanto trago e ter o que se esquece Após cada mentira ou mesmo sortilégio, A vida talvez seja ainda um privilégio,
O tempo sem proveito, a luta sem quermesse O vento que rondando ainda o fim que tece Desde os meus mais sutis momentos de colégio O marco sem proveito, o corte em tom mais régio
Castrando cada sonho enquanto quis um passo Apontando o caminho e nada do que faço Envolto nesta sombra ou mesmo no vazio
Enfrentará talvez o quanto desafio, E bebo noutro copo a luta sem sentido, Embriagadamente o risco é dolorido.
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Na prática a verdade expressará o quanto Ainda que se tente encontrará no canto Jogado sobre o solo a vida sem caminho, E vivo o meu anseio e sei que vou sozinho,
O marco se desnuda e quando me quebranto Enfrentarei o fim e nisto o desencanto A sordidez da luta em verso mais mesquinho, O prazo se encerrando, a morte em raro vinho.
E presumindo a cena; envolto em brumas, tento Viver o que me resta e mesmo desatento Encontrarei quem sabe a mansidão da morte,
E tresloucadamente, o quanto me conforte. Esbarro neste engano e tento acreditar No canto sem sentido ou mesmo sem lugar.
Quisera na verdade ainda ter a luz E nada do que possa em luta me conduz Ao se expressar no vago anseio sem limite O tempo se desenha e nada mais permite
Viver o quanto tenho e nisto reproduz A voz do que se vendo impede em contraluz Restando muito pouco ou mesmo necessite Do quanto se presume e nada se acredite,
Em tons duros prossigo e volto ao que se quis Essencialmente eu tento e sei se fui feliz Apenas um momento e nada mais após
O sonho se apresenta e sei que neste algoz Verdugo da ilusão a luta determina A mão que me tortura a voz quase assassina.
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Aonde se fez grata a vida não presume Sequer qualquer caminho e sigo em vago lume Tentando acreditar no quanto não viera Apresentando ao fim a imensa e vã quimera,
O tanto quanto sou agora em pleno cume Encontra o que tentara em lúbrico queixume, Não pude mais saber a sorte noutra esfera E o corte se anuncia e nada mais se espera
Somente a mão ferrenha e nela o que se vê Impede o dia a dia e nega algum por que Sentindo esta esperança aos poucos noutro rumo,
O quanto fui e sou, enquanto aquém me esfumo Invade o meu caminho e mata o quanto resta Deixando sem sentido algum a leda festa.
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Nesta mortal certeza apenas nova luta E a força desenhada ainda se reluta E tenta acreditar noutro caminho em paz Embora a vida seja apenas mais mordaz,
Desmascarando o sonho, a morte mais astuta E nada do que possa embora em força bruta Cerzisse com certeza o quanto não me traz, E deixa sem sentido o mundo para trás
Reparo cada engano e bebo esta presença Do quanto nada vejo e sei do que convença Jargões já sem valia a vida não presume
E tanto quanto possa ainda sem perfume, Alvissareiro sonho envolto nas mentiras Enquanto o que inda resta aos poucos tu retiras.
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Talvez o ócio permita ainda se pensar No quanto poderia e não quero lutar, Mas nada do que reste expressará o sonho E mesmo sem sentido aos poucos não componho
O vento na janela o tempo a divagar, O mundo não retém e sigo sem lugar, O quanto escreveria eu sei ser enfadonho, A noite que se envolve em ar duro e bisonho,
Mereço qualquer chance? Ainda sei que não, A morte sem sentido, o mundo? Imprevisão E o ledo caminhar em noite mais escura,
A sorte sem proveito o fim em amargura, Já não mereceria o tanto que mais quis, E sei que no final, jamais serei feliz.
SEGUNDA PARTE
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Durante a juventude eu quis acreditar No tempo após o tempo aonde pude amar E ver que na verdade o tanto se desnuda Em face mais atroz mesmo pontiaguda,
E o canto sem valia a noite sem luar O medo do que possa a vida sem lugar, A rústica presença aonde se transmuda O verso apodrecido a voz agora muda…
E nada do que eu tente ainda se aproveita A manta já puída a sorte ora desfeita A solidão em vida e o caos dentro do peito,
O que fazer? Seguir. Embora não aceito, Rasgando o que me reste em tons diversos grises Somando tão somente os erros e deslizes.
Silenciosamente a casa continua E o mundo fervilhando espúrio toma a rua, No canto aonde ecoa a voz deste imbecil, Amortalhando o quanto ainda resta e viu
A sombra do passado enquanto se cultua Nascendo mais um pouco a morte nua e crua, O prazo determina o fim e mesmo vil O tanto que se prende em ar turvo e sutil,
Já não me caberia apenas ver em frente O quanto se desenha e nada mais desmente. Um erro contumaz, o amor ou mesmo o sonho,
E nisto o que inda tente aos poucos decomponho Anunciado ocaso e nada mais faria Não fosse este egoísmo em turva poesia.
Separo-me de mim e tento novo passo, O vento que me ronda, e nele o quanto traço Esbarra nesta imunda e podre sensação Do mundo sem proveito e sem a dimensão
Exata do que fora ou tanto quanto escasso, Esvai cada momento e nele nada faço Não fosse o verso assim, ainda em turbilhão, A morte há tanto tempo em fosca solidão.
Reparo cada esgoto aonde penetrara E navegando audaz, esbarro em noite amara E versejando enquanto a morte inda não vem,
Apresentando o nada e nisto outro desdém, Ameno caminhar ou mesmo sem presença Do quanto se quisera e nada me convença.
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Lugares onde estive, em sonho e fantasia, Amenizando a queda e nada mais teria Senão mesma moeda em juros ágio e medo E tanto quanto possa ao fim nada concedo,
Encaro sem sentido o verso sem valia E bebo em farto gole a velha hipocrisia, Mortalha que trouxeste envolta em tal degredo O mundo não teria ainda um novo enredo,
E quanto mais eu fujo esbarro nos enganos E sei que no final de tantos ledos planos Os danos que acumulo o corte que aprofunda
A dor não determina a face quase imunda E tresloucadamente a mente não refaz Bebendo do que possa em tom atroz, mordaz.
E sei do meu destino abandonado e sem Saber do quanto reste e nada mais convém Ao velho sonhador exposto em macilento Caminho sem sentido enquanto a paz eu tento.
Mergulho neste mar e sigo sem ninguém Amante do vazio e sei quanto desdém A luta traz no olhar o tom rude e sangrento Macabra noite em vão meu canto desatento.
E o medo do que venha e nada mais teria, Senão engodo e farsa invés de poesia. A marca da pantera, as garras dentro da alma,
Lavar as minhas mãos, decerto não me acalma, E brindo com meu nada a ausência de resposta Um tempo sem caminho, a sorte decomposta.
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Lugares onde o tempo ainda diz do não E sigo sem sentido a velha solidão Enquanto cada engano exprima o já não ser, O manto ora puído enfrenta o desprazer,
Encontro finalmente a rude dimensão Em ledo caminhar e neles se verão Apenas o que tento e sinto esvaecer Marcando com terror o quanto pude crer,
Já não me caberia um novo tom e voz, Apresentar o fim e crer que logo após O nada se desenhe e mostre em tal cenário
Meu palco noutro rumo um tanto incendiário Corsário do vazio e mesmo sem progresso, O quanto se perdera a ti ora confesso.
Satisfazer somente o sonho e prosseguir Inutilmente vejo a vida sem porvir Ocasionando a queda e nada mais teria Quem tanto se presume em tons de fantasia.
O passo sem proveito o mundo a resumir A luta que se quer sequer possa exibir Ainda quando muito encontro esta sangria A velha prostituta a noite mais sombria,
E o prazo terminando enfim nada verei E sinto que em verdade a dor domina a grei, E solitariamente a voz ninguém escuta,
A mão que acarinhasse agora sei tão bruta O marco desejado, o tempo já puíra Amor que tanto o quero; apenas vil mentira.
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Buscasse imenso mar envolto em sol e luz, Mas quanto mais anseio apenas vejo o pus E bebo em dor e tédio o vento sem razão No canto sem promessa a velha solidão,
O mundo sem limite aonde o que compus Resume na verdade o tanto quanto opus E preso sem talvez ainda ter perdão Escuto sem sentido a voz do coração.
Navego em tenebroso anseio sem promessa E o quanto deste mundo em nada recomeça E brindo com meu sangue a podridão desta alma
E nada do que possa ainda vem e acalma, Apenas o vazio e nele mergulhando O tanto se desdenha em tom amargo infando.
O mundo não presume alguma sorte após A queda deste império e dele morto em nós Somente esta sombria e louca transparência Aonde se deseja a vida em aparência
Diversa da que trago em alma mais feroz O rumo se desvenda e sei que noutra foz O vento sem valia a luta sem decência A morte como fosse apenas coincidência
Abraço o que me reste e vejo sem engano O tanto quanto possa e sei que enfim me dano, No plano em desventura ou mesmo sem igual,
Vestindo hipocrisia em ledo ritual O marco sem segredo e a morte desvirtua Jogando o quanto resta exposto em plena rua.
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De uma esperança nova, ao quanto nada valho O mundo se anuncia e sei do todo falho Brasões em tola face esbarram nas vielas E sinto sem segredo o vão que me revelas,
Da fronde o que se vê não trama novo galho, A morte traz talvez algum penduricalho O barco se perdendo em rotas vagas velas As tramas que busquei jamais em sonhos selas,
E o prazo determina o fim de cada jogo Incendiando a sorte imensidão do fogo Um vago caminheiro em busca de algum porto
No mar da solidão, não possa acreditar Ainda que se veja enfim qualquer lugar Estando desde agora apenas semimorto.
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Durante a vida em tese apenas sem limites Procuro ainda ver e mesmo que acredites Noutros momentos vãos em fúteis caminhadas Deixando sem sentido as farpas e escaladas,
Ousando acreditar além do que permites Esboço noutro verso os tempos em que evites As sombras do passado ou vozes perfiladas Mercantilizas sonho e vendes tais estradas
Escassamente a luta ainda não viera Medonhamente eu vejo a sombra da pantera E nela o que ressalto encontro o medo e afins,
Depositando o medo e nisto meus jardins Encontrariam tédio e nada mais se visse Senão a farsa feita em volta da crendice.
Soubesse mesmo se o vento que nos derruba Refaça com certeza ainda em velha cuba A mão que busca além em forças e cadinhos Vencer o sortilégio em dias mais daninhos,
O tanto quanto possa expresse a força em juba O manto destroçado o chão já não se aduba E o peso desta vida envolta nos espinhos, Pousando no infinito os mansos passarinhos.
Porém o que me resta apenas rapineiras E as horas sem sentido e nelas o que queiras Um antro de loucura enfado ou mesmo atroz
Cenário aonde eu pude em expressão após Cercando com a rede envolta no passado, Viver o que talvez ainda tenha ao lado...
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Mortificar o quanto em pranto não viera O tanto se presume e bebe desta espera Negociando a vida em raro tom venal, O mundo se desnuda e trago em ledo astral
A face mais atroz feroz desta quimera E nasço do que fui e sei que nesta esfera Engano se desenha em tom consensual Ou mesmo se presume o risco desigual.
Espírito diverso em verso em aversão Aprendo do que possa em nova diversão Versões e nelas vêm os erros costumeiros
Traçando sem ter nexo os meus velhos canteiros Somar e dividir onde multiplicasse Ascendo ao quanto quis e tento além do impasse.
Soubesse ainda quando houvesse outra certeza E sinto que se expondo a vida sobre a mesa As cartas deste jogo, em viciada fonte Deparam com o mundo e nele o que se aponte
Enfrenta sem talvez ainda em vã firmeza Um átimo ou quem sabe em nova correnteza A pressa se desenha e toma este horizonte Cadenciando o passo além de qualquer ponte,
Não tento acreditar no quadro que desnudas As faces mais sutis, e as armas mais agudas As noites de verão, as tramas infernais,
As horas gelidez em dias invernais E nada se apresenta após o quanto quis Somente vejo na alma a imensa cicatriz.
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Dos erros juvenis apenas o que trago Expressa o que não quis e sei do velho afago Blindasse esta esperança em tom suave e claro, Mas quando outro caminho; ainda o despreparo
Estimulando a queda após o fim divago E tanto quanto vejo o mundo em mesmo estrago Representando a luta e nisto onde me amparo Enfrentaria o frio e sigo e nem reparo.
Elevo o meu olhar além de tal montanha A cordilheira traz a vida sem barganha E o nada se apresenta aonde o todo fora,
Imagem mais sutil desta alma sonhadora, Marcada pelo caos; e nele, novo engodo Aonde quis o passo enfrento lama e lodo.
Somando cada estorvo apenas vejo o fim E sei do quanto possa em tétrico jardim Medonhamente expondo a minha plenitude Ainda que talvez o tempo já se mude,
O manto se transforma e bebo deste gim Negando sem saber o quanto resta em mim, Somando o que viera e nada mais ilude Quem sabe o dia a dia infausto e mesmo rude,
No prazo onde se dá verdade mais audaz, Aurífera esperança a vida sempre traz, Porém nova ilusão e dela o que se vê
Não mostra a dimensão da sorte em seu por que E o cálice quebrado, o vinho derramado, A luta noutro canto, o todo desmembrado.
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Neste inconstante passo, o prazo determina O fim de cada sonho e sei quanto é ladina A luta sem sentido ou mesmo sem proveito E sinto que em verdade o fim eu sempre aceito,
A noite que pensara ainda cristalina Desenha o quanto pude e tudo me extermina Dissimuladamente o pouco dita o pleito E nada do que veja expressa algum direito.
No cântico suave uma ave não alcança Sequer o que pudesse ou mesmo uma esperança Encantadoramente a noite em estrelar
Desenho poderia ao menos nos traçar Um tempo mais bonito e sei do quanto é falso E após este cenário encontro o cadafalso.
Cumprindo o meu dever ou mesmo até tentando Depois de um descaminho um dia bem mais brando, Apresentar a cena e crer noutro sentido Do mundo tanta vez inútil, resumido,
E vejo o palco da alma aos poucos desabando O marco noutro engano em noite se tomando, Escassamente tento e nisto o que lapido Envolve sem segredo o canto presumido.
Encontrei decerto o ponto onde pudera Ainda sem sentido em voz e luz sincera Desvendar o que trago em tom sutil e claro,
E brindo com meu sonho aonde o que preparo Expressará sem rumo o medo em desvario, E nada do que possa, amigos, desafio.
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Amante do que tanto um dia imaginei Bebendo com fartura o vinho que sonhei, Agora abandonado em bares infelizes, O quanto do que tento ainda contradizes,
Não posso te dizer desejara ser rei? O tanto que em verdade apenas desenhei Enfrentará decerto o tanto dos deslizes Vencendo no final imensidão em crises.
A idade não permite um gole de esperança O mar que não vesti, a sorte não me alcança E o canto sem proveito, o karma que desnudo
O tempo noutro passo em tom atroz e agudo As fugas sem sentido e o manto se puíra, Amor que desejei, apenas vã mentira.
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Fingindo algum lugar aonde possa ter Semente desenhada no solo do prazer, Dos grãos que no final ainda não cevaste Apesar do vazio apresento o desgaste,
E quando no final envolto em teu querer O caso sem sentido o mundo passo a ver, E sei do que talvez amiga sonegaste, Narcísica vontade e nela mal notaste,
O velho inebriado, o fim em solidão, As armas que guardada em vão neste porão E o peso de uma vida há tanto abandonada
Jorrando sem sentido a cada encruzilhada O tempo noutro caos, arcando com o engano, E sei que no final, apenas eu me dano.
Distribuindo o sonho a mocidade tenta Com toda esta incerteza ainda em vã tormenta Singrar onde talvez a sorte não veria E crer na procissão em plena fantasia,
Depois quando desnuda em cena mais atenta Explode em tom sutil e morta se apascenta, Contendo no final a redenção/sangria E possa acalentar apenas velho dia.
Infortunadamente o quanto disto sobra Em alma sem limite ainda não desdobra O fim e impaciente aguardo algum relance
E nada do que possa apenas não se alcance Restrita sensação de mundos sem proveito, Porém sem mais limite além do sonho eu deito.
Quisera ser talvez apenas mansa fonte Da vida sem tormento e nisto o que desponte Exprime o meu cenário em tom diverso e rude, No caos já desenhado aonde o nada pude
E merecendo enfim o quanto não aponte Blindagem que se busca apaga este horizonte, E quando se amortalha a sorte em juventude, O verso sem caminho apenas desilude.
Meu mundo de tal forma eu pude conceber E nisto o que talvez expresse algum prazer Já não mais se desenha além da tempestade,
O vento sem caminho e nisto se degrade O prazo sem promessa a fonte inesgotável E nada do que trace expresse um mundo arável.
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Ocasionando a queda envolta no vazio Eu tento acreditar e mesmo desafio, Em tom aonde a vida envolve e já discorde O tempo se perdendo em rude e ledo acorde
No pranto derramado o tempo em duro estio O canto sem sentido o mundo em desvario, E nada do que possa a vida ora recorde E tento imaginar ainda que me aborde
O fim sem previsão da noite sem sentido E vejo o quanto quero e mesmo dilapido O marco mais atroz em discordante passo,
E nisto o que se vê ainda já desfaço O vento se aproxima e trama novo rumo, E quando me concebo aquém do mar me esfumo.
Não tente imaginar a vida onde talvez O que me restaria invade a sensatez E nada além naufrágio ou mesmo em discordância Tramasse sem sentido o peso em tal estância
Vergando sob a força espúria aonde crês No tanto que perdi e nada mais se fez A vida em avidez presume militância, Porém o quanto resta expressa noutra instância
A velha previsão da perda desta luta, E mesmo quando a gente impávido reluta O canto não ecoa e a força não se faz
Deixando o dia a dia e tudo para trás Ocasionando a queda envolto no não ter Restando muito pouco, esqueço amanhecer.
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O vértice da vida aponta para o nada E o preço a se pagar, a face degradada A miserável marca envolta em noite escura A manta que regride a força em amargura
Abismos sob os pés, a queda anunciada A noite há tanto tempo ausência de uma estrada A marca sem sentido, a falta de ternura E tanto quanto eu quis a vida só tortura,
Não tento caminhar e sei que assim parado O tempo noutro ocaso apenas já degrado E lanço a minha voz inválida promessa
E tanto quanto eu pude a sorte ali tropeça Arisco sonho da alma em caos ou mesmo medo E brindo com meu fim aonde o vão concedo.
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Um antro sem valia, a súcia da esperança Espalha na horda espúria a voz que não alcança Sequer o que pudesse ainda presumir A vida na verdade esquece o que há de vir
E quando desejara apenas outra, mansa A marca se desnuda e veste esta lembrança O medo sem caminho e nada a se sentir Somente o que talvez impeça de existir
Uma alegria ou mesmo alguma luz após, Depositando o sonho em turva e suja foz, Na poluída noite estrelas que não vejo,
A sorte desenhada em ledo e vão desejo O mundo sem sentir o quanto se anuncia Impede o que se creia apenas noutro dia...
Um velho sem caminho, um medo toma o sonho E bebo do que possa e nisto decomponho A senda predileta em luz adormecida Ainda resumindo o pouco em minha vida,
E nisto o meu retrato expressa o tom medonho Aonde poderia e mesmo se risonho Jogado sobre o nada a sorte envilecida, Se um dia fui poeta, a noite me invalida
E vindo do passado o som da tua voz Não deixa que se veja amada nada após. A roupa ora puída a luta sem sentido,
O vento como abrigo, o manto apodrecido, E as tramas do que fui um velho vagabundo Aonde nada resta ali eu me aprofundo.
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Um andarilho segue e sem algum descanso Aonde fora a morte, ali vira remanso E bêbado talvez ainda tento a sorte Embora na verdade o fim ora conforte,
E tresloucadamente estúpido, ora danço E beijo a luz da lua, e nada mais alcanço, Somente a desventura e nela fiz meu norte A vida sonegara o brilho como aporte,
Resgato em verso e sonho o pouco que inda tenho, E tanto quanto pude; agora em ledo empenho Esgoto num esgoto o todo que inda sobra
A vida se desnuda e sei que em cada dobra Não tendo mais saída acendo esta fogueira Marcando com a dor aonde a luz se esgueira.
Não posso acreditar ainda na esperança E o tempo sem sentido o quanto inda me alcança Não tento novo rumo e sei do que me resta A luta sem proveito em noite mais funesta
Apresentando o corte e nele o que se avança Exprime no final a ponta desta lança Sangria se traduz amigo em cada fresta E tanto imaginara a vida em luz e festa...
A imensa cicatriz exposta no meu rosto O olhar já sem o brilho de quem se quis exposto Aos ventos entre os quais pudesse ter em mente
O quanto se aprendera e nada se apresente Somente o mesmo engano em tom rude e fatal A pútrida verdade e nela a pá de cal…
Termino de tal forma a leda exposição Do que jamais se fez além da solidão Um eremita? Engano, eu sei que na verdade A cada passo em falso a vida mais degrade,
E visto de tal forma o mundo em seu senão Enfrenta sem sentido a fúria do vulcão Deixando sempre ao léu a tola mocidade, O tempo se fizera em vaga tempestade,
Valesse sempre a pena, o quanto a vida tenta Moldar sem mais sentido além desta tormenta O canto em discordância a voz sem mais sentido,
E quanto mais eu busco em vão me dilapido, E o que me resta agora, a noite já desfralda Quasimodo morrendo em torno de Esmeralda...
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