
AS PERIPÉCIAS DE UM AMOR
Data 07/03/2011 15:50:52 | Tópico: Textos -> Tristeza
| AS PERIPÉCIAS DE UM AMOR
DRAMA EM 2 ATOS
PERSONAGENS
ROGÉRIO – MÉDICO 40 ANOS MAIS OU MENOS SOLANGE – ESTUDANTE DE JORNALISMO 20 ANOS RENATO – AMIGO DE RICARDO TAMBÉM COM 40 ANOS O ESPECTRO DE LARA – SOMENTE UMA VOZ CLARA – 50 ANOS, MAS EXTREMAMENTE ENVELHECIDA
Cena 1
Cenário casa de Rogério – um apartamento funcional no Leblon, tipo um flat.
Pudesse tanto amor traduzida esperança Viver o quanto quero e sei que agora alcança Depois da tempestade algum momento em paz Verdade não se cala e novo passo traz
Quem procura decerto aos poucos já se cansa Só sei que do que sei a vida ao não me lança Pudera após a queda um dia ser capaz De sentir finalmente o quanto satisfaz
Deixando para trás os enganos comuns Momentos de alegria, eu sei que tive alguns A sorte traiçoeira expressando o vazio
Tanto quanto eu pudera ainda desafio Bebendo mais um gole esta aguardente dita Lembrança do que a vida ainda diz, aflita.
Se eu feliz um dia, agora me cansei Depois de procurar a luz em cada grei O amor já nada vale e sei quanto pudera Trazer sem serventia a solidão, quimera
Até que na verdade; algum momento; ousei E desta sensação ainda o que cantei Explode sem saber se resta primavera Depois de estar calado o mundo traça a fera
Atocaiada sorte em tom quase venal Matando o que me resta em ritmo desigual De Lara nem notícia, a vida segue assim,
Do filho que ela espera à sombra no jardim, O medo desarvora e traça sem sentido O quanto desejei e agora dilapido.
Ricardo há tanto tempo eu sei que se escondeu Nem atendendo mais algum chamado meu A noite se aproxima, o dia recomeça Amor já não passara ao menos da promessa
Inebriadamente o todo se perdeu Num passo sem sentido e nisto se perdeu O rumo desta vida enquanto além tropeça Vivendo sem saber o quanto se confessa
Do sonho mais agudo ou mesmo pesadelo, E quantas vezes tento enfim poder vivê-lo, Amor que sem juízo invade outro planeta,
E mesmo quando possa em vão já se arremeta A porta já fechada; o tempo nega tudo Querendo ao menos paz, ao fim me desiludo.
Perdendo alguma chance ou mesmo acreditando Transito no não ser e vejo em contrabando Singrando este oceano em plena fantasia E quanto mais anseio eu sei não poderia
Viver a plenitude e mesmo desabando Castelo de ilusões cabeça já rodando Imagem misturada em torno do que um dia Gerasse algo maior, em luz ou alegria.
Inútil caminhar em meio aos pedregulhos O todo não traria ainda tais mergulhos E envolto na saudade, um gole ou outro além
Apenas o não ser ainda me convém Depois da tempestade ausência de bonança E neste tempo escuro, o passo enfim me lança.
Recomeçar a vida é tudo o que resta Quarenta anos de sonho, aberta nova fresta Viver cada momento e que se dane tudo, Assim sem ter mais pejo, aos poucos me transmudo,
A noite nos convida e traz em cada festa Nova oportunidade e assim a sorte atesta E mesmo que talvez em tom audaz e agudo Ficar aqui parado? Um ancião sisudo?
Partir para a balada e ver o que virá Vibrando em novo amor, e começando já Passado sem proveito? Aproveito o futuro
E tudo o quanto quero amigo eu asseguro Que vale sempre a pena o beijo sensual No que deixei atrás a velha pá de cal.
A noite fervilhando e nela se apresenta A sorte desejada e venço esta tormenta, Uma boate e basta. A noite nos convida E dela se refaz o que perdera em vida,
A solidão só traz a dor que sempre aumenta Ligar para Renato, e o todo se incrementa Deixando esta saudade há muito amortecida Vivendo o que interessa encontro em tal saída,
O brilho dos neons em noite e fantasia Ainda quanto possa encarar a alegria Que dane-se a vadia e seja então feliz,
E ter o mais queira além do que já fiz, Quem vive do passado, eu sei vira museu E o mundo se renova e sei que é todo meu.
Cena 2
Num bar, sentado com Renato numa mesa enquanto a música rola em ritmo de dance com belas mulheres à volta. Olha fixamente para uma com seus vinte anos e convida-a para sentar. Ela se aproxima e se apresenta.
“Tudo bem? O meu nome é Solange, e o teu?” Rogério; e que prazer. Em ti se percebeu A gata mais bonita, e posso até dizer Bem mais do que eu mereço e nisso passo a crer
Na sorte sem medida, e assim me convenceu Que existe na verdade além do imenso breu A vida em tal clarão e nele passo a ver A estrela mais bonita que pude conhecer.
Renato, meu amigo; e sente-se querida, Renascendo em Solange, eu sei, a minha vida Depois de tanto tempo, enfim a claridade
Tomando este cenário enquanto agora invade Mudando a direção do imenso vendaval, Quem sabe a sorte trace um rumo desigual?
Perdoe se pareço um tanto complicado, Meu mundo eu te confesso, está meio virado, A solidão me trouxe o medo de sonhar, E quando te encontrei revejo devagar
O todo que pensei há muito abandonado E a vida anunciando em seu claro recado Um mundo aonde eu possa até imaginar Que a sorte se apresenta em novo clarear.
( Renato se levanta e se despede)
“ O quê que você faz, Rogério? Não esconda.” Sou médico, querida e adoro pegar onda, Agora num plantão eu levo a minha vida,
A idade vai chegando e você, pois querida? “Eu faço jornalismo e busco com certeza Somente ser feliz, em vida sem surpresa.”
Também é o que preciso e nisto já se vão Quarenta anos querida e sei da dimensão Da vida sem sentido e quando se aproxima Uma esperança o tempo explode em novo clima,
Mas vivo com certeza em busca da emoção Que possa traduzir além da direção Do barco onde se quer e nisto na auto-estima O tanto desejado enquanto a vida prima
Por ter após a queda outro momento e sei Do privilegiado anseio onde busquei Viver cada momento até que se perdendo
Traçar deste cenário um novo, e sem remendo Das cinzas renascer e ser bem mais audaz, E nisto com certeza o amor deveras traz.
Jogado sobre o quanto ainda imaginara A luta se transforma em noite imensa e clara A lua adentra a fresta e gera novo estilo Enquanto sem temor, assim tento e desfilo,
Vagando aonde possa imaginar seara Tão bela que se veja a vida imensa e rara, Os erros do passado? Agora mal perfilo E vivo em plenitude e nisto sem vacilo
Seguindo cada raio e nele outro momento O sonho desejado em paz eu alimento, Quem dera se pudesse em expressão suave
Viver o quanto tenha e nada mais agrave O canto de um poeta há tanto sem surpresa Jogando cada carta exposta sobre a mesa.
“Embora seja nova, a vida me transforma E bebo uma cerveja, e sei do que se forma A cada geração a mesma e velha história A solidão explode e busco uma vitória,
A luta se desenha e nisto o que me informa Explicação que tento atenta em velha norma, Juntando cada caco, ainda quero a glória Do amor que já se foi e nele a merencória
Vontade anunciando o tanto que se quer, Sem ter uma certeza e nem mesmo sequer O rastro do cometa aonde se desenha
A luta sem igual, e nada mais contenha O coração que queira após a tempestade Apenas a bonança e a luz que agora invade.”
Deixemos para lá o sofrimento e a dor, Vivendo este momento e seja como for, Tu tens esteja certa a boca mais bonita E um beijo tão somente esta alma necessita
E sei do que talvez ainda irei propor Um colibri quem sabe encontra em ti a flor Minha alma dolorida, às vezes mais aflita Explode em alegria ao vê-la e quer e fita,
Olhar como horizonte aonde possa então Viver cada momento em paz ou sensação Diversa da que tanto outrora conheci,
Beijar a tua boca, e ver o mundo em ti, Uma esperança a mais, e dela me alimento, Depois de tanto tempo, à luz deste momento.
- beijando-a levemente é logo correspondido.
A noite ora me exige um complemento e quero Deveras depois disso, e sendo mais sincero Aqui já não comporta o quanto que se quis Vivendo imensamente o ser e além feliz,
A vida nos convida e quanto tempo espero Singrar este oceano etéreo após o fero Sentido em solidão e sei e peço bis, No palco da emoção o ator deseja atriz,
Sigamos noite afora e sem nada que impeça Façamos da esperança a nossa imensa peça Sabendo nem que seja apenas um segundo
Em ti querida eu tento e sei quanto me inundo Sem nada além de nós um tempo em esperança E nele o que se quer agora a sorte alcança.
Saindo os dois do bar, em direção ao prazer...
Cena 3,
Um motel Solange e Rogério abraçados, conversando calmamente após...
Há quanto tempo não tinha uma noite dessas... E quando se imagina o fim tu recomeças. Porém querida eu sinto às vezes tão distante O olhar que me envolvera; um tanto provocante.
As noites divinais e nelas sem ter pressas, Mas vejo que pra além os sonhos endereças Talvez até me engane, ou mesmo se garante Defesas tão sutis, e a cada novo instante...
A vida me ensinou, perdoe minha amiga Que quanto a sorte muda e a gente não consiga Vencer cada temor; aumentam-se defesas
As cartas não se vêm expostas sobre as mesas E assim talvez por medo ou mesmo noutra face, O quanto se procura a gente não mostrasse.
“Depois de tanto tempo envolta no vazio, Decerto algum momento eu tento e desafio, Mas é tão complicado agir escancarando O olhar sem horizonte? O trago desde quando
O mundo desenhara além do desvario A imensidão de um não, exposto em ar sombrio, Eu tento e até consigo, um dia disfarçando, Porém vejo o castelo em mim já desabando.
A dor que se apresenta explica o meu passado, O amor que nunca veio, o passo abandonado, A mãe louca e doente, o fim sem ter começo,
Talvez alguma escusa, enfim eu sei mereço, Mas tento de tal forma esconder o que sinto, Vulcão de meu desejo eu sei, jamais extinto.”
Perdoe se te falo, ou mesmo se inda tento Trazer o que em verdade explode em sofrimento, Apenas não consigo e nunca mentiria O sonho vale a pena; e viva a fantasia,
Mas quando se observando e estando mais atento, Percebo que se foge além o pensamento, E o quanto fosse bom às vezes perderia Por um detalhe ou outro a força em sincronia,
E quando isso acontece, eu sinto e sei diverso Do quanto desejei e neste encanto imerso Traduz alguma fonte e nela em horizonte
Disperso do ideal, ainda já desponte A bruma de um passado, ou mesmo do presente E o olhar que ensimesmado às vezes se apresente.
“A vida tem em si detalhes dolorosos E quanto mais se pensa em temas pavorosos A gente se afastando aos poucos do real Expressa o que se sente, às vezes bem ou mal.
Caminhos que procuro enquanto caprichosos Escondem na verdade os sonhos majestosos, E ao fim o quanto resta em ar tão desigual, Impede que se tente algum novo degrau.
Aprendi muito cedo a coordenar os passos Envoltos pela noite em raios tão escassos, E assim ao desnudar minha alma sem cuidado,
Bebendo bar em bar, um tempo desenhado Na adolescência morta envolta nos mistérios Do amor que se fez frio, em falsos vãos critérios.”
“Crisálida abortada, a larva continua E segue sem sentido, envolta em noite nua, E um gole de cerveja ou mesmo de aguardente Presume que se possa ousar e ser contente,
A senda mais atroz, andando em cada rua Bebendo da esperança em nova e clara lua, A filha tão amada, o nada que aparente Em frágil estrutura agora se arrebente,
Talvez já pouco importe o quanto eu sinta ou não, O sol extraviando enfim a direção Levando para além o que tu viste aqui,
O medo sem encanto, amor que nunca vi, Desejo que se mata, a marca da pantera Apodrecida e morta, apenas numa espera.”
Solange, por favor, não sou o que tu pensas, As horas do teu lado em doces recompensas Fizeram deste caos um novo ser, garanto, E o todo que se erguendo em novo e belo encanto
Permite-me que tente além do que convenças Ousar em ser bem mais que noites vagas tensas Gerando dentro em ti, quem sabe um novo canto, Ou mesmo aliviar algum torpe quebranto,
Não temas minha voz e nem sequer meu sonho, Apesar do sofrido um tempo ora componho, Preciso estar contigo e tenho o que falar,
Além de na verdade estar e te escutar Unindo a caminhada em busca da manhã Talvez a nossa voz não seja tão malsã.
O sol está nascendo e a vida deve além Tu tens a faculdade e o meu trabalho vem Já nada mais agora eu posso aprofundar, Porém a nossa história ainda há o que falar,
E quando se aproxima e sente o quanto bem Transmite cada frase, o todo nos provém E sinto que talvez à noite, o mesmo bar, Encontre do teu lado, aonde navegar,
Espero-te decerto e sei que tu virás Há tanto por dizer e sinto em ti a paz Que um dia procurei e nunca imaginara
Poder já renascer em mim após a escara, Assim querida amiga, as oito lá te espero, Eu sei do quanto quero e sabes, sou sincero.
“As oito eu estarei e não irei fugir, Preciso te encontrar e sei que meu porvir Talvez eu possa crer estar ao lado teu, Depois do que em verdade a vida não me deu
Um sonho pra sonhar, e não irei fingir, O tanto que se vendo expressa este elixir E nele o quanto sinto em nós se concebeu Amigo, amado amante, o encanto todo teu
Explode mansamente e toma dentro da alma A sensação divina agora que me acalma, E possa estar bem certo, o tempo não se nega
Durante tanto tempo andando amarga e cega, Quem sabe eu possa enfim saber felicidade? Ou mesmo o que me aplaque um pouco a crueldade”.
Despedem-se.
Cena 4
No mesmo bar da noite anterior, agora sem músicas e dança, apenas um som suave e ambiente.
A minha história, amada é feita de ilusões, De amores que perdi, ou mesmo decepções Durante certo tempo acreditei na vida E quanto mais pensara encontrar a saída,
Apenas encontrara as frágeis emoções, E nelas o vazio em tantas dimensões, Um erro costumeiro, a sorte em despedida A senda imaginada agora já perdida,
Um caso em desamor, a senda mais cruel Vestida num anseio o mundo em carrossel E quem se fez amada, amante e companheira
Além de qualquer sonho, agora já se esgueira E leva ora consigo o filho em incerteza Fazendo da esperança apenas sua presa.
A culpa fora minha? Eu sei também errei Amar quem não podia e crer no que sonhei, Somente não pensava ao fim na traição E tenho como herança apenas solidão,
O passo no vazio aonde mergulhei, A sorte sem destino, a velha e dura lei E nela o que viria encontra a explicação Na sórdida presença explícita do não.
Porém o tempo pune e no final da história O quanto inda restara amortalha esta inglória Vontade de talvez um dia ser feliz,
O tempo nega o passo e tudo contradiz O sonho de quem fora ao menos num segundo O dono da esperança em tom audaz, profundo.
E Lara na partida, a carta em despedida Deixando para trás o quanto fora vida E após a desventura o mundo se negando Somente o mesmo quadro atroz e mesmo infando,
A nostalgia ronda e gera sem saída A luta que tentei e nunca se decida Teatro de uma sorte e nele se encenando O prazo determina o fim de um sonho brando,
E o corte na raiz matando o quanto sobra, Eu sei que na verdade o mundo tanto cobra E nada por fazer, somente o desespero,
A dor que ronda o sonho, o velho destempero, Até quando cansado espero algum relance Apenas o vazio que toma e sempre avance.
Eu sei que era casada e nesta sensação Do fim da vida a dois, a sorte em negação A luta em desafio aos poucos se desnuda E a solidão se torna atroz e mais aguda,
Os dias refletindo o mesmo e eterno não, O prazo determina o fim deste verão E quanto mais se quer sequer a luz ajuda E nada do que possa enfim a vida acuda,
E o resto de uma voz distante e sem sentido, Meu mundo no não ser; há muito resumido, O peso sobre mim e o tempo sem proveito,
Enquanto solitário à noite enfim me deito, A sombra do passado adentra no meu quarto E para onde eu não sei, só sei que enfim eu parto.
De todos os que outrora um dia frequentara Renato foi talvez quem sabe e mesmo ampara O passo dado em vão, a imensa turbulência A vida se repete e sei sem indulgência,
Apenas no trabalho a sorte se escancara E bebo em plenitude a vida em luz tão rara, Quem sabe no futuro ao ver nova ciência Felicidade enfim encontre a competência
E possa redimir meus erros de quem sonha, A sorte se anuncia agora vã medonha, E quando te encontrei, deveras imagino,
Que possa até tentar à sombra do destino Um novo caminhar em noite mais suave Sem nada que destroce ou mesmo tanto agrave.
Talvez até pareça uma banalidade O caso de um amor, cenário de saudade, Um abandono a mais, ou mesmo sem sentido, O mundo se transforma a cada dor e olvido,
Ainda quando a luz em sonho agora invade Expressa tão somente a voz da claridade Distante de um olhar há tanto já perdido, Presumo que isto seja um passo desvalido,
Mas nada mais importa, a porta que se abrindo Promete em teu olhar algum momento lindo, E sinto em teu perfume a maciez do vento
Mudando a direção do espúrio sofrimento E nisso o que se vê talvez já me redime Ousando acreditar num dia mais sublime.
Só sei que depois disso a vida trouxe a face Amarga aonde eu pude e nisto a sorte trace Apenas desventura e tente amanhecer Sem nada que consiga ainda dar prazer,
O mundo se apresenta em velho e tolo impasse Por mais que a solidão às vezes me trespasse Depois de novo tempo o todo possa crer Num dia sem temor, um belo amanhecer
Embora saiba tanto o quanto se perdendo Não deixa que se veja além deste remendo E nele este fantoche ainda quase vivo
Trazendo cada sonho enquanto além me privo Do verso e da esperança ou mesmo quando vem Do olhar que ronda em volta e nele mais ninguém.
Já não me caberia ousar felicidade, Mas pelo menos busco enfim tranquilidade E sei do meu anseio e nada mais viria Sequer o quanto possa em leda fantasia.
A morte? Isto jamais, eu luto na verdade Tentando quem me escute ainda quando brade, E beijo a mais distante e louca alegoria Talvez inda consiga, embora em poesia
Falar do que ora sinto e crer noutro momento, É tudo o quanto quero e assim isto eu fomento Bebendo gole a gole o sonho mais audaz,
E nele o quanto a sorte ainda vem e traz, Fugaz uma esperança explode o coração, Depois de tanto tempo, ainda há solução?
E quando enfim te vi, Solange, eu conhecera Quem tanto na verdade eu sei já padecera Sabendo em consonância a vida que passei, Ousando com certeza em dura e leda grei,
A vida se perdendo em frágil, torpe cera Refaz após o nada e assim ora tecera No renascer da cinza aonde mergulhei A glória do que venha e nisto eu estarei
Depois de certo tempo, ou mesmo após a queda Sentir esta expressão enquanto a vida seda E ter noutro momento a paz que tanto anseio,
Seguindo uma esperança e mesmo noutro veio Talvez a foz em ti, ou mesmo algum apoio Renasça deste estio, a mina e o nobre arroio.
Perdoe se te canso a história é tão banal, Abandonado e só. É quase natural E na verdade eu sei o quanto é corriqueiro, O mundo tem jardins, faltando jardineiro.
E vejo noutro rumo o velho e bom astral, Mas sei o quanto dói embora sempre igual Caminho sem certeza, um tanto quanto useiro, O canto sem resposta, estio no canteiro,
Amor se ter amor a mesa sem valia, Fartura de esperança ausência de iguaria, E o verso sem proveito, ou mesmo desvalido,
Apenas o que importa, e nisto mal lapido O sonho que se vai e nada deixa atrás Roubando na verdade o quanto quis em paz.
É hora de te ouvir, Solange moça bela O sonho de uma vida em ti já se revela E o tanto quanto eu quis agora não importa Abrindo o coração transponho a tua porta
E o barco que se adentra em mar, abrindo a vela Talvez possa ancorar ou mesmo rota a cela Saber libertação aonde a dor aporta E assim esta lembrança ao fim esteja morta
Num ato em concordância um dia surgirá E sei que quando o sol em ti renascerá Quem dera estar contigo e assim também bebê-lo
Deixando no passado o espúrio pesadelo, Além deste horizonte poder imaginar Quem sabe, minha amada, imenso e claro mar...
“Entendo esta aflição, amor causa tormento, Porém quando eu te falo o sonho que lamento Não diz de algum anseio ou mesmo de outro passo Somente do vazio aonde agora eu traço
O prazo se esgotara envolta em turvo vento E neste caminhar exposta ao sofrimento, Do quanto desejei sequer algum escasso Caminho aonde pude enfrentar tal devasso
Momento sem proveito em luta desigual, Vagando sem sentido em turvo e louco astral, A senda mais cruel, o céu em abandono,
Menina sem apoio, um cão louco e sem dono, Em rua mais escura, a queda se anuncia Olhar já se perdendo, aonde quis o dia.”
“ Nasci na classe média, em nome de um amor Que nunca fora além de mera e tosca flor Jogada num quintal, abandonada ao vento, Cerzida pelo vão em pleno sofrimento,
De minha mãe revejo imagem feita em dor E nisto o que me resta expressa o decompor De quem se fez atroz e nisto o pensamento Perdendo qualquer rumo em claro desalento.
Refém de uma esperança aonde nada vinha Somente a mesma cena em noite mais daninha, Meu pai? Não conheci, e sei que não soubera
Do nascimento meu e sendo mais sincera Jamais eu poderia ao menos procurar A fera que em verdade eu nunca pude amar.”
“Um lobo simplesmente, um traste e nada mais, Olhando para além em atos tão venais, Apenas sem sentido e sem razão alguma Quem tanto nada quis aos poucos já se esfuma
E vejo o seu olhar imerso em brumas tais, Trazendo tão somente espessos temporais, Minha alma pouco a pouco ao nada se acostuma E bebo a solidão, enquanto a vida ruma
De casa em casa fora história sem sentido O tempo que restara há tanto desvalido, Sem ter algum sossego ou mesmo uma paragem,
Felicidade e paz? Apenas vã miragem, E quando adolescente em busca de carinho, Olhando para o quarto, um ar seco e daninho.”
“Um cão sem dono segue e busca algum afeto, E quando se aproxima o cheiro predileto De quem algum momento apenas educado Brincara com tal cão há tanto abandonado,
Um corpo se anuncia e nisto mais completo Anseio se permite e o dono vira inseto, O sexo sem prazer o corpo desarmado, O sonho sem sentido, o não anunciado,
E tudo o que pensara explode sem razão E ao cão já nada resta em nova decepção, E quase escorraçado exposto em tantas ruas
Ainda sem sentido algum segues e atuas Vacante coração em noite anunciada Sarjeta após sarjeta em pária madrugada.”
“Sobre o meu coração a vida me trouxera Apenas a incerteza e sei quanto insincera A sorte de quem tenta e nada mais teria Sequer o quanto anseia em leda fantasia,
Ainda quando muito ou pouco o que se espera Pudesse acreditar em nova primavera, Rondando o meu caminho em mera alegoria, Mas nada do que tento ao fim já se veria,
Vencida pelo ocaso em nada pude crer Somente a mesma face estúpida a trazer Depois do temporal imensa inundação,
E o mundo que eu quisera encontro em solidão, O tempo se transforma e torna a refletir A falta de esperança e nada no porvir.”
“A cada nova queda, a sorte se afastando O quanto se anuncia eu vejo mais infando E tento sem sucesso alguma luz após, Já nada me trouxera ainda o sonho e a voz,
Vestida de ilusão, a luta anunciando O fim da velha história ou mesmo em contrabando O próprio caminhar agora eu sei algoz E o canto sem resposta um tanto mais feroz,
Bebendo cada gota ou mais que ainda venha Perdera deste cofre a chave e mesmo a senha Não tendo solução que possa ainda ver,
No tanto desejado apenas desprazer Meu rumo sem sentido, o passo sem razão, E ao fim de cada engano, a mesma solidão.”
“Há tanto procurei um canto aonde a luta Depois de tanto tempo invalidez se escuta E permutando a sorte ou mesmo sem barganha Partida que sonhara há tanto sendo ganha
Nas tramas mais sutis e quanto mais reluta O passo noutro engano, a senda audaz e astuta A imensa cordilheira esta alta e vil montanha O salto sem proveito, a sorte mais tacanha,
E o preço a se pagar, o vandalismo expõe O mundo que em verdade eu sei se decompõe E nada deste encanto ousasse perceber,
A luta se desenha em tons de desprazer Versando sobre o vão, imensa noite em dor, Apenas sem saber um canto redentor.”
“As ruas, noites, trago ainda como alento, Depois do nada ser aguardando um momento Aonde a sorte mude e trace nova voz, Deixando mais suave a queda em rude foz,
Apenas vejo amigo o dia em sofrimento, A faculdade traz um brilho em que alimento O quanto poderia estar além e após Depois talvez quem sabe, um dia faça a pós
E veja com clareza alguma expectativa O que me importa enfim, é que ora sobreviva E vença a tempestade e veja na bonança
Além de simplesmente a frágil esperança A fonte que permita o respirar no fim, Antes que esta loucura invade tudo em mim.”
O quanto me disseste expressa muito além Do simples desafeto e quanta vida tem No olhar que extasiado exprime uma vontade De ter outro caminho em rara liberdade,
O mundo se anuncia em pleno e vão desdém, Mas sei do que pudesse e nisto me convém Falar com mansidão do quanto ainda invade O coração de quem buscou felicidade,
Espero qualquer tempo aonde a luz se faça Mudando a sensação vazia desta praça Num ato mais feliz ou mesmo corajoso
Trazendo ao sofrimento algum prazer e gozo Entendo o olhar alheio e peço que tu venhas Seguirmos lado a lado até onde convenhas,
Já não suportaria estar sem ter contigo O mundo em discordância atroz e desabrigo, Percebo que em nós dois há mais que algum detalhe Ainda quando o sonho expresse e ora retalhe
Traduzes sem sentir o quanto ora persigo, Quem sabe na verdade em paz hoje eu consigo Sentir no teu perfume o tanto que batalhe A vida num anseio e mesmo quando falhe
O dividir promete além de mera soma, Multiplicando a luz do sonho que nos doma E ver após a queda o brilho que orienta
Na voz sempre suave além desta tormenta, Um manto quando cubra e trague algum calor Talvez já determine o raro e nobre amor.
Nas ânsias de um caminho em tantas noites vejo O tempo mais suave e nele o que ora almejo Vencer a solidão e mesmo quando trace A vida sem sentido ou turve e leda face,
Um templo se desenha em ar claro e sobejo, Vestindo a fantasia e nela o que desejo Decerto outro caminho aos poucos se mostrasse Limites do vazio, amor ultrapassasse.
Jogados pela vida, em cantos mais diversos Unindo o quanto resta altares, universos Em versos e canções, momentos mais felizes
E nisto o quanto quero e sei não contradizes Talvez já nos permita o amanhecer em paz, Enquanto o dia a dia o sonho ora nos traz.
Resulto de uma esfera audaciosamente Em voz tão turbulenta e sei quanto apresente Dos erros de uma luta há tanto sem proveito E quando solitário enfim aquém me deito,
O mundo desenhando envolto em minha mente Buscando quem decerto aos poucos me apascente Depois de tanto não a vida poderia Trazer a quem lutara ao menos a alegria,
Que tal seguir comigo em busca do futuro? Um tempo mais suave eu sei e te asseguro, Talvez se precipite um novo amanhecer
Bebendo em claridade apenas o prazer, Um cão abandonado, a noite em vil sarjeta Dois astros sem cuidado uma união prometa.
Ousando ser feliz ou ter o lenitivo Que tanto necessito e sei o quanto vivo Buscando alguma luz depois da tempestade, E quanto mais vagando à toa na cidade,
Ainda que liberto eu sei que sou cativo, E tanto quanto possa olhando mais altivo, Jamais eu beberia em tanta claridade O sonho onde se veja a imensa liberdade,
Tu não tens nada e sei que nada também tenho Pousando no jardim, um raro desempenho Trazendo cada grão e nisto semeando
Um tempo mais feliz e mesmo até mais brando, Desejos desiguais? Não creio, mesmo assim E quanto mais sutil te vejo dentro em mim.
Talvez isso te assuste. Eu sei do que ora falo, Cansei de ser na vida apenas um vassalo, E embora te pareça um tanto desvairado, O amor não se pergunta, o vejo desenhado
Rondando cada passo e nele não me calo, Apenas a certeza de enfim poder traçá-lo Nas tramas do infinito e nisto acompanhado Vivendo nosso sonho amada lado a lado,
Unir cada momento e crer no libertário Anseio que se molde em mesmo itinerário, E assim de dois sutis caminhos um só passo,
E neste desenhar a imensidão eu traço, Trazendo a cada instante o quanto desejei Fazendo da esperança além do que busquei.
E nada impediria o nosso caminhar Envolto pelo raio imenso de um luar, Cerzindo e até tecendo um dia mais suave Sem nada que me impeça ou mesmos nos agrave
Bebendo da alegria e nada perguntar, Apenas neste encanto em brilhos mergulhar A liberdade expressa o sonho de alguma ave O amor por companhia empresta a rara nave
E dela se adentrando o etéreo sideral Num tempo mais feliz um canto sem igual, Consensual desenho em noite mais sublime,
E quanto mais se quer, amor tanto se estime Cansado de lutar inutilmente agora, Eu vejo em ti o sonho e nele a luz se aflora.
Criando no futuro o sonho do passado O verso noutro verso em si encadeado, O prazo não se faz e nada se duvida Uma alma com outra alma agora não divida
Supera com certeza o medo acumulado E o peso se alivia e deixa enfim de lado, Ainda quando a sorte eu sei desprevenida Ultrapassando além da luz desta avenida
Resumos do que fui e sei também lutaste Mantendo na esperança a imensidão desta haste Que nada destruindo expressa a força plena
Do amor quando se quer e à paz já nos condena. Não tema, estou contigo e assim nós venceremos Os medos ledos vis, em dias mais extremos.
“Aguarde um pouco mais, mas creio que talvez Desta loucura imensa a rara sensatez De quem tanto sofrendo encontra um manso cais Depois de mergulhar insanos temporais,
E quanto mais te ouvindo, amado também vês O todo aonde o mundo agora já se fez E nele novo rumo encontro e sei bem mais Dos erros do passado em passos desiguais,
Permita que ora pense um pouco antes de dar Resposta que se anseia e nisto algum lugar Quem sabe me permita acreditar na sorte,
Após o dia a dia enquanto sem aporte, Vivera sem sentido apenas por viver, Em ti talvez encontre enfim algum prazer.”
Decerto minha amada, espero uma resposta, A porta que se abriu por certo estando exposta Permite o quanto veja em sol e claridade, No olhar de quem anseio a imensa liberdade,
Minha alma deste sonho eu sei o quanto gosta, E nada do que venha impeça a já composta Vontade sem igual enquanto o sonho invade, Marcando com ardor esta felicidade,
De quem se fez ausente e mesmo sem futuro, O quanto te desejo e nisto eu asseguro Trará não mais duvido a nossa salvação
Amor que se anuncia em tal imensidão Liberta enquanto traça um novo caminhar Envolto pela sorte intensa de um luar.
FIM DO PRIMEIRO ATO.
SEGUNDO ATO
CENA 1
Cenário- A casa de Renato, na sala, um apartamento funcional de quarto e sala em Ipanema, com todas as características de um flat.
Sentados num sofá, conversam e se percebe a animação de Rogério.
Amigo e companheiro, a vida tem surpresas E destas a que trago em novas correntezas Expressa o quanto possa acreditar em Deus Depois de tanta dor imerso num adeus,
A sorte se transforma e vira as velhas mesas, E quem das ilusões tivera as mãos já presas Agora se liberta e enfrenta tantos breus Neste luzeiro imerso em sonhos claros, meus.
Recorde aquela noite enquanto solitário O mundo nos trouxera em mesmo itinerário Num bar lá do Leblon, aquela maravilha
Em forma de mulher, o olhar ainda trilha E segue este caminho e nele o que se vê Traduz em minha vida enfim algum por que.
Depois de tanto tempo imerso no vazio, O coração calado em duro e ledo estio, A sensação que trago eterna primavera Refeita desta mágoa agora em nova esfera
Presume o quanto possa e mesmo desafio, Bebendo a plenitude e sem tal desvario, O rumo se anuncia e novo se tempera Vibrando em luz imensa em voz clara e sincera,
Depois da solidão, um dia mais suave O canto se anuncia e superando entrave Explode em alegria em emoção suprema,
E nada do que possa enquanto a vida extrema Um ato mais sutil e nele me entranhando Sorvendo da esperança em dia claro e brando.
Após a velha perda, amor que disse Lara A noite noutro rumo agora se prepara E vejo com clareza o belo amanhecer Envolto na certeza enfim de algum prazer,
A sorte se anuncia e toma esta seara Enquanto a maravilha agora se escancara E traz ao sonhador o quanto possa ver Depois do meu anseio e tudo a se perder,
Resumos do passado envolto na sombria Vontade de lutar e nada mais havia Somente incerto passo em brumas e temores
Agora se pudesse e nisso recompores Verás no olhar o brilho imenso de quem ama, Numa explosão de paz na intensa e nobre chama.
Pois bem, lembra Solange? Aquela divindade Que em trevas mais sutis trouxera a claridade, E deste desconforto aonde eu habitava Agora noutro tempo a luz escancarava,
Jorrando dentro da alma o quanto agora invade, Bebendo com ternura a intensa liberdade, Deixando para trás a estupidez da lava Minha alma não será de novo feito escrava.
Apresentando a sorte e nela o que viria Traduz a cada passo a nobre poesia Vibrante mocidade e tudo que apresenta
Tornando mais suave a luta em tal tormenta Compartilhar o passo em rumo mais feliz, Vivendo com firmeza o amor que sempre quis.
Já não mais caberia a ausência da esperança O tempo noutro instante agora em paz avança E tanto quanto pude outrora em sofrimento Agora se traduz e nisto busco atento
Vencer o que decerto ainda toma e cansa Gerando ao sonhador a forte confiança Depois do quanto ronde a senda em pensamento, Eu tanto quanto queira a glória enfim eu tento,
Negar este momento e não acreditar É como se perdesse a luz nobre e solar, Buscando em céu azul apenas qualquer bruma,
Meu passo com firmeza ao todo enfim já ruma, Não mais se quer além do quanto a vida traz E nisto se apresenta, amigo a luz tenaz.
De Lara nem notícia apenas o vazio, O tempo segue em frente e neste desafio O rumo em horizonte apresentando além Do quanto se desenha e a vida sempre vem,
Marcando com ternura a noite deste Rio E nela o que pudera ainda busco e crio, Vivendo cada dia e nele sem desdém O prazo determina o todo que se tem,
Na Lapa, no Leblon, nos ermos de um passado O sonho há tanto tempo eu vira desbotado E agora renascendo em plena maravilha
Minha alma em claridade ainda busca e trilha E sobre as ondas sigo anseios desiguais, Fazendo eternamente os nobres carnavais.
Amigo, mais um pouco e a vida se explodindo Em paz e plenitude, um dia bem mais lindo, Embora te pareça estou além de tudo Vivendo sem temor e nisto até me iludo,
Mas quando se apresenta o canto ora eclodindo De todo o sofrimento aos poucos vi saindo O coração decerto ainda estando mudo, Tramando o quanto possa e sei que me transmudo
Resulto deste todo imerso na alegria Da noite delicada invadindo este dia Em lua mais suave, após tanto temor,
Nas tramas mais sutis, o vivo e raro amor, Criando neste olhar a luz que me oriente Depois de tanto tempo estar aquém e ausente.
“Amigo, na verdade, a vida traz diverso Caminho aonde possa apenas sempre imerso Viver com sutileza ou mesmo sem razão, Cuidado companheiro, a tua empolgação
O mundo não se faz apenas nalgum verso, A névoa de um amor tampando este universo Talvez impeça sempre a certa direção, Naufrágio dita o rumo e mata a embarcação,
Apenas vá com calma, e nada precipite, Até pra ser feliz existe algum limite, E o peso do passado ainda se anuncia
E traz em claridade a vida em utopia, Bonança que excessiva expressa a tempestade O sonho ultrapassando enfim realidade”.
“Não quero ser decerto uma agourenta sorte, Tampouco retirar dos sonhos o suporte, Somente ora te peço a mansidão de quem Vivesse da esperança o tanto que convém,
Eu sei que a solidão, deveras não conforte, Porém se precavendo, evitando este corte, Já não descarrilasse ao fim o velho trem, O mundo em faces tais, a dor também contém,
E o vento que anuncia a calmaria possa Trazer a ventania e tudo que se apossa Da luta sem descanso, aonde quis remanso
Ao fim de certo tempo o nada enfim alcanço, Mas peço a Deus por ti, espero finalmente Que toda a imensidão agora se apresente.”
“Talvez seja excessivo este cuidado amigo, Porém quanto maior o sonho, eis o perigo, No tempo mais atroz a voz não calaria Bebendo sem sentido a imensa fantasia,
E o corte com certeza além do que persigo Explodindo dorido e nele o desabrigo Encontra o tom atroz em tanta vilania, A vida se transforma em rara hipocrisia,
Do sonho que foi Lara, eu sei quanto restou, O verso sem sentido, o canto desabou, Mas sei também no fundo o verso mais audaz,
E sei do quanto a vida ainda teima e traz, Um manto mais diverso em frios temporais E espero realmente o barco em manso cais.”
Eu sei que na verdade é bom se ter cuidado, Ainda quando vejo o tempo desolado Aonde a minha vida em dores conheci E sei também amigo o intenso frenesi
Depois de certo tempo o sonho abandonado, O ressurgir imenso explode e noutro lado Deixando sem sentido o quanto percebi E vejo que se mostra esta amizade em ti.
Mas nada impediria o passo que se der No anseio mais voraz no corpo da mulher Que delicadamente expõe tal paraíso,
E sinto já perdido, algum ledo juízo E sem que nada possa ainda procurar Somente o que desejo invade este lugar.
Imenso este tormento em dura solidão, As noites sem ninguém o frio num verão, Ocasionando a queda e nada mais se visse Senão a mesma dor e nela esta crendice,
Tramando no vazio as sombras que verão O renascer desta alma após a hibernação, E quantas vezes sei do todo que desdisse Vagando sem sentido aquém do que previsse,
Jogado sobre a areia, o barco sabe bem Da dor deste naufrágio e quando o medo vem, Transforma cada engodo além numa esperança
Até que no final perdendo a confiança Nem mesmo Sexta- Feira em ilha vã deserta Apenas o não ser enfim da morte alerta.
“Não faça melodrama, a vida não promete Apenas o vazio, e sei quando arremete Somente o que te peço é ter a prevenção Sabendo que afinal o tempo nunca é vão,
A mão que acaricia empunha um canivete Não quero mais te ver só pela bola sete Quem sabe desta forma em clara mansidão, Aproveites melhor, o teu nobre verão.
Mas seja como for, eu estarei contigo, Tu podes ter certeza, aqui há um amigo, E nada do que venha ainda nos tocar
Impedirá o encanto e quanto a divagar, Comum, esteja certo, eu também me empolgava Ainda que ao final sentisse apenas lava.”
Há muito que incerteza explode em meu caminho E sei que no final eu estarei sozinho, Não faço com certeza alguma vil chantagem, Assim se adivinhando o fim desta viagem,
O passo que se dera ainda que daninho Enfrentará decerto estrada em puro espinho, E quando se apresente a bela paisagem, Deveras estarei mercê de uma miragem
Cravada no deserto em dura fantasia, E nada do que eu pude enfim se mostraria Somente a face escusa e fria da verdade,
Após imaginar a nobre claridade, Porém desta ilusão, eu bebo cada gota Até que esta alma esteja amarga, morta ou rota.
Não tento acreditar nas ânsias de um futuro Sabendo do temor enquanto me asseguro Do engano mais sutil e sei tão contumaz, Deixando uma ilusão, decerto aquém e atrás
Semeio e tento até num solo sempre duro Nesta aridez do sonho, um tempo aonde eu juro Pudesse imaginar o quanto a vida traz E ter após o nada, apenas leda paz.
Invado os meus sutis cenários sem proveito E o que vier, amigo, ao fim eu sempre aceito A crença se é defeito e sei o quanto se é,
Jamais impediria ainda a rude fé, Num átimo mergulho e bebo a fantasia, Que a cada novo engano, eu sei já se recria.
Seguindo a minha vida, espero que te veja Também apaixonado em sorte benfazeja E saiba muito bem que eu estarei contigo Vencendo o quanto venha até em desabrigo,
Mas nada do que eu possa ainda em vão lateja Deixando para trás o medo que dardeja E seja a tua vida em pleno sonho e sigo Tentando acreditar que tenho algum amigo,
Perdoe se em verdade eu sei que no final O céu de uma esperança em tom tão magistral Adentre sem defesa o rumo em horizonte,
E quanto mais feliz o dia que desponte Trazendo tanta inveja e mesmo até descrença Em quem já não tivera a vida em paz imensa.
SE LEVANTA E SEM OLHAR PRA TRÁS FECHA A PORTA.
Renato sentado no sofá, olhando para a platéia.
“Que Deus já te proteja amigo, pois bem sei Da vida quando o sonho expressa a rude lei, E nisto se adivinha o tempo em dor e medo, Do todo desejado apenas o arremedo,
O canto sem sentido, e nele mergulhei Cansado de lutar, eu tanto me estrepei, Vivendo este caminho aonde mal concedo Alguma luz nesta alma em rude desenredo.
Mas faço a minha prece e espero com certeza Que tudo se apresente enfim em tal leveza E a sorte seja além de mera dor e caos
Os dias não serão deveras rudes, maus. Apenas o que falo, e sei tenho razão, A vida traz ao fim enorme decepção...”
“Também amei demais, e sei quanto perdi Do sonho mais audaz ao ver longe daqui Aquela que se fez a deusa soberana E ao fim de certo tempo enfim a sorte engana,
E nada do que possa em ledo frenesi Invade o quanto quis e sei não conheci, Assim já se aproxima a natureza humana E nela o que puder no tanto que se ufana
Evade noutro rumo e deixa a solidão, E nela o que presumo apresentando o não, Atropelando sempre aquele que se dera
Tentando perceber os tons da primavera Em pleno inverno da alma, ou mesmo no sombrio, Amar e ser feliz, é mais que desafio.”
“Mas quando se apresenta a vida sem temor, A força inusitada expressa num amor Enfrenta sem saber do rumo ou direção E tenta imaginar louca navegação
Apenas por seguir sem nada a se propor Além do quanto tenha em canto alentador, Já nada mais temesse em pleno furacão Vencendo o que se faz sem ter a precaução
E neste emaranhado em cores tão diversas Ainda quando vens e logo desconversas Versando sobre a sorte e nela se entranhando,
O mundo se desenha em passo mais infando, E mesmo assim não deixa algum sinal mais claro, E eterno e imenso amor, estúpido eu declaro.”
“Rogério, eu torço tanto e até anseio, eu juro, Que o tempo mais sutil jamais se faça escuro, E nesta cordoalha a vida te permita Viver a claridade imensa e mais bonita,
Mas sei da solidão e salto sobre o muro Vencido pelo anseio e quando me asseguro A queda mais aguda aquela que reflita A luta sem sentido, a morte mais aflita,
Vestígios de uma vida imersa em sensação Desta futilidade e tenho esta impressão, Sequer algum doutor ou mestre que conheço
Evita no final, a queda em tal tropeço, Sem nada que anuncie o tempo de amanhã A sorte tão sutil, feliz, atroz, malsã?"
Cena 2
Rogério está sozinho em sua casa quando ouve uma voz, já conhecida e há muito perdida no tempo... É Lara
“Enfim me abandonaste, a vida é sempre assim, Teu filho, esta mulher e tudo chega ao fim... Não merecia tanto. Ou mesmo merecia. O quadro se desenha em tal hipocrisia
Matando o que restara ainda no jardim, O tempo ora destroça o que restou de mim... O vento na janela, enquanto ele assobia Vagando no passado, a noite mais sombria,
E o verso sem sentido, a luta determina Ocaso deste amor, secando agora a mina, E o manto que recobre apenas o que fomos,
Exposta sem defesa ao quanto nada somos, Bebendo a ingratidão de quem amara tanto, Uma expressão de ausência em luto ora garanto.”
Rogério se assusta e com o olhar em pânico procura a origem da voz, não sabia da morte de Lara e imaginara-a ainda viva, e como surgisse do vazio o deixa apavorado.
Demônio. Onde te encontro? Agora ao fim da dor Ressurges qual fantasma e traz ao sofredor Um golpe sem sentido, e mata uma ilusão, Já nada mais se vendo apenas negação.
Abandonaste quem um dia em raro amor Pensara ter nas mãos a imensidão da flor, E nada do que possa ainda em dimensão Diversa do meu sonho. Exijo explicação!
Enquanto estava só tu nunca mais voltaste E agora quando a luz invade num contraste Satânica figura uma maldita sorte,
Trazendo invés do brilho a treva em leda morte, Aonde tu andaste ausente da esperança, Que somente decerto ao fim ora me lança.
“Há tanto amortalhada, uma expressão do nada Não sabes seu canalha? Eu fui assassinada Ricardo este covarde há tanto me calara Deixando no vazio a sorte em leda escara,
A porta da esperança há tanto já lacrada A morte me rondando e sei da desolada Imagem que reflete escura esta seara E nada do futuro ainda se prepara,
A carne apodrecida exposta em mil pedaços Do filho que não veio, o medo em velhos traços Agora meu espectro há tanto te acompanha
E bebe tua sorte e nela sei da estranha Verdade que anuncia o fim de cada história, A sorte quando guia em luta merencória.”
“Terás uma surpresa, e nada mais se fala, A luta mais ingrata a vida que avassala Vergastas sobre nós o açoite não se encerra E tanto quanto possa ainda nesta Terra,
Jogada pelo canto a morte sobre a sala, Minha alma sem futuro e sei quanto é vassala Da espúria sensação que tanto me desterra, Por mais que silencie esta ilusão já berra
E torna sem sentido o quanto ora se fez E nunca me verás nem mesmo insensatez Tomando o dia a dia em pútrida ilusão,
Marcando com terror o quanto fora em vão, Adeus sigo meu rumo e quando perceberes Verás o quão inúteis serão vagos poderes...”
Responda então demônio, escute a minha voz. Silenciar não basta, eu quero viva em nós Esta expressão de luz aonde nada vejo, Somente este fantasma, ou ser tão malfazejo,
Surgindo como fosse ainda algum algoz Verdugo da esperança, e nisto busco a foz Do quanto poderia e sei já não desejo, Saber por onde segue o corpo que prevejo
Há tanto abandonado ou mesmo sem sentido, E agora quando possa apenas deste olvido Falar já não concebo a mera claridade,
E bebo do vazio enquanto se degrade O sonho sem proveito, a morte me rondando, O mundo que eu queria, aos poucos desabando.
Cena 3
Rogério e Solange no bar, o mesmo bar de sempre.
76
Saudades de você, o mundo sem razão Parece que desaba em mim e desde então Apenas desconheço algum motivo quando O todo que eu quisera enfim se destroçando,
Eu sei do quanto quero e vejo em dimensão Diversa o meu futuro e bebo a solução E nada do que venha ainda em duro bando Do sonho feito em luz irá, pois me afastando,
Jorrando como fosse um tempo mais feliz, Do amor que imaginara o bem que sempre eu quis. Solange veja só teu brilho iridescente
Traduz o que decerto uma alma traz e sente Cansado de lutar em noite mais sombria, Em ti eu reconheço amor em alegria.
Depois de tanto tempo entranho o Paraíso E vejo quanto possa e nisto me matizo Na imensidão do céu aonde conheci O tanto sem limite expresso desde aqui,
O amor quando demais, eu sei claro e preciso, No templo desenhado além do vão juízo Acompanhando sempre eu venho e volto a ti, Reinando sobre tudo o quanto percebi,
Numa expressão divina a sorte que nos leva Vencendo o que viria ainda em turva treva Iluminando a noite após a tempestade,
Vivendo sem temor o quanto agora invade, E gera sem tormenta o dia que virá E ter-te junto a mim deveras, um maná.
Amada tanta vez a sorte nos engana, Mas quando a conheci em luz mais soberana Estava já descrito enfim em constelar Vontade sem igual imenso e claro mar,
Bebendo em tua boca a noite onde se ufana Do todo que se quer, mulher além de humana Deidade aonde pude e quero comprovar Sobeja magnitude em claro e nobre amar,
Viceja dentro da alma amor primaveril, Deixando no passado o quanto fora vil, E vendo esta emoção ao aflorar em nós
Do todo em esperança escuto a plena voz Rondando o meu caminho e nele me aprofundo Maior amor não há decerto em todo o mundo!
79
Eu quero ser feliz embora a vida negue O quanto se desenha e sei jamais sossegue Restando do passado imensa turbulência A vida não presume enfim qualquer ciência
E traça sem razão enquanto assim prossegue Vestindo a imprevisão que tanto nos apegue Não quero com certeza apenas evidência O amor não se limita a crer em coincidência
Fulgura sem temor e espalha em plenitude O quanto se deseja e nada desilude, Vencendo o sortilégio e tendo em cada olhar
Vontade de saber e sei quanto sonhar Presume esta certeza de um dia mais feliz, Vibrando em consonância o quanto já se quis.
Já não discuto mais, apenas vivo a vida, E sei do quanto possa embora distraída Vencer a tempestade e crer noutro momento Sem ter como inimiga a turbulência em vento
O manto da esperança a sorte em vão puída A luta se desenha há tanto consumida Nos ermos do que fui e sei tal desalento Enquanto no não ser buscasse um alimento,
Restauro o meu caminho ainda que se veja A sombra de uma vida exposta em tal bandeja Acéfala ilusão eclode. Mesmo assim,
Ainda persistindo o brilho dentro em mim, Sinais do meu passado aonde me perdi, (refere-se a Lara, obviamente) E mesmo do que sou (Renato) não me levam daqui.
“Querido é necessário um pouco mais que sonho A cada novo passo em luz outro eu componho Embora te pareça até mesmo infantil, O quanto já sofri e o peito em dor se viu
Vestindo este caminho insólito e medonho Arrasto o dia a dia e nele me proponho Viver bem mais que mero anseio juvenil Traçando em esperança o quanto fora vil,
A sorte se anuncia e nela bebo o encanto Vestígios do passado? Ou mesmo algum quebranto Não possam terminar com toda esta emoção
E sei do quanto é rude o rumo desde o chão Trazendo em fronde imensa a copa da esperança E nesta sensação amor tocando avança.”
“Jamais imaginara a vida em solitária Ausência de talvez um dia em alma vária No fundo o que se vendo expressa a realidade Ainda quando dita a luta em tal saudade,
Viceja a primavera e bebo a sorte pária, Mas quando a trama traz a senda solidária O tanto que busquei agora já me invade E nada do passado ainda ora degrade
O sonho que se torna aos poucos mais palpável E a vida tão insossa agora palatável Em tom manso e sutil em plena caminhada
Promessa do que seja a sorte anunciada Depois deste vazio em tom atroz e rude, Vivendo muito além do medo que me ilude...”
“Amado, vamos nessa, e nada mais importa, O quanto desta vida arromba a velha porta, Deixando mero escombro aonde houvera dor, Tramando este caminho em brilho redentor,
Certeira madrugada enquanto não aborta O sonho mais sutil e nele a vida aporta Deixando no passado o tom em amargor, Regendo dia a dia as chamas deste amor,
Crivando em pleno brilho o todo que virá Rondando a minha estrela o quanto tornará A vida em tal sentido imensa e destemida,
Cicatrizando na alma enfim esta ferida Raiando como fosse imenso e nobre sol Tomando inteiramente enfim este arrebol.”
“Cansada de lutar e ter noutro caminho Apenas o cenário atroz rude e mesquinho Vencida pelo anseio e nada mais se vendo, Somente da esperança o torpe e vão remendo,
Aonde se deseja e sei ali me aninho, Esquecendo da rosa imersa em vago espinho, O tempo noutro encanto e nisto o que desvendo Expressa o quanto pude e sei do mundo horrendo
Jogada desta imensa e dura cordilheira A vida se anuncia e mostra mais inteira A senda que busquei em minha adolescência
E quando se aproxima e passo a ter ciência Do mundo que virá e nele a redenção, Já nada impedirá o sonho em precisão.”
“ O tanto quanto pude em bares e motéis Viver sem ter sentido, imensos carrosséis, Jorrando dentro da alma apenas ilusões, E agora no final o sol que tu me expões
Tramando ao paladar suaves doces méis Depois do quanto tive em rudes carretéis Nas lutas do sombrio em raras emoções Vibrando com ternura aonde tu propões
Cerzindo em nós a lua em plena claridade, E deste plenilúnio o quanto nos invade Encontra em ressonância a sorte benfazeja
Ardendo dentro da alma o quanto se deseja Num verso mais suave e mesmo mais gentil, Bebendo em tua boca o que este amor previu.”
Já nada impediria o passo que virá E sei quanto te quero e mesmo aqui ou lá O tempo venceria o medo e nada além Do canto em harmonia ainda quando vem
Na boca delicada e doce moldará O todo que ansiava e sei que nos trará, A esplêndida manhã e nisso sem desdém Ditame do que sinto agora nos convém,
E nunca esqueceria o quanto mais anseio, Bebendo em tua pele o gozo, o sonho e o seio Em arrepio e encanto o todo sem temor,
A vida se anuncia e seja como for Terei a plenitude e nunca mais duvide Do amor que nos domina e tudo já decide.
“Jamais duvidaria e sei que também queres E tanto o sei querido, e mesmo que vieres Com sonhos mais sutis, eu estarei contigo, E quando mais te quero eu sei e até consigo
Saber desta atração que têm belas mulheres, Banquete que se faz em diversos talheres Tramando o quanto pude e tendo em ti o abrigo Vencendo claramente enfim qualquer perigo,
Já nada mais teria além da plenitude Do amor que na verdade é mais do que ora pude Desafiando o tempo e crendo no futuro,
O caso determina e nisto eu te asseguro, A vida não calasse a voz desta emoção E nela com certeza amor dita explosão.”
Por isso mal senti o vento noutro rumo, Da sorte que imagino e bebo sem resumo, Jamais eu poderia ao menos me perder Do sonho sem limite entregue a tal prazer,
O passo sem temor, o dia toma o prumo, E o quanto se anuncia enfim expressa o sumo Da vida que desejo e posso até saber Vencendo o desafeto e nisto perceber
O quanto ser feliz só cabendo à nós dois Mal importando até o quanto vem depois Somente no momento e nele mergulhando
Meu canto se anuncia e mostra em claro bando O quanto propicia anseios da paixão, Vivendo sem temor o sonho desde então.
“As belas almas amo e sei também do fato Aonde com ternura amor quero e constato, A doce primavera há tanto maculada, Porém renasce em ti, amado em alvorada,
E nesta profusão do sonho onde retrato O amor que se refaz até nalgum recato Depois de tanto tempo em noite em madrugada A sorte sem sentido, a luz já desolada,
Imersa em cada abraço eu sei que renascendo Qual fora mera colcha expressa num remendo E sei quanto no fim eu possa ter em mim,
Depois da ventania a luz neste jardim, Bebendo a primavera que tanto procurei, E tendo-te comigo, em ti senhor e rei.”
Quando escutar eu pude após a dor sem medo Vivendo muito além do mundo em arremedo, Trazendo em meu olhar a plena consciência Do amor que sem limite explode em tal ciência
Vibrando em harmonia apenas me concedo Vestindo esta ilusão e nela novo enredo Vencendo do vazio alguma resistência A sorte se transforma e nela esta ingerência
Produz outro cenário e nele sou capaz De imaginar a vida e tudo que ela traz Resultando da luta há tanto em plenitude
Promessa de um momento aonde além eu pude Crivando em tom suave o mundo que se fez Além da imensidão em rara sensatez.
“Querido, eu poderia enfim pedir a ti Apenas uma coisa; o tanto que perdi Está hoje trancada em um asilo e dela A minha vida expressa o quanto se revela
Num tempo ultrapassado e nele o que vivi, Ainda que se trace o mundo em brilho aqui, O tanto quanto sou ali expressa a cela Aonde se magoa o corte onde se atrela,
O minha mãe, coitada, há tanto abandonada Talvez fique feliz ao vê-lo, após o nada Moldando o novo dia e talvez não perceba,
Mas mesmo assim quem sabe ao fim isto conceba E seja na verdade ao menos mais feliz, Depois do sofrimento imenso que não quis.”
É claro minha amada, irei vê-la e afinal Quem sabe isto transforme e mude todo astral Gerando uma alegria ou mesmo a mansidão No peito de quem sofre imenso turbilhão,
E possa noutro instante um canto magistral Ou mesmo se desenhe a luz consensual Mudando com certeza em nova dimensão Trazendo em plenitude o amor qual solução.
Eu estarei contigo e tanto em bom prazer A tua mãe decerto em paz já conhecer Quem sabe até consiga enfim trazê-la à nós,
Depois da solidão, a vida em mesma voz, A casa caberia e com tanta alegria Tramando no futuro a rara sintonia...
Cena 4
Um asilo em péssimas condições, uma mulher precocemente envelhecida deitada numa cama sórdida. No corredor escutam-se as vozes de um casal
Fique tranquila amada, irá conforme eu digo O tempo na verdade expressa um novo abrigo E sei do quão é duro imaginar aqui O sonho de um momento aonde percebi
O amor que sem limite adentra o que consigo E vejo sem temor, e nisto já prossigo E vivo com certeza o todo que há em ti, As faces desta vida eu também conheci,
E sei da solidão e também da loucura A vida se traduz e quando se amargura Expressa o medo e o caos sem nada que se veja
Além do que pudesse em senda malfazeja Trazendo no final apenas o que eu possa Viver em plenitude a sorte toda nossa.
“Deixe eu entrar primeiro, assim logo te chamo, O mundo é tão diverso e sei o quanto exclamo Senilidade ali, já não existe mais Apenas o que possa em ledos vendavais,
Da fronde que inda resta ausentando-se o ramo É tudo quanto tenho e sei o quanto eu amo E dela o que visse explica em desiguais Caminhos onde o todo pudesse sem jamais
Tramar em dor e medo o quanto resta em mim, A derradeira flor do que sonhei jardim, E nela o meu futuro ainda se expressasse
Mostrando com ternura a derradeira face Do quanto me restara após a vida em vão E nela a sorte traça inteira a dimensão.”
Solange entra no quarto e conversa com a mãe.
“Saudades minha mãe, que bom te ver tão bem, A vida transformando o quanto ainda tem Só devo te dizer querida estou feliz Vivendo o grande amor que tanto um dia eu quis,
Irei te apresentar e saiba que este alguém Trazendo com certeza a vida onde contém O brilho de um futuro e nele o que mais fiz Deixando para trás a amarga cicatriz,
Um dia tu irás viver conosco e vejo Futuro mais brilhante e sei tão benfazejo Não temas o que venha estou junto contigo,
E neste caminhar além sempre prossigo Vivendo com ternura a vida em tal encanto Vencendo qualquer dor, temor, mesmo quebranto.”
O olhar vazio da anciã precoce se concentra na filha.
“Estás me ouvindo mãe? Balance esta cabeça Confirme; por favor, e toda a dor esqueça A sorte se aproxima e muda o meu destino, E neste caminhar à paz eu me alucino,
E num emaranhado a vida sempre teça O quanto se deseja e mais do que eu mereça O canto em harmonia agora em raro tino Traduz o meu cenário em brilho esmeraldino,
Adentro em tal vergel e bebo a imensidão, Trazendo dentro da alma a luz em tal clarão Vencendo alguma dor e tendo em plenitude
O tanto quanto quero e sei que agora mude, Afirmativamente espero uma resposta, Entendes o que falo? Entendes tal proposta?”
A mãe balança a cabeça afirmativamente.
“Desejas conhecer quem tanto trouxe a luz? Este homem desejado ao patamar conduz E deixo para trás o ledo sofrimento, E bebo em cada gole o sonho onde fomento,
Espere mais um pouco e o quanto te propus Transcende ao que eu buscara e quando além me pus Tomando com ternura o claro e manso alento Vencendo com firmeza o duro e forte vento.
Estar junto contigo é tudo o que desejo, E sei do quanto possa em passo mais sobejo Ousar e ser feliz, minha mãe tão querida,
Razão do quanto resta enfim em minha vida ( olhando para fora) Mamãe eu te apresento o amor que tanto falo, O sonho que ultrapasse enfim qualquer abalo.”
“Amado venha logo, estou a te esperar, Verás a criatura aonde o verbo amar Expressa com firmeza o tanto que se anseia O sangue que ali pulsa explode em cada veia
Desta mulher que tanto agora traz no olhar A sorte bem maior do quanto a se mostrar Já nada nesta vida agora, pois receia, E tem no coração a lua sempre cheia,
Vencendo a tempestade encara algum tufão Vivendo em pleno sonho amor em eclosão Na dimensão exata aonde se fez tanto,
Vibrando em consonância aonde já garanto O amor que não coubera enorme dentro em mim, E sei do quanto traz caminho ora sem fim.”
Rogério entra e o olhar da velha se torna angustiado e aterrorizado.
“Que foi querida mãe? Aqui está decerto Amor da minha vida, e nisto o sonho aberto Traduz a claridade e nela sou inteira A vida de tal forma expressa a verdadeira
Razão por onde o mundo em dor ora deserto E vivo a claridade e nela o descoberto Caminho em plenitude ainda que se queira Vencer a solidão, deveras mensageira,
Das tramas do passado, gerando um novo dia, E nele o quanto quero ou mesmo poderia Viver sem ter sequer o medo que tanto
Trouxesse noutro passo o quanto ora me espanto, O amor que no meu peito instala seu império Mamãe traduz um nome, atende por Rogério.”
Neste instante a velha salta sobre Rogério e grita desesperadamente.
Seu cão verme safado, agora me lembrei, Amigo de Ricardo a quem eu me entreguei O pai desta infeliz, e vendo-te em meu quarto, Aborto em pesadelo um verme espúrio e farto,
Desapareça agora ou eu vomitarei, Amigos do passado? A podridão que sei Fugiste zombador, bem antes do meu parto, E o canalha se esconde. Demônio, não reparto
Meu mundo com teu mundo, ó infeliz Satã A vida não seria assim turva e malsã Não fosses tu seu merda, e seu amigo Cão,
Filhinha me perdoe a minha indignação, Tu não reconheceste ( se dirigindo a Rogério que olha assustado) esta que se declara? Pois bem seu verme imundo, aqui tu vês a CLARA!
FECHA O PANO
FIM DO SEGUNDO ATO E DA PEÇA
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