
FEIO, MAU E ESTÚPIDO
Data 02/03/2011 18:53:49 | Tópico: Poemas
| O meu passo é inconstante. Ora é rápido, ora é lento. Afasto-me das pessoas que vêm em direcção a mim. Pareço ser invisível, mas não sou. Vejo-me, apenas eu noto a minha presença.
Havia perante meus olhos fumo, ruínas e gritos desafinados pintados por vozes tão trémulas.
Havia a cidade e eu e os outros e nada.
O tudo à fome morreu e a certeza foi quebrada
Mas o meu corpo não cedeu, capa desta alma parada.
O nosso tormento veio mais cedo e de deus não tiramos mais que medo…
o medo sempre vendeu tão bem!
Agora que por fim o tens, tu não sabes com ele agir.
As tuas palavras, o teu sim e o teu não, são agora difíceis de ouvir
porque no fim essa boa razão também ela vai subnutrir, explodir como bomba sem rastilho.
Mas isso são coisas do mundo e bem lá no fundo, eu não tenho porque fingir.
Na mão eu tenho o milho e no estômago a humanidade.
O meu pão que não partilho, eu esmago no verso pútrido. Afinal sou mais um filho:
sou feio, mau e estúpido…
sou um resto de verdade.
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