
Monólogo do puto que tem a mania que é esperto
Data 01/03/2011 21:09:22 | Tópico: Textos -> Crítica
| Ser? Por oposição, só. Oposição. Andas aos arames com a definição, não? Bom, definições limitam. Eu sou ilimitado. Eu não acabo. Eu não acabei, e, adivinha: não vou acabar. E quando não sentirem réstia de esperança, eu vou continuar a não acabar (que pena). Não desiludo nem dou a desiludir. Mas não acabo. Não acabei e… surpresa: NÃO VOU ACABAR! (Estás a sentir-te acabado?)
Não acabo, assim como não começo. Eu não começo. Eu não comecei. O problema é: quando é que hei-de eu começar a começar? Comecei a pensar nessa questão há uns tempos e, olha, ainda não acabei.
Tu, que me lês, deixa-me dizer-te uma coisa: ninguém começa. E sabes porquê? Porque ninguém é. Há os que fazem, os que vêem fazer, há os que conhecem, os que parecem, mas os que são – esses não os há. Eu não fujo à regra: não sou – ou melhor – não sou por não oposição. Eu estou. Estou num dilema que nunca mais acaba. (Eu sei, isto já acabava, não?)
Eu sinto. Pode parecer que não. Eu compreendo-te. Mas é: sinto. Eu sei: um bicho de sete cabeças. Andam para aí os que me tentam limitar – eu, ilimitado, eu que não acabo – e sabes o que lhes faço? Acabo com eles.
Agora, seca, crua, nua: a verdade. Preparado? … Nada do que disse faz sentido. Não te canses a procurar um sentido no que escrevi: não há, não é, não tem. Mas deixa-me contar-te um segredo: nada tem, nada. A questão está em ter sentido em aceitar que nada o tem. Não tenho sentido muitas melhorias quanto a isso.
Acabei.
Rui Gomes
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