
AS MÁQUINAS NOVOS SENHORES DO MUNDO
Data 01/03/2011 16:13:23 | Tópico: Prosas Poéticas
| Caminhos solitários debaixo de um sol vagamente disperso no azul do céu, mostram-me uma cidade vazia de gente no silêncio inquietante do cimento corrompido pelos veículos de lata largados ao acaso no alcatrão das estradas sulcadas por velhos movimentos que assim deixaram sua marca para futuras flores de aço e seus jardins com cheiros a óleo queimado de pneus amontoados, numa Usina ali por perto.
Crianças, de máscara no rosto, por causa da poluição, brincam nas lixeiras mais próximas, onde o metal é descarregado e amontoado para novas levas de carros e electrodomésticos último modelo, processada a reciclagem por máquinas infernais e gigantescas, que proliferam num baldio sujo onde a terra é preta e o céu carregado de nuvens de chuva, que tem a sua precipitação quase a todo o instante, fruto dos ácidos largados para o
ar conjuntamente com os dissolventes e os compostos de tintas e vernizes nocivos. Tocos petrificados de árvores é tudo o que lembra estas espécies neste nosso Mundo; jardins já não existem, foram evadidos pelo alcatrão vegetal, dando lugar a novos parques de estacionamento, onde imperam as bicicletas (não por ser mais saudável se locomover numa, mas porque o dinheiro não sobra para carros), e as cidades são portuários de altas chaminés.
Raro é o sol nas cidades, quase sempre invadidas por um nevoeiro espesso, que tudo esconde e faz-nos andar maltrapilhos e de cara suja. Ruidoso é o som das máquinas, que tudo devoram e não há um único pássaro no céu, esvoaçando livre no seu bater de asas, que o levava de campo em campo e fazia sorrir as pessoas que por eles passavam e os viam em rodopios. Nascem bebés proveta, deformados e cancerígenos, eis o fim do nosso Mundo.
Jorge Humberto 01/03/11
|
|