
ESTÓRIA URBANA
Data 28/02/2011 00:46:20 | Tópico: Poemas
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Genivaldo dos Andaimes – pouco mais de trinta anos, cinco meses de instrução. Egresso das caatingas do nordestino sertão. (Num dos barracos do morro sete bocas se nutriam dos calos de suas mãos).
Operário diligente dos prédios em construção. Artista, nas horas vagas, como todo bom peão. Aficionado à viola e à "causos" de assombração. Presença certa nas rinhas, rodas de "truco" e rodeios; festeiro por vocação.
Certa feita, após uns goles de conhaque de alcatrão, ouviu estranha proposta, à meia-voz, num balcão, de um facínora que vinha agindo na região.
Tornou à casa, sombrio, tomado de compunção. Mas, vendo a mulher, a um canto, resmungar-lhe um palavrão, os filhos debilitados pela subnutrição; eles todos da indigência resvalando à condição, sentiu que o vulcão do peito entrara em erupção.
Acostumado à dureza, fez-se outro, desde então: tomou a estrada do crime sumiu-se na escuridão.
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Numa tarde, ele e o comparsa adentram, a mão armada, magnífica mansão. São, no entanto, surpreendidos, pela polícia, na ação.
No cerco, que toma a quadra, fazem reféns. Só se entregam pós árdua negociação. A imprensa, cobrindo o fato, lhe amplia a repercussão.
Toda a cidade quer vê-los. A polícia, ao removê-los, Vacila. É o caos. Convulsão. Acabam submetidos à fúria da multidão...
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Genivaldo dos Andaimes - cinco filhos na penúria; o lar em dissolução e o comparsa, um ex-detento, sem direito a julgamento, são linchados, sem perdão...
(Do livro "Estado de Espírito")
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