
Uma lágrima que chora!
Data 22/02/2011 16:27:06 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Insurge-se teimosa e virgem... Brilho perolado, úmido, autógamo. Em torrente escapa, jorra morna e caudalosa, Nos sentimentos de que emerge e se desfaz.
Lava as tintas, refaz luzente a imagem, A mesma que a fecunda e a compraz E sulca os prados verdejantes Dos desejos e das promessas Na material ternura que em si traz.
Antes que, incrédula, deságüe em fracasso Ainda pura, inteira sentimentos, Enxuga-se na beleza da esperança, Subjetivas, pavimenta as vias da justiça, Perde-se na encruzilhada de desérticos lamentos, Tece a compaixão, degela a cólera, E no hiato do próprio brilho rascunha a eternidade.
O céu, grávido de suas certezas, para e espera Pelas turvas lembranças que se erguem, Em silencioso ressuscitar, Cravejadas de piedade e compaixão; E compassivo em tudo a perdoa E a afaga e a acolhe a oração.
Será no coração sua nascente? Será na mente? Na insensatez? É o vicejar que a suga? Ou subjuga-lhe a morbidez? Sejam os primeiros, crê-se coerente! Submissa ao estio dos afetos, Que, consoladores, germinavam nas sementes da ilusão.
A lágrima que chora irriga as folhagens do perdão, Inunda o manguezal dos desafetos E deságua ao fim na bacia da paz, Da profunda paz de jazigos perpétuos.
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