
a saga dum quarqué do interiô di quarqué lugá
Data 18/02/2011 21:37:11 | Tópico: Poemas
| ocê atente qui eu era parente duns coiso rato e uns coiso gente tudo morando nu mêmo lugá vivia largado no isculacho feito rabo de lagartixa prendendo us pêlo das barbicha nos carrapicho das pranta quando eu ia carpiná aqueles serviço chato que me intimava o marvado do seu honorato, capataz daquele lugá... e ai de mim se num fizesse rápido as carpidura de tudo as terra que se tinha prá despois ará... seu honorato remetia dum só raio curiscano as bota no mato só pra me tascá uns pé douvido e dizer entre os grito e os zumbido qui num tava lá preu forgá qui o que era meu tava guardado na casca grossa do seu sapato que ia sartá do chão prá me acertá bem nos meio das bola do saco que ele mêmo ia istorá... eu qui tenho nadica de atrivido disvortei prás lida da terra iguar uns tatu dus mais intritido a cavocá e recavocá... mas num é qui esse sol desmilinguido de tão forte, de tão ardido me fez euzinho perdê cos sentido dum jeito deu nunca mais vortá? agora tô aqui, tudo rebentado e fudido mortinho da silva, de intêro rendido sem mais nada a me arribá... pois tô por cá despencado cos pé junto, cos braço unido de defunto se bem que sem honorato ou moita prá cavucá... aqui tô longe di trabaio, di enxada di quarqué ferramenta nas costa qui encoste prá me machucá arre égua qui nessa vida de merda chegou a hora certa deu desta fia da puta de lida finarmenti descansá... e óia que vô sem velório, sem choro e sem guerra coberto duns quase sete parmo de terra bem nos fundinho do meu quintá!
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