
CERTO ALGO A VIDA PRESSENTE
Data 09/02/2011 20:30:46 | Tópico: Poemas
| CERTO ALGO A VIDA PRESSENTE
D'um peito que não me sente D'um pé direito apressando Duas bandas de cordas de gente Dos pombos a voarem em bando Aos infestos d'um som de sirene
Trombo com o farol pisca-piscando De verde para vermelho (Um amarelo lhe pulsa ao meio)
Arrisco o pilotar inocente
Ao túnel que me vai à frente Dos olhos que cortam por canos Dos ouvidos escusos, indolentes Da testa a maquinar uns planos Perambulo em quase perene
Outro farol pisca-piscando De vermelho para verde (O amarelo recluso ao meio)
Ah, amarelo desligado, dormente
O auto anda, que bem me entende... Ao sapato que afrouxa os freios Giram pneus, antes correntes Cabelos, pêlos, alheios N'um vento que não se encomende
Mais um farol pisca-piscando Do verde para o vermelho (E o amarelo lhe pulsa ao meio)
Nada subsiste: cor, som, cheiro... Aceito tal calor aumente Invento uma chama de isqueiro O amarelo me amarela a mente (Entrego-me de corpo inteiro)
Enfim o farol pisca-piscando Do vermelho para o verde (Recusa-se vir o amarelo. Nem alardeio)
Minha vida flui abestada, quente Indo, dobrando, parando De encontro à minha língua silente Vou. Ignoro a quantas ando Decerto algo a vida pressente
Que, à frente, virá pisca-piscando, Entrementes, em meu cerebelo Desde sempre, um farol decadente Qual meia-luz do verde ao vermelho
(E um amarelo que pulsa ao meio)
Gê Muniz
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