
Balões (Sylvia Plath)
Data 04/02/2011 23:11:49 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Desde o Natal que eles têm vivido conosco, Simples e transparentes, Ovais animais com alma, A ocupar metade do espaço, Movendo-se e roçando-se nas sedosas
E etéreas correntes de ar, A guinarem e a rebentarem Quando atacados, depois fugindo a toda a pressa para uma calma [ainda tremente. Serviola amarela, chúmbea azul - Tais são as estranhas luas com que vivemos,
Não com mobília fúnebre! Tapetes de corda, paredes brancas E estes viajantes Globos de ar fino, vermelhos, verdes, A encantar
O coração como desejos ou os livres Pavões que abençoam O chão antigo com uma das suas penas Embutida no fundo de peças de metal luzente. O teu irmão
Mais pequeno faz O balão dele guinchar como um gato. Parece estar a ver Através dele um divertido mundo cor-de-rosa que talvez possa [comer, Morde,
Depois senta-se De novo, pote gordo A admirar um mundo transparente como a água. Um resto de vermelho Esfarrapado na sua mão pequena.
Sylvia Plath (1932-1963), In: Ariel, traduzido por Maria Fernanda Borges.
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