
NATUREZA EM FÚRIA
Data 03/02/2011 19:40:22 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| A noite aproxima-se devagar. E nuvens de borrasca, transportam toda a sua ira, para dentro de si, dando-nos um espectáculo de luzes, produzidas pelos relâmpagos, como se fossem espoletas, prontas a explodir, no negro dos céus, fazendo as pessoas apressarem-se, para voltar às suas acolhedoras casas.
O trovão ribomba, por detrás dos montes, para lá da linha do horizonte, que não teve pôr-do-sol, nem vislumbre de prata no rio, emanada pela lua, que se encontra escondida, pelas grandes partículas de chuva, que se vão formando, nas densas nuvens, enraivecidas.
E é este Inverno inflexível, que faz jus ao seu nome e tem assolado este lado do hemisfério, com ventos gélidos e tempestuosos. E enquanto escrevo, lembro-me dos que não têm casa nem um tecto, para se protegerem das intempéries, que parecem escolher os mais desolados, para fazerem cair sobre si, toda a sua fúria.
Principiou a chover desgarradamente, trovões e relâmpagos, não têm poiso, e, tudo, parece mais temível, quando as luzes da rua se apagam, deixando tudo às escuras. É impossível estar à janela, sem sermos fustigados, por uma imensidade de água, vinda de todos os lados, deixando-nos tontos e meio atrapalhados com a cólera do clima.
O rio começa a galgar suas margens e o lodo, entrando nas águas, deixa tudo cinzento e pestilento, com ondas bêbadas de vento, indo de encontro, umas às outras, deixando tudo em estado de sítio, e atemorizando os pescadores, que não conseguiram fugir, à imensa tempestade, que veio – pelos vistos – para durar ainda.
Jorge Humberto 03/02/11
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