
O barco ébrio (Arthur Rimbaud)
Data 03/02/2011 16:20:05 | Tópico: Poemas -> Introspecção
|  Como descesse ao léu nos Rios impassíveis, Não me sentia mais atado aos sirgadores; Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis, Depois de atá-los nus em postes multicores.
Estava indiferente às minhas equipagens, Fossem trigo flamengo ou algodão inglês. Quando morreu com a gente a grita dos selvagens, Pelos Rios segui, liberto desta vez.
Mais doce que ao menino os frutos não maduros, A água verde entranhou-se em meu madeiro, e então De azuis manchas de vinho e vômitos escuros Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.
Eis que a partir daí eu me banhei no Poema Do Mar que, latescente e infuso de astros, traga O verde-azul, por onde, aparição extrema E lívida, um cadáver pensativo vaga;
Se há na Europa uma água a que eu aspire, é a mansa, Fria e escura poça, ao crepúsculo em desmaio, A que um menino chega e tristemente lança Um barco frágil como a borboleta em maio.
Não posso mais, banhado em teu langor, ó vagas, A esteira perseguir dos barcos de algodões, Nem fender a altivez das flâmulas pressagas, Nem vagar sob a vista horrível dos pontões.
Arthur Rimbaud, poeta francês que morreu precocemente aos 37 anos.
Neste poema (parcialmente copiado), Rimbaud cria a figura do barco louco, embriagado de infinito, navegando ao acaso, rumando ao desconhecido. O barco é, na verdade, uma metáfora para o poeta, o Eu, a incerteza da vida.
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Imagem: Yachts at Argenteuil - Claude Oscar Monet.
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