
Épica viagem
Data 29/01/2011 02:19:07 | Tópico: Poemas
| Épica VIAGEM! Estava me deliciando em ler um prospecto sobre o turismo em Portugal, quando ouvi a notícia de que um grupo de estudantes de Faculdades de Letras de todo o Brasil tinha sido convidado para ir à “santa terrinha”, com o objetivo de intercâmbio cultural. Fiquei roxa de inveja, mas reagi valentemente e, invocando Camões, dei azas ao meu pensamento e fui viajar de forma virtual (não é o termo da atualidade?) e escrevi uma epopéia às avessas:
A ocidental praia lusitana – Das armas e brasões assinalados – Recebe a visita da gente americana. De muito aquém de Trapobana, Partem estudantes entusiasmados, Vindos dos pontos cardeais, Dos confins brasileiros isolados E, por ares nunca dantes trafegados, Rumo a novos ideais: Confraternização humana, cultura e a alegria, Que só para este feito já trazia, De sobejo, motivos sem iguais.
Pudesse eu, mesquinha criatura, Lançar mão à pena e a musa inspiradora Me alargasse a mente, na aura de escritora, Discorrer o evento em alta literatura: Partia! Alegremente, navegando, Descrevendo em sonho a épica viagem, Como quem parte – e cá fica sonhando – Para alcançar a tão fugaz miragem: Visitar Lisboa, Cascais, Alfama E no peito saudoso de quem ama, Estreitar patrícios dessa terra boa! Escutar o fado, dançar o vira, Provar o vinho de devida fama; Saborear os acepipes que o paladar reclama.
Partiu Cabral da ibérica península E, por mares nunca dantes navegados, Veio bater os seus costados Nesta verdejante e nativa insula. Toda uma civilização se ergue Dos primeiros passos do nauta português; As caravelas, com os panos enfunados, Tecem caminhos mal traçados E o cordão umbilical se fez, Entre a terra-mãe e o filho estremecido – Brasil, dos brasis tão percorridos, Desbravados pela gente lusitana.
Se eu fosse poeta, quão mais diria Deste oportuno e feliz passeio; Mas avó roceira, cronista de aráque, Deixo de lado o ciumento ataque E cumprimento o povo viageiro. Província do Minho, Trás-os-Montes, Douro, Litoral... Meu Deus, quanta coisa linda A se ver em Portugal! Quanta sonoridade: Ilha dos Açores, Serra do Caldeirão! Desperta a brasilidade, Ecoa no coração!
Só quem engrolou a língua Em estrangeiras terras, Sabe a dificuldade, Das verdadeiras guerras Que tem por enfrentar... De Portugal a chegança, Nos desperta a lembrança De pisar o pátrio solo. Porto Seguro, Estoril... O mesmo jeitinho manhoso, O mesmo lidar amistoso Do povo do meu Brasil. Da velha-mãe ao largo colo É retornar cheios de fé, Reencontrar as mesmas crenças Nas festas de Nazaré.
O tempo que a tudo sana E a tudo iguala, Uniu estas nações Num apertado laço: Não mais a terra soberana, Não mais a colônia que se cala; Irmãs no sangue e no progresso, Têm em seus portos livre acesso E o mesmo ardor no caloroso abraço
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