
Caminhada
Data 26/01/2011 03:56:05 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| “Daqui desse momento, O meu olhar pra fora” É um reflexo de introspecção. Eu ouço músicas que me dizem exatamente O oposto do que queria ser, dizer… Falo da paz porque gosto de ser breve, E da guerra porque afinal há paz. Mas do que não falo É um vão tão grande quanto aliterado; Uma repetição que se enrosca numa bola de neve, Ladeira abaixo, Core a dentro. O que eu calo é seguro porque não caleja as pregas vocais; Mas ainda mais vocálico que o silêncio É esse ato insatisfeito, É estar presente quando tudo já foi embora… É pensar que uma vírgula tem a pausa certa, Um ponto final, não: Vira reticência… É odiar o armário barulhento Que se assemelha ao som do Juízo na madrugada Porque a casa anda demasiado silenciosa. E vez ou outra, eu me recolho os joelhos sobre a cama, Queimo a língua no café, Olho o livro inacabado E escrevo outro. Outro, outro o quê? Se o que está escrito de verdade e de maneira perene Ninguém é sábio o suficiente pra ler? A palavra do que chamam de deus É um silêncio farfalhando folhas no verão. — ou no inferno, Acaso exista. Deus é o acaso que se une; O Ocaso divino e repetitivo, E eu… Eu me sinto o pelinho indesejado, extraviado da sobrancelha. E componho sinfonias milimétricas Das quais me esqueço de lembrar. Eu não saberia dizer do que se trata esse poema, Mas do que se trata tudo o que tem sentido, Se o que mais marca é, de fato, aquilo que foi sentido? Eu não sei, Deus talvez dirá… A poesia me encontra, Me faz me encontrar, E a vida segue sem prepotência Indo a algum lugar.
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