
Mitologia árabe pré-islâmica
Data 24/01/2011 12:46:13 | Tópico: Sonetos
| Mitologia árabe pré-islâmica
1
O Pai dos outros deuses que é Hubal Dominando o universo traz além Da imagem mais sublime; o que contém Em ágata vermelha o triunfal Aspecto majestoso e magistral No tanto que pudesse enquanto tem Sobeja força mostra e assim convém Num ato mais sublime em ritual, Na mão direita em ouro desenhada A força criadora se expressando, E o quanto se mostrasse desde quando A vida noutra face demonstrada Presume a divindade a plenitude, Ninguém supera o deus em magnitude.
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Allat, a deusa-lua em noite clara Reinando no deserto traz em si O tanto quanto mais eu percebi E a sorte de tal fonte se declara, A vida noutro tom quando escancara Marcando esta beleza quando a vi, Na fonte insaciável presumi A sorte mais audaz, diversa e rara. Na peregrinação que me arrebata O quanto da esperança se constata Na lua que nos guia noite afora, E o tempo desenhando desde já Em soberana face; a deusa Allat Que em rara maravilha nos decora.
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Al-Uzza esta suprema divindade Marcando o quanto venha após cultivo E nisto se presume o quanto eu vivo Traçando esta real fertilidade, E quando a solução em paz invade, Já nada mais comporta um lenitivo E o canto que se mostre mais altivo Presume a tão completa claridade. Protegendo os guerreiros, com certeza Expressa muito além da realeza E tem em sua força este valor, O tempo se desenha e mostra assim, O quanto se pudera crer e enfim Tramar em oração todo o louvor.
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Destino dominado por Manata A deusa que traduz este futuro, E quantas vezes tento e me asseguro Na força sem igual que me arrebata Assim o dia a dia se constata E bebo o quanto quero e além procuro Vencendo o que pudera sobre o duro Cenário aonde o todo se retrata, Em sua homenagem feito um belo templo Que em sonhos mais diversos já contemplo Na peregrinação procuro a sorte, E sei do quanto poderia e mesmo quis O velho coração de um aprendiz Tentando este momento que o conforte.
5
Wadd a divindade rege o amor E traz na serpe enfim simbolizada A imagem que deveras consagrada Ao deus que traiçoeiro trama o ardor, E quando se percebe nele a dor, O tanto quanto queira assim se evada, A sorte noutro rumo desenhada, Merece ou desmerece este louvor. Também regendo assim uma amizade Que quantas vezes nega a liberdade Ou mesmo coabita em traição, E assim em dor e luz cada caminho Se traduz aonde vejo e me avizinho Dos dias tão diversos que virão.
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A lua que em Ta'lab traduzira A imagem soberana em plenitude E mesmo quando a vida tudo mude, Além neste infinito vejo a pira Acesa em noite imensa sempre gira E traça a cada passo o quanto ilude E gera numa eterna juventude O quanto noutro instante já se atira, Expressa a maravilha e doma o céu, Trazendo em esperança o seu papel Deixando o meu caminho iluminado, E o deus que me trouxera esta beleza Deveras desenhando com certeza O mundo aonde em paz e sonho eu brado.
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Dhu'l-Halasa traduz o que virá, Prevendo algum futuro feito oráculo E trama neste encanto um espetáculo Marcando cada passo desde já, O quanto com certeza chegará A vida se adestrando num tentáculo Diverso ousando além de algum vernáculo Moldando o desespero ou tal maná, Assim na previsão do que eu teria Em dor, em fúria, em medo ou alegria Expressão diversa a cada passo, O mundo se anuncia de tal sorte Que quando se presume além o norte, O tempo em abundância ou mesmo escasso.
8
Al-Qaum o deus da guerra e dos combates Das caravanas sendo o protetor, Marcando em plena noite; um tal vigor Que nada neste mundo ora te abates, E quando esta certeza tu constates Verás que nada pode nem a dor Vencer o quanto traz neste louvor O sonho que decerto assim resgates. Contrastes entre a noite e o claro dia, Aonde o que se quer já se veria E o tempo ensolarado; dita o passo, Porém em noite imensa Al-Qaum protege Do mundo tão atroz um rude herege E neste caminhar meu rumo eu traço.
9
Dushara se estendendo neste cerro Domina a paisagem divindade E nele este horizonte em liberdade Deixando no passado algum desterro, O tempo se anuncia e quando vejo O brilho sobre os cimos das montanhas O quanto mais avanças, tramas, ganhas Os dias delirantes num desejo, Ascendo à plenitude imaginada E bebo o privilégio de sentir O toque que se traz no meu porvir Da sorte noutra sorte desenhada, Marcando o dia a dia em paz sublime E assim cada temor já se redime...
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Marids, as caprichosas divindades Espíritos diversos, poderosos, E tanto quanto querem majestosos Enquanto traduzissem o que invades, Porém a cada instante uma batalha E o gozo do exigente passo além E nisto o quanto queira e mais convém Ao tanto noutro rumo ora se espalha, Regendo com a voz forte e temível Tramando o que desejam, desde quando O passo no seu rastro desenhando E tendo este caminho imperecível, Marcantes os alentos, morte insana Ou mesmo imagem rude e soberana.
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Ifrit, como demônios turvos, maus, Espíritos regendo a dor e o medo, E quando de tal forma me concedo Perdendo o que pudera noutros graus Esperança perdendo as velhas naus, O sonho se traduz em arremedo E o preço a se pagar, atroz e ledo Negando o que pensara em tais degraus, Alada criatura em fogaréu Marcando com terror o seu papel, Gerando o pleno caos aonde um dia Pudesse imaginar outro caminho E quando dos seus ermos me avizinho, Bebendo em fel a pútrida agonia.
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Um Jinn em livre arbítrio traz o bem Também domina o mal e rege assim Dicotomia imensa e dita enfim O quanto na verdade a vida tem, Porquanto neste espírito se vêm Dispersos caminhares, vário fim, E nisto se desenha dentro em mim Regendo este cenário e sendo alguém... Ao mesmo tempo vejo a claridade E bebo da noturna escuridão, Resumos deste tempo onde o não Aos poucos dominando forte brade Ou trace esta benesse mais suave Tirando o que se mostra e o passo entrave.
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Nasnas, um monstro semi-humano traz A fúria em seu olhar tanto domina E traça o quanto possa e desatina Marcando com terror a voz mordaz, Demônio se hibridando com humano Tramando a cada instante outra heresia E quando se tentara ou mais podia, A vida se traduz em ledo engano, Vestindo a face mais atroz, O meu caminho se transforma E bebo do temor a dura forma Negando o que pudera logo após, Campeia pelas noites, tempestade E o quanto se deseja; em dor se evade.
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Ghoul que se transformando numa hiena Ataca quem adentra no deserto O monstro que infernal a descoberto Aos poucos sem razão tanto condena, E a morte neste passo sempre acena, Vagando sem destino, rumo incerto, O tempo aonde possa e mesmo alerto Tramando o que decerto me envenena, Desta expressão temida, nada sobra, A vida se desenha e em cada dobra Diversa magnitude em vendaval, Assim cada momento dita o fim, E nega o quanto possa e quando vim O mundo se desnuda audaz e mau.
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Bahamut sustentando toda a Terra Um peixe imenso e forte qual Titã Marcando a cada dia outro amanhã Eternizando o passo onde se encerra, E deste monstro em paz, o quanto dita O tom maior que expresse a segurança Toando com firmeza onde se lança E nisto a vida seja mais bendita, Traçando com sobeja fortaleza O quanto se desenha em harmonia E quando toda a sorte se veria Sem medo sem horror e sem surpresa, Bahamut transmitindo esta potência Liberta e sacrifica a independência.
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