
Relógio
Data 24/01/2011 00:45:52 | Tópico: Poemas
| Tanto embalo pra tão pouco samba… Tantas pessoas, tanta correria, Tanto a fazer, tanto a aprender… Eu me sequestro do meio do ônibus E amordaçado pela distração, me transporto De volta a mim. Tantas estações pra tão pouco trem… Nesses vagões, findam-se vergões fundos De súbita melancolia. Mas eu não me importo, se quer saber Eu me importo É com o céu, com este planeta, Com esses meus planos simples Sem nada de incomum astúcia. Eu sou um vácuo eterno preenchendo um adeus Tal como você, De vida ainda tão desejada em partilha Com esta entrelinha, com a vida minha Como essa inversão proposital… E à propósito, Tem hora que o tempo se inverte. Então vem logo, que às vezes o caminho encurta E o futuro vive uma nostalgia, Mas tem tanto futuro pra tão pouca vida… E eu não ligo, eu não ligo se quer saber… Mas se não quer, Eu também não ligo. Há tão pouco tempo pra tanta lida Que minha fé se abala quando perco o senso de céu De perfeita impossibilidade… Que o impossível também acontece, E acontece que é possível também Não acontecer. Há tantas alas pra tão poucas baianas… Ê samba, ê samba que não é meu Traduz, põe fim a esse poema Que há tanto a refletir E há igual de espelho. Eu espero.
|
|