
Carta a mim mesma
Data 09/09/2007 21:45:00 | Tópico: Mensagens -> Desabafo
| Hoje, acordei de manhã e vi-me especial. Assim, especial só para mim. Libertei-me de todas as arenas empoeiradas que me sufocavam a garganta em silêncios bafejados de espadas afiadas, mergulhadas num medo inseguro do qual me acuso. Agora é tempo de arrumar as gavetas do medo, divisões certeiras conjugadas em mim. Daqui a uns anos vou divorciar-me de outros anos e voltar a casar com os anos do sorriso, aquele sorriso em que me revelo por inteiro, quando vejo uma criança ou cheiro o alecrim que está no roçar da minha rua. A minha rua é tão bonita de flores e árvores e bancos de jardim! A rua que foi de mim, dos meus filhos e, agora, dos meus netos. É uma rua de descendentes, de amores-perfeitos em corações, às vezes, desfeitos… Vou aprender a voar nas asas de um pássaro qualquer, para entregar recados de amor, recados de mim, retalhados em linhas quadradas num caderno jasmim. Logo a seguir, quero mais coisas! Estou tão estonteante nestas minhas ideias que quero transformá-las em cafés da manhã, mesmo que esses cafés não sejam mais que um simples iogurte onde sempre me hei-de beber.
E, um dia, caminharei em caminhos naturais Mundo só meu… Onde só eu poderei sair, sem entrar…
Manuela Fonseca
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