
É ALZHEIMER PAI
Data 17/01/2011 22:07:21 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Caiu sobre nós a desgraça, vil, atroz, assentou praça – roubando-nos o descanso, e o gesto, sereno e manso.
Alzheimer é, em seu início: disse-o a médica plo orifício dos óculos, de lente larga, comigo e a mãe, à ilharga.
Aceitamos como evidência, e às mãos da douta ciência, entregamos o querido pai, que por ora de casa não sai.
A medicina traz-lhe epilepsia junto com tremuras dia a dia, desfalecimentos abruptos, que os veios estão corruptos.
O melhor será ida ao hospital, para que tratem do pai afinal – por mais cuidados que hajam melhor que nós outros reajam.
Difícil vê-lo, pai, aí, tão doído, sem reacção, demais sofrido, e deixo vaguear a imaginação, vendo-te passear qual alazão.
Volta, para nós, pai, peço-te! Eu sei que és forte, conheço-te! E nada te vencerá – o destino, se nosso fado, só o é em menino.
Jorge Humberto 17/01/11
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